O Vermelhinho Básico – parte 3

 

Luzes vermelhas... bem mais inofensivas que algumas que o brasileiro conhece.

Da próxima vez que você tiver uma prova, peça ao seu professor que imprima tudo em tinta vermelha. Você tem mais chances de se sair melhor do que a mesma prova impressa em tinta preta. Mas tome cuidado para não ser exposto a nenhuma luz vermelha antes da avaliação, pois nesse caso os resultados não serão tão satisfatórios assim. Mas da onde tiraram essas ambiguidades? Ora, de alguns estudos feitos pelo psicólogo Andrew Elliot (falei sobre ele no primeiro post).

Elliot distribui a alguns alunos testes de QI (Quociente de Inteligência) impressa em vermelho ou preto. Os alunos com papéis em vermelho tiveram uma pontuação melhor em relação aos que receberam o papel em preto. E imagens por ressonância mostraram que o vermelho ativa o córtex frontal direito, área do cérebro ligada à inteligência emocional e à atenção. A pesquisa mostra que estar exposto ao vermelho durante a realização da tarefa aumenta sua atenção e, no caso do estudo, um aumento considerável de QI. A pesquisa foi complementada por outra em que estudantes trabalharam em computadores com telas com fundo vermelho, azul ou branco. O resultado mostrou que no quesito atenção (como rever um texto, por exemplo) os alunos com tela vermelha tiveram um desempenho  de 31% em relação aos alunos de tela azul, por exemplo.

Entretanto Elliot e equipe descobriram que os alunos expostos a flashes de luzes vermelha antes de fazerem testes de QI mostraram um desempenho muito pior em relação aos alunos que não foram expostos a luz vermelha. Nesse caso, a pesquisa mostrou que o vermelho está associado a coisas problemáticas como emergências e perigo.

Além de mudar o jeito como pensamos e resolvemos os problemas, as cores também podem alterar o que fazemos e como nos comportamos. A pesquisadora Sarah Pryke da Universidade Macquarie, da Austrália pintou de vermelha a cabeça de alguns tentilhões que não haviam mudado de cor ainda. Tentilhões são pássaros que podem ter cabeça preta ou vermelha. Depois de pintá-los, os pássaros foram colocados com outros tentilhões para disputar comida. O resultado mostrou que os “cabeças pintadas” ganharam o direito à comida em 81,5% das vezes. E mais, mesmo os pássaros pintados não terem seu comportamento alterado, os demais pássaros passaram a se esquivar deles. De acordo com Pryke, isso significa que os cérebro dos pássaros já nasceu programado a evitar o vermelho. Isso leva a suspeitar que nos humanos, algo similar aconteça.

É incrível como as cores podem alterar não apenas o nosso comportamento mas também a de outros animais. A evolução do olho que diferencia as cores não serve apenas para admirar a natureza (ou identificar cores do semáforo ou uma mulher num vestido vermelho) mas também para que o cérebro interprete mais informações que ele está recebendo do ambiente e saber quais atitudes tomar (como pisar no freio ao sinal vermelho ou gastar mais com aquela lady in red). E tudo isso inconscientemente. Incrível!

Post da série ‘O Vermelhinho Básico’. Imagem por JAMALadi pelo Flickr.

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