Nosso pequeno planeta...


A imagem que ilustra essa postagem é o resultado de uma composição de 165 fotografias feitas pela sonda Cassini em 2006 quando a mesma sobrevoava Saturno cobrindo o Sol. Tirando a beleza da própria fotografia em si, em um canto dos inúmeros anéis saturninos, vemos um pequeno ponto. Longe de ser um problema de ótica ou dos instrumentos da sonda. O pequeno ponto, que está em destaque na imagem, é a Terra, vista cerca de 2,2 milhões de quilômetros de Saturno.

Acho impressionante o fato de conseguirmos ver nosso próprio planeta a essa distância. Embora imagens assim ainda sejam um tanto raras, a quantidade de missões que estamos lançando ao espaço permite um vislumbre único ao imaginar TODOS NÓS (sim, leia dando ênfase a essas duas palavras, imaginando todas as pessoas que você conhece pessoalmente, as que conhece graças à Internet, as que não conhece, somando mais de 7 bilhões de pessoas) dentro daquele único pontinho pequeno.

Acho que quando conseguimos fazer essa imagem pela primeira vez, ela deve ter sido incrível.

E foi.

O tio Sagan[1], junto com a equipe da NASA responsável pelas sondas Voyager, viram que seria possível virar os instrumentos da sonda para captar, pela primeira vez, a imagem da Terra de longe. O que se viu foi... bem... a Terra, que a mais de 6 bilhões de quilômetros não passava de um pequeno pontinho levemente azulado que se diferenciava do restante escuro da fotografia.

Essa visão fez Sagan pensar um pouco sobre o que estava vendo. E o resultado foi uma de suas criações mais belas e, para mim, uma dos pensamentos mais nobres e lindos que a Ciência pode nos proporcionar. A passagem, que foi escrita por Sagan, foi narrado por Guilherme Briggs para um episódio do NerdCast. O trecho da narração foi destacado do podcast propriamente dito e, mesclado com as imagens, compõem um lindo panorama da Ciência e do pensamento.


A Terra é tão grande e, ao mesmo tempo, tão pequena.

* * *

Não sei ao certo, mas me veio uma frase[2] de Arthur C. Clarke em minha mente enquanto escrevia essa postagem: "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia". Parece-me que a Ciência avança tanto e nos traz tantas maravilhas do Universo que, mesmo sabendo como uma câmera, ou uma sonda, ou o seu lançamento, o simples fato de ter sido feito por humanos, acaba sendo algo mágico, diferente.

Informações extras:
[1]: acho que perdi a vergonha na cara ao começar a chamar um dos cientistas que mais admiro de tio (Carl Sagan), mas não consigo evitar - virou hábito.

[2]: na verdade essa frase compõe as chamadas 'Leis de Clarke', que o autor de ficção científica relaciona os homens com a tecnologia. Essa frase que citei é a terceira das três existentes. As outras duas são: "Quando um cientista distinto e experiente diz que algo é possível, é quase certeza que tem razão. Quando ele diz que algo é impossível, ele está muito provavelmente errado." e "O único caminho para desvendar os limites do possível é aventurar-se um pouco além dele, adentrando o impossível".

Imagem por David Rayden's Blog. Com informações de Earth Observatory - NASA.

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