Yes We Can!

15 de outubro, dia do Blog Action Day 2009 - Mudança Climática“Sim, nós podemos”. A celebre frase do então candidato a presidente Barack Obama é, além de uma coisa positiva e que nos inspira confiança nos leva a pensar que nossas ações, embora a princípio não pareçam, podem levar a consequências desagradáveis a longo prazo.

No começo do século XX as pessoas se maravilhavam com os grandes avanços da Ciência e da Tecnologia. Contudo, essas descobertas geralmente colocavam o homem em risco em um prazo curtíssimo de tempo. Um bom exemplo seria os refrigeradores da época. Desde meados do século XIX comida conservadas em geladeiras era uma realidade um tanto perigosa nos lares das famílias mais abastadas. Eram frequentes os vazamentos dos gases responsáveis pela refrigeração. Geralmente eram usados amônia ou cloreto de metil. Um pequeno detalhe: eles eram tóxicos. Entrar na cozinha nessa época deveria ser uma aventura e tanto.

Devido aos riscos serem maiores que os benefícios de se ter um refrigerador, empresas começaram a pesquisar uma substância que refrigerasse e que não causasse danos a saúde dos seres humanos caso vazasse. Então, em 1926 Thomas Midgley, Jr. e Charles Franklin Kettering desenvolveram um composto químico com carbono, flúor e cloro: o Freon. Você deve conhecer essa substância por outro nome: CFC ou, se preferir, clorofluorcarbono.

Entre as suas propriedades estão a de não ser tóxico, ser endotérmico quando expande, não ser explosível ou inflamável (esse último foi aproveitado para fazer tecidos a prova de fogo). A Du Pont, que registrou a patente da substância se aliou a General Motors na década de 30 para produção em massa do Freon. Fabricantes como a Frigidaire tinham produzido até em 1935 cerca de oito milhões de refrigeradores com o novo gás. Em seguida outros fabricantes começaram usar o “gás milagroso” (assim chamado o Freon devido a suas propriedades que qualquer ser humano pediu a Deus) em ar condicionados, em tecidos e em latinhas de aerossol.


Comercial de refrigeradores Frigidaire nos anos 50.
 
Acredita-se que no final da década de 60, 1 milhão de toneladas de CFC eram liberadas por ano na atmosfera. Ela era liberada principalmente pelo uso massivo de aerossol que usavam o CFC como propelente.


Comercial do spray para cabelo Gossamer nos anos 60.
 
Uma vez liberado na atmosfera, o CFC se espalha e é levado até a alta atmosfera por convecção. Lá, encontra correntes de ar de alta velocidade, chamada de jet streams que circulam por todo o planeta.

Cerca de 25 km de altitude encontramos a ozonosfera ou camada de ozônio. A ozonosfera é uma camada de gás O3 rarefeita que filtra os raios nocivos do Sol, bloqueando grande parte dos raios UV que, se não fossem filtrados, a vida na Terra seria inexistente.

Em Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP) o CFC é estável porém, excitado pela radiação UV, acaba se desestabilizando e libera um átomo de Cloro. Uma vez livre, ele entra em contato com o O3 em sua volta. Quando o cloro entra em contato com o ozônio, o mesmo se destrói e o cloro fica intacto durante o processo. E como o cloro demora anos para descer a baixa atmosfera, ele irá destruir milhões de moléculas de ozônio.

Apesar de 90% das emissões de CFC serem produzidos no hemisfério norte, o buraco na camada de ozônio é percebida com mais nitidez na Antártica. Na realidade o buraco na camada de ozônio não é bem um buraco, apenas uma região da ozonosfera bem mais rarefeita que o normal. Ela fica mais nítida no hemisfério sul mas pesquisas mostram que a camada está ficando 5% mais fina Europa do Norte e se estendendo para áreas do mediterrâneo e Estados Unidos.

Uma pergunta feita é: por que o buraco na camada de ozônio se concentra onde é a Antártica? Um dos motivos é a temperatura. Quando a temperatura cai, nuvens polares contendo cloro e bromo se formam na alta atmosfera. Quando chega a primavera, a radiação UV do Sol leva a formação de radicais de cloro e bromo que destroem o ozônio. Ou seja, quanto mais frio for o inverno, maior será o buraco.

Acontece que o aquecimento global traz consigo uma diminuição da temperatura na alta atmosfera, fazendo que o buraco fique ainda maior.


Sequência de imagens mostra o buraco na camada de ozônio de 1979 até 2007.
 
Ou seja, antes pensava-se que com o cumprimento do Protocolo de Montreal (que trata sobre o emissão de CFC’s na atmosfera) fosse suficiente para que em meados de 2060, a camada de ozônio voltasse aos valores normais. Os valores agora dependem do cumprimento de outros tratados ambientais, que visam conter o aumento da temperatura da Terra, entre eles, o Protocolo de Kyoto.

Um dos grandes problemas da destruição da camada de ozônio é que as pessoas estarão mais suscetíveis a desenvolveram câncer de pele e catarata devido ao aumento da radiação UV que chega a superfície. Sem falar que pode comprometer o crescimento das plantas, alterar a dinâmica global (fazendo que os gases do efeito estufa se desloquem para outras regiões, aumentando a temperatura da Terra), sem falar que a degradação do ozônio na alta atmosfera altera a distribuição térmica do planeta. Com mais UV, os fitoplânctons que ajudam a absorver o dióxido de carbono morrem, fazendo que mais do gás fique suspensa na atmosfera. O dióxido de carbono é um dos gases responsáveis pelo efeito estufa. Os impactos climáticos seriam indeterminados e no mínimo catastróficos. Anualmente e a nível mundial, surgem cerca de 3 milhões de novos casos de cancro da pele e morrem 66 000 pessoas com esse tipo de cancro. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, a redução de apenas 1% na espessura da camada de ozono é suficiente para a radiação UV cegar 100 mil pessoas por catarata e aumentar os casos de cancro da pele em 3%.

Mas, o que pode ser feito para que isso não aconteça? Bom, embora o Protocolo de Montreal tenha sido assinado por mais de 150 países e que a cada ano a liberação de CFC na atmosfera tenha diminuido ainda há muito sendo liberado todos os dias. Medidas simples ajudam a evitar que você leve para casa produtos que degradam o ozônio.
  • Não usar aerossol nos quais o CFC seja o propelente. Escolha embalagens em que o selo ‘Inofensivo para a camada de ozônio’ esteja no corpo da lata;
  • Embalagens de lanche térmica quando jogadas na natureza liberam CFC;
  • Ainda há eletrodomésticos que usam CFC como o ar condicionado. Quando for fazer a manutenção, verifique com o técnico se há vazamento de CFC e se o descarte de resíduos é feita de forma ecologicamente correta;
  • Trocar extintores ‘halon’ por de dióxido de carbono ou espuma.
Medidas simples, além de usar sempre filtro solar para bloquear a ação da radiação UV na pele e usar óculos de sol com filtros UV evitam que desenvolva câncer de pele ou catarata podem, aos poucos, fazer com que a camada de ozônio volte ao normal.

De uma substância que a curto prazo não causava danos às pessoas se transformou em uma substância que causará danos irreversíveis se não agirmos agora! Será que conseguimos? “Sim, nós podemos!”.

Esse post faz parte do campanha “Blog Action Day 2009” no qual o tema desse ano foi mudanças climáticas. Meu blog fez parte da campanha! Se você tiver um blog poste algo hoje (dia 15 de outubro) sobre o tema. Se não tiver não tem problema, poderá dizer algo seja por Twiter ou qualquer rede social. Façamos nossa parte!

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