Cientistas brasileiros...

Dr. Carlos Chagas.
Provavelmente, se eu te perguntar se você conhece algum cientista brasileiro, você irá citar um, dois nomes... talvez cite mais, se você estiver envolvido no meio científico (ou realmente for apaixonado por essa linda dama que é a Ciência). Isso se deve ao fato de a maioria do público que visita blogs científico terem interesse pelo assunto. Mas, infelizmente, a realidade não é bem assim. Uma pesquisa desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), intitulada 'Percepção Pública da Ciência & Tecnologia 2015' mostrou que apenas 6,1% dos entrevistados[1] disseram sim se 'conheciam algum cientista brasileiro'.

Isso é sério.

Pouco mais de 100 pessoas, em um universo de quase dois mil disseram que conhecem o nome (nem precisa ser os feitos) de algum cientista made in Brazil. E o negócio não muda tanto quando se olha o nível de escolaridade. Entrevistados que disseram ter ensino superior completo (a faculdade), apenas 19,3% responderam sim para a mesma pergunta. E estamos falando de uma amostra que se diz interessada ou muito interessada por ciência e tecnologia (60,9% dos entrevistados, somados).

Por isso, é interessante ações como do Canal Futura que, em parceira com o SESI, criou uma série de 30 animações curtas (cerca de cinco minutos cada), apresentando o trabalho de algum grande cientista brasileiro! A animação é muito bonita e apresenta, até mesmo para os interessados em ciência, sobre cientistas que muitas vezes, não sabíamos de seus feitos.

Deixo abaixo, a animação de um dos meus cientistas brasileiros mais queridos, o Dr. Carlos Chagas, responsável pela descoberta do ciclo do Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas.

"E, um bigodão!"

Eles estarão sempre publicando os vídeos no canal do SESI, no Youtube. A playlist com todos os vídeos pode ser acessado aqui.

Vale a pena dar uma olhada nesse material e aprender mais sobre o desenvolvimento da ciência em território tupiniquim.

Rodapé:
[1]: total de 1962 entrevistados, entre dezembro de 2014 e março de 2015.

Imagem vista aqui.

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Enquanto escrevia essa postagem, acabei digitando os parágrafos abaixo. Percebi, então, que estava fugindo muito do que estava querendo apresentar originalmente e o descartei da postagem. Mas vi que o meu desabafo sobre a ciência brasileira atual poderia ainda ser aproveitado de alguma forma. Portanto, segue abaixo esse 'material complementar' a essa postagem.


A ciência nacional não anda muito bem das pernas, mesmo em um momento em que mais precisamos dela. Em uma nota à imprensa feita pelo Ministério da Saúde essa semana, relacionando os casos de microcefalia ao vírus zika, ressalta a relação até então inédita na ciência mundial e dá a entender que devemos estar na frente na investigação em busca de entender toda a ação do vírus na mãe e no feto.

Gente, isso se faz com ciência!

Se faz com material adequado e pessoal preparado para trabalhar com isso. E sim, envolve dinheiro. Não compra-se reagentes fazendo carinha de dó para o fornecedor.

Isso se reflete em situações tão estranhas que parecem piada. A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, cientista brasileira, publicando artigos interessantíssimos sobre o cérebro em revistas de alto impacto, precisou apelar para um crowdfunding[2] para manter as atividades do laboratório funcionando.

É preciso a população entender que a ciência não busca coisas impalpáveis que não serão aplicadas no dia-a-dia. O material que foi usado para evitar atritos em componentes aeroespaciais (sim, usados pela NASA) estão em praticamente qualquer cozinha atualmente. O teflon foi desenvolvido para sanar um problema aeroespacial e acabou, literalmente, na panela.

Mas que isso ocorra, é preciso que as pessoas entendam como funciona a ciência e porque ela é tão importante para as pessoas. E, mesmo entre os brasileiros interessados em ciência e tecnologia, isso lhes falta.

Rodapé:
[2]: financiamento coletivo. Ou nome mais chique para vaquinha. Ou, como diz na minha terra, 'passar o chapéu'.

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