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Mostrando postagens de Março, 2014

O latim nosso de cada dia - post 3 de 3

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Carl Linnaeus, o homem que se classificou. Para quem perdeu a postagem anterior, veja aqui . Na postagem anterior vimos que as palavras estrangeiras são escritas em itálico e algumas palavras comuns no dia-a-dia acadêmico (e até mesmo popular) em latim e seu significado. Vamos dar continuidade nessa série apresentando um pouco sobre a nomenclatura científica. Homo sapiens  e outras regras... Todos devem saber que a espécie humano se auto-classificou como sendo Homo sapiens que, do latim, significa 'homem sabido', ou 'homem esperto'. Sempre que se apresenta o significado de nosso nome científico, alguém sempre lembra de estarmos destruindo o planeta onde vivemos e matando outros seres humanos (que denota a falta de esperteza, ou sapiência de nossa parte). Se bem que, para falar a verdade, o fato de nos auto-classificarmos (seja de forma científica, social, cultural, etc) uma atitude um tanto estranha. Enfim, a nomenclatura científica como conhecemos

O latim nosso de cada dia - post 2 de 3

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Trecho do livro de Números (mais precisamente o capítulo 1, versículos 24 a 26) de uma Bíblia escrita em latim de 1407. Foi escrita à mão por Gerard Brils para ser lida em voz alta em um monastério. Para quem perdeu a postagem anterior, clique aqui . Após sabermos quem é o latim e sua relação conosco (em relação ao português), eu disse que iria apresentar um pequeno dicionário explicando alguns termos em latim que são usados nas ciências. "Mas querido e lindo Wesley, por que os cientistas usam o latim na ciência? Isso é alguma frescura de brasileiro?" Boa pergunta, nobre leitor. Primeiramente, o uso do latim não é nenhuma 'frescura' por parte dos cientistas brasileiros. O mundo todo usa o latim para se expressar. Isso é muito útil quando cientistas de diversas partes do mundo querem conversar sobre algo. Embora ambos possam usar um idioma em consenso (um brasileiro e um alemão podem usar o inglês para se comunicar, por exemplo), o uso de um idioma a

O latim nosso de cada dia - post 1 de 3

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"LVGETEOVENERESCVPIDINESQVE", no latim antigo. "Lugete, O Veneres Cupidinesque", no latim moderno. "Lamentai, ó Vênus e cupidos", em português moderno. Embora o português derive do latim, um leitor atual sem conhecimento do idioma antigo teria uma séria dificuldade em compreender o idioma. Na imagem, 'O nascimento de Vênus', de Alexandre Cabanel. Acredito que não é mistério para ninguém a ideia de que a ciência tem uma linguagem própria, uma linguagem que difere da linguagem comum. Isso faz sentido: afinal de contas, existem inúmeras estruturas, fenômenos e mecanismos ocorrendo que seria difícil a comunidade cientifica se entender se todo mundo apontasse para algo e dissesse: sabe aquela coisa que está dentro daquela outra coisa e faz essa coisa? Embora cada ramo da ciência tenha suas palavras e seus jargões, ainda temos a presença de um idioma que permeia o meio acadêmico, não apenas nas ciências, sendo encontrado também entre os env

Ah, a evolução...

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Até um singelo beija-flor compete pela vida... Como disse/escreveu Theodosius Dobzhansky, biólogo russo-americano: nada em biologia faz sentido senão sob a luz da evolução. Para o biólogo fica bem nítido que a evolução permeia por todo o conhecimento biológico. A estrutura de um organismo; a produção de uma determinada proteína ou enzima; como ocorre a liberação de neurotransmissores pelos neurônios; a pigmentação da pele, pelos ou ovos de aves; a resistência bacteriana; a forma das folhas de plantas: isso e diversas outras observações que podemos fazer possuem, no fundo, a mão da evolução como um mecanismo que permite compreender o que se passa. Entretanto, não são todas as pessoas (infelizmente) que conhecem os mecanismos básicos que regem a evolução. De fato, em nosso mundo atual, onde os organismos parecem viver em uma agradável harmônia, onde cada espécie parece ter sido desenhada para aquele ambiente específico (não vemos ursos polares no deserto e nem plantas de folha