Terremotos…

Imagem da "Terra Cheia" tirada pela Apollo 17. Essa é uma das imagens da Terra mais famosas e a mais usada em campanhas publicitárias. Uma das características do terceiro planeta do Sistema Solar é ser dinâmico. Ele não é “morto” no sentido de que nada acontece de diferente. O planeta Terra vive tendo alterações em sua superfície, causada pelas ações dos seres viventes nela como nós, seres humanos, que alteramos drasticamente a paisagem em vários lugares do mundo. Alterações podem vir do espaço também, como asteroides ou meteoros não se desintegram por completo na atmosfera e acabam atingindo o solo. Alterações também podem acontecer por ações do próprio planeta. Erupções vulcânicas, furacões e tempestades alteram a paisagem, algumas vezes drasticamente. Uma das causas naturais que alteram a paisagem onde pisamos são os terremotos.

Abalos sísmicos são vibrações que duram um determinado período de tempo, geralmente de poucos segundos a alguns minutos. São causados pelos movimentos das placas tectônicas que, no decorrer de vários anos se movimentam aos poucos seguindo seu movimento sobre o manto do planeta. Nos pontos onde as placas se encontram poderá haver atrito que, depois de anos de movimentos imperceptíveis acabam cedendo, liberando uma grande energia, causando os abalos.

 

Placas tectônicas.

Obviamente esses abalos não acontecem em qualquer lugar. Você, que mora no Brasil pouco provavelmente deve ter sido vítima de um terremoto. Os abalos ocorrem geralmente no local onde as placas tem contato. Um exemplo que podemos citar (que acabou dando ideia para a criação desse post) é o local onde está o Haiti (no dia 12 de janeiro um abalo de magnitude 7 atingiu a ilha). Vendo a imagem podemos ver que o Haiti está no encontro das placas Caribenha (no meio da imagem) com a placa Norte-americana).

Obviamente quem mora no interior dessas placas tectônicas não sente nada. Pode viver tranquilo. Bom, nem sempre. Embora mais difíceis, abalos de menor intensidade podem acontecer até mesmo quem mora no interior de uma placa. Um exemplo que podemos citar alguns tremores que ocorrem em alguns lugares de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. De acordo com o grupo de sismologia IAG/USP isso acontece devido a fraturas do basalto que forma a região. Além disso, um abalo sísmico pode ser sentido por vários centenas de quilômetros do local de origem (epicentro).

O maior abalo sísmico já registrado (ou seja, podem ter ocorridos outros de maior intensidade no passado, mas não foram medidos com instrumentos científicos) foi de 9,5 graus na escala de Richter que ocorreu em 1960, no evento conhecido como Grande Terremoto do Chile. O terremoto foi sentido em diversas partes do mundo e gerou uma tsunami que afetou o Japão e o Havaí. Calcula-se que mais de três mil pessoas morreram com o abalo e que outras dois milhões ficaram feridas. Já o segundo maior registrado foi o da Indonésia em 2004, com abalo de 9,3 na escala de Richter. Ela causou a tsunami que foi notícia por várias semanas em TV’s e internet.

A escala de Richter foi desenvolvida por Charles Francis Richter e Beno Gutenberg, sismólogos membros da Caltech. Essa escala quantifica a magnitude do terremoto. Criada em 1935, usaram um sismógrafo Wood-Anderson para recolher os dados das vibrações do solo. Depois criaram cálculos para calcular a magnitude dessas ondas. O artigo do Wikipédia sobre o assunto tem uma tabela graduada com os valores de 0 a 10.

Bom, mas por que ocorre os tremores? Bom, sabemos que a superfície do planeta não é uma só. São feitas por várias placas que estão em movimento. Diversas causas podem fazer as placas se moveram, como o atrito entre a rocha sólida e a parte mais interna do planeta, que é de material fundido até efeitos gravitacionais. Veja a imagem abaixo.

 

Tectonismo das placas.

Existem três tipos de limites de placas onde cada uma se relaciona com a outra de uma determinada maneira. Há casos em que os três modos surgem ao mesmo tempo.

  • Limites transformantes ou conservativos - ocorrem quando as placas deslizam ou mais precisamente roçam uma na outra, ao longo de falhas transformantes. O movimento relativo das duas placas pode ser direito ou esquerdo, consoante se efetue para a direita ou para a esquerda de um observador colocado num dos lados da falha.
  • Limites divergentes ou construtivos – ocorrem quando duas placas se afastam uma da outra.
  • Limites convergentes ou destrutivos – (também designados por margens ativas) ocorrem quando duas placas se movem uma em direção à outra, formando uma zona de subducção (se uma das placas mergulha sob a outra) ou uma cadeia montanhosa (se as placas simplesmente colidem e se comprimem uma contra a outra).
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    Animação da deriva continental. Os terremotos surgem devido aos movimentos que essa placas fazem uma com as outras. O movimento é lento mas isso se acumula ao longo de anos e anos. Numa determinada hora o solo pode liberar essa energia mudando a paisagem como conhecemos. O mundo que conhecemos hoje é graças ao movimento das placas. É fácil perceber uma espécie de ligação da costa brasileira com a África. Há mais de 100 milhões de anos atrás ambos eram apenas um só continente, Gondwana.

    Por enquanto não é possível prever quando ou onde um terremoto irá ocorrer. Diversos estudos estão sendo feitos para que um dia isso ocorra. Diversas áreas do conhecimento se empenham nisso inclusive a teoria do Caos. O geofísico Didier Sornette, da Universidade da Califórnia, EUA e da Universidade de Nice, França. Sua teoria começou a ganhar forma nos anos 90. Para ele os eventos de certa forma nos avisam que vai ocorrer. De acordo com Sornette, as oscilações de energia que são captadas por instrumentos seguem um padrão matemático preciso e que podem ser medidos até chegar ao ponto crítico (onde todo o sistema fica instável e o evento ocorre, como no caso do terremoto). E esse sistema, de acordo com ele poderá ser aplicado a qualquer coisa, como prever o nascimento de uma pessoa. O útero gera pequenas contrações que seguem a matemática do geofísico e que vão aumentando de intensidade até o momento em que o trabalho de parto começa. Sornette diz que não está interessado em explicar os mecanismos desses eventos, ele quer apenas prevê-los.

    Quem sabe um dia isso realmente aconteça? Prever com dias ou semanas de antecedência um terremoto que pode levar a uma tsunami por exemplo poderia salvar milhares e milhares de vidas. Mas não será de grande valia prever esses eventos quando um país com governantes corruptos e guerra civil no qual forças de paz de outros países tentam amenizar os problemas que não são poucos realmente fica difícil. Assim como vimos no COP 15, não basta apenas os cientistas fazerem sua lição de casa, é necessário que os políticos e os governos façam a sua parte também.

    Fonte das imagens: Wikipédia Commons.

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