Terremotos e tsunamis...

Xilografia do mestre japonês Hokusai, A Grande Onda de Kanagawa (1830-31). Apesar de muitos acharem, ela não representa um tsunami, apenas uma onda normal grande.

Na madrugada de hoje (do Brasil, 11 de março de 2011) o Japão sofreu um abalo sísmico de magnitude 8,9 na escala de Richter. O abalo teve o epicêntro 130 quiliômetros à leste da cidade de Sendai. Com o abalo uma onda de altura entre quatro a 10 metros* atingiu em cheio o nordeste do país e fez levantar o alerta de risco das grandes ondas em mais de 20 países.

O professor Dulcídio do blog Física na Veia explicou de uma forma bem simples os cálculos envolvidos para determinar a magnitude de um terremoto e dos tsunamis. Clique aqui para ir ao blog.

O tremor registrado hoje ocorreu devido ao atrito da placa
do Pacífico (em amarelo) com a placa Norte-Americana
(em marrom) que se chocam "frontalmente".
Mas porque ocorre esses tremores? Ao contrário do que li em alguns lugares, os terremotos não são consequências do aquecimento global. O aquecimento global é o aumento da temperatura média da atmosfera terrestre e não interfere nos processos geológicos (pelo menos não nesse sentido) a ponto de causar um terremoto. Como podemos ver na imagem ao lado (clique nela para ampliar), a superfície terrestre não é composta de uma só rocha (ou placa). Ela é o resultado de inúmeras placas próximas uma das outras. Acontece que essas placas não se encontram até o centro da Terra. A crosta terrestre é uma camada relativamente fina de rocha (compreendendo entre 20 a 60 quilômetros de profundidade) que fica 'flutuando' sobre a camada mais abaixo, o manto. Devido as diferenças de temperatura que variam entre 100 °C em contato com a crosta até cerca de 3500 °C existe uma corrente de convecção que faz que o manto mais quente (que fica menos denso) suba para as áreas mais frias e o manto mais frio (mais denso) desce para as regiões mais quentes. Para ver isso mais facilmente basta observar uma panela com água ao fogo. Se você colocar chá na água verá o leve movimento da água mais quente (que está mais perto do fogo) subir e a água que está mais para cima (que está um pouco mais fria comparando com a parte de baixo) descer. Embora esse processo seja lento quando falamos do planeta Terra, o manto acaba levanto consigo as placas que estão sobre ele. Dependendo de qual o movimento de convecção as placas podem se encontrar, se afastar ou deslizar uma contra a outra.

Nós aqui no Brasil estamos com os pés sobre a placa Sul-Americana (na imagem acima, em roxo). Ela se afasta da placa Africana (em laranja) mas se encontra com a placa de Nasca (em azul-piscina ?). Graças a esse encontro, no final de fevereiro de 2010 ocorreu o terremoto de magnitude 8,8 na escala de Richter no Chile deixando cerca de 800 mortos. O terremoto que ocorreu no Japão foi causado pelo choque frontal entre as placas do Pacífico (em amarelo) e a placa Norte-Americana (em marrom). É importante frisar que as placas estão sempre se movimentando. Um determinado momento o estresse sobre uma região de falha é tão grande que o solo se movimenta para "se corrigir". Essas movimentações são os terremotos.

Bem, e o tsunami? Acontece que a zona de contato entre as duas placas próximas ao Japão estão debaixo do mar. O tremor de terra da magnitude citada (a sétima maior registrada até hoje) causou um movimentação tão grande de terra que levantou a coluna de água que ficava acima e fez desencadear a grande onda invadindo o nordeste japonês. O que ajudou e muito os japoneses nessa hora foi sua incrível e avançada tecnologia antissísmica que evitou que um abalo tão grande fizesse prédios e demais construções virem ao chão e ceifado muitas vidas. Talvez devêssemos aprender com esse povo no quesito segurança.

A arte do G1 fez um infográfico mostrando a região e o choque entre as placas próximas que ocasiou no tremor registrado hoje.

Veja imagens e vídeos da tragédia que atingiu os japoneses.

A Embaixada do Brasil no Japão disponibilizou um e-mail de contato e um número de emergência para notícias e informações de brasileiros que vivem na região. O e-mail comunidade@brasemb.or.jp e o número +81 3 3404-5211. No site da Embaixada você encontra outras informações relevantes. Espero que o Japão, esse país maravilhoso possa se levantar o mais breve possível.

* A altura da onda varia de acordo com a fonte da pesquisa. O Wikipédia em português registra ondas mínimas de quatro metros. Sua versão em inglês informa ondas de até 10 metros. Já o Folha.com informa ondas de sete metros.

Imagem em Wikimedia e Apollo 11. Com informações de Folha.com, G1 e Wikipédia [1], [2], [3] e [4].

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