Ah, a evolução...

Até um singelo beija-flor compete pela vida...

Como disse/escreveu Theodosius Dobzhansky, biólogo russo-americano: nada em biologia faz sentido senão sob a luz da evolução. Para o biólogo fica bem nítido que a evolução permeia por todo o conhecimento biológico. A estrutura de um organismo; a produção de uma determinada proteína ou enzima; como ocorre a liberação de neurotransmissores pelos neurônios; a pigmentação da pele, pelos ou ovos de aves; a resistência bacteriana; a forma das folhas de plantas: isso e diversas outras observações que podemos fazer possuem, no fundo, a mão da evolução como um mecanismo que permite compreender o que se passa.

Entretanto, não são todas as pessoas (infelizmente) que conhecem os mecanismos básicos que regem a evolução. De fato, em nosso mundo atual, onde os organismos parecem viver em uma agradável harmônia, onde cada espécie parece ter sido desenhada para aquele ambiente específico (não vemos ursos polares no deserto e nem plantas de folhas bem abertas e grandes no ártico) acaba sendo um pouco estranho pensar que tais populações[1] estão em uma luta para se adaptar ao meio, tentando absorver o máximo possível dele e permitir que sua prole consiga fazer o mesmo.

Isso pode realmente acabar parecendo para nós, que observamos os organismos em um piscar de olhos no tempo geológico da Terra. Afinal de contas, aquele beija-flor que visitou seu nectário ou suas flores não parecia ter lutado com ninguém recentemente, certo?

Infelizmente não é bem assim: provavelmente ele competiu com outros de sua espécie (e até mesmo de espécies diferentes) para conseguir alimento (não apenas onde você estava observando: animais não possuem apenas um local para obter alimentos); para arranjar um abrigo; para se reproduzir; e até para se manter vivo. E isso não aconteceu apenas com um indivíduo: provavelmente toda a população de beija-flores estavam passando pelo mesmo perrengue.

Começa a ficar mais nítido que nem todos irão sobreviver a esses problemas. Aqueles mais """fortes"""[2] conseguiram melhores alimentos, melhores parceiros reprodutivos e melhores recursos para a prole. Assim, essas características mais """fortes""" tendem passar para frente com mais sucesso.

A evolução fornece um mecanismo que permite entender como as espécies se diferenciam ao longo do tempo, fazendo surgir toda essa grande diversidade que vemos hoje. Faz sentido pensar na ideia que os organismos estão bem colocados em seu meio, pois realmente eles lutaram muito para se adaptar bem a esse meio.

O vídeo abaixo explica, de uma forma didática e bonita, com direito a ilustrações e uma voz de locutor de rádio, como funciona a evolução. O vídeo acaba servindo para que o leitor ser apresentado à evolução e para iniciar sua curiosidade em busca de entender como a vida funciona. São 12 minutos bem aproveitados.

Ative a legenda em português através do player.

Informações extras:
[1]: uma população, de forma sintética, é um grupo de organismos de uma mesma espécie de interesse, que ocupam uma determinada área de espaço e tempo. Podemos falar da população humana ou da população de moscas que vivem em um lixão ao céu aberto.

[2]: pensei muito em colocar a palavra 'forte' nesse texto. Ainda a ideia de que o 'mais forte sobrevive' ainda persiste, o que caracteriza ser um erro muito grave, inclusive. Por isso aquele exagero de aspas na palavra 'forte'. O que pretendo dizer, e o que o vídeo acaba mostrando, é que os indivíduos de uma população que conseguem responder melhor às pressões do meio onde vivem (ou seja, competição intraespecífica (entre indivíduos da mesma espécie) e interespecífica (entre organismos de espécies diferentes); clima; disponibilidade de alimento; capacidade de procriação; etc.) possuem mais chances de gerarem descendentes que respondam melhor ao ambiente já estabelecido. Estes, por sua vez, gerarão organismos mais bem adaptados, que gerarão outros, sucessivamente.

Imagem via SgtBoognish em seu deviantART.

Nenhum comentário:

Postar um comentário