Camarões suicidas….

 

Shrimp_by_darkjellyman

Ao ver a matéria sobre o assunto eu lembrei do meu professor de Invertebrados, Rogério. Ele é especialista em crustáceos, um dos muitos grupos que compõem o volumoso filo dos Arthropoda. Espero que ele leia esse post pois os biólogos descobriram que medicamentos antidepressivos usados por nós, seres humanos, estão afetando a vida desses bichinhos. O que acontece é que geralmente os camarões apresentam fototaxia negativa, ou seja, eles tendem a ir no sentido oposto ao da luz. Só que devido a presença de fluoxetina (um antidepressivo comumente usado) na água afeta o comportamento desses crustáceos, os fazendo apresentar fototaxia positiva (eles tendem a seguir a fonte de luz). Como eles sobem mais para ficar mais próximos a luz, eles se tornam presas fáceis para aves que os capturam. É como se o medicamento os deixassem mais propensos a se suicidarem.

Mas como foi parar fluoxetina no habitat desses seres? Será que alguma pessoa resolveu despejar milhares de comprimidos de Prozac (nome comercial da fluoxetina) na água pra ver o que acontecia? Na verdade a fluoxetina está vindo dos esgotos que são despejados em rios e mares. Como não é todo o medicamento que é metabolizado no organismo, parte dele é eliminado pela urina, que chega as águas, aumentando a concentração dessa substância. O preocupante é que, se muitos camarões ficarem expostos ao medicamento poderá acontecer mudanças no ecossistema marinho, causando problemas para o equilíbrio ecológico.

Assim como estão desenvolvendo pílulas anticoncepcionais “ecológicas” para mulheres (que, quando eliminados na água não alteram a quantidade de hormônios e não causam problemas) o mesmo deveria ser feito pela indústria farmacêutica nesse quisito. Sei que deve ser um trabalho difícil fazer um medicamento que tenha a ação desejada no cérebro, com menor efeitos adversos e que altere o mínimo a natureza. Um investimento muito alto deve ser feito, mas não é impossível. Afinal de contas, cerca de 100 anos atrás tratavam pessoas com distúrbios psicológicos com choques e hoje tratamos com medicamentos (e possuem um efeito muito mais positivo).

Com informação de Hypescience. Imagem por ~darkjellyman em seu DeviantART.

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