Animal fazendo fotossíntese?

 

Olha que simpática a lesminha verde...

Pois é pessoas, isso existe… em um artigo de 2008 da PNAS, a equipe liderada pela bioquímica Mary Rumpho da Universidade de Maine, EUA encontrou essa lesma marinha na costa americana. Seria apenas a descoberta de uma nova espécie de animal se não fosse algo interessante: esse ser que se alimenta de algas da foto acima também é capaz de fazer fotossíntese!

Mas calma, o Elysia chlorotica não nasce heterótrofo (precisa de alimentos para sobreviver) e autótrofo (sintetiza seu próprio alimento) ao mesmo tempo. Acontece que seu alimento, as algas Vaucheria litorea fazem fotossíntese e a lesma não sai triturando tudo dentro de seu trato digestivo (assim como ocorre nos humanos), ela consegue separar os cloroplastos da mesma e usa-los para produzir energia para si. Acontece que isso não é tão simples assim: em algum ponto da evolução, parte dos genes das algas “pularam” para o material genético da ‘bichinha’. Em uma incrível e raríssima transferência horizontal (estilo Lamarck), essa cópia do gene psbO permite que os cloroplastos realizem a fotossíntese.

O interessante é que o artigo foi editado por Lynn Margulis, primeira esposa de ninguém menos Carl Sagan. Ela é conhecida sobre suas ideias da origem das células eucarióticas (onde a principal característica é ter o núcleo e organelas envolvidas por uma membrana) a partir de várias células procarióticas (o DNA não está envolto por uma membrana e há poucas organelas especializadas). Hoje parece óbvio demais sobre a origem das eucarióticas mas na época em que foi proposto isso, em 1966, o trabalho de Lynn foi recusado por 15 periódicos científicos.

Abaixo, um vídeo feito pela NewScientist mostrando as incríveis peripécias da Elysia chlorotica.

Com informações de O amigo de Wigner (inclui imagem que ilustra este post), 100nexo, Wikipédia, Divulgar Ciência e NewScientist.

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