O mito do Bom Velhinho...

Será que acreditar no papai noel faz bem para o natal?

"A afirmação mais polêmica do livro, no entanto, deve ser a de que sustentar a crença das crianças na realidade de Papai Noel é imoral e pernicioso. Imoral porque é uma mentira pura e simples -- e os pais não devem mentir para os filhos -- e pernicioso por uma série de motivos que o autor enumera."

Você provavelmente sabia que estava falando sobre o Papai Noel apenas lendo 'Bom Velhinho' no título. A associação enraizada do Papai Noel em nossas mentes se deve à infância que tivemos, levados por observações dos pais sobre a existência do velhinho de barbas brancas, roupas vermelhas, gorducho e que carrega presentes em um saco grande levados por renas voadoras, somado à músicas que enchem os ouvidos nessa época do ano.

"Como é que Papai Noel, não esquece de ninguém?
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem..."

Carlos Orsi apresenta um pouco sobre os mitos que rondam o Natal, focando no impacto do Papai Noel como lorota contada às crianças e como levamos esse fardo até a idade adulta. Seu texto (o trecho que inicia essa postagem é dele), é inspirado na leitura do livro The myths that stole Christmas, do filósofo David K. Johnson.

Embora a sensação que tive ao ler o texto de Orsi é de que o livro tem um tom exagerado demais sobre o Papai Noel[1], ele toca em um ponto importante: para os cristãos, a data comemora o nascimento de Jesus[2]. O impacto da propaganda associando o natal ao Bom Velhinho acabou substituindo sua origem, trocando o celebração enraizada no nascimento ou culto à divindade para uma troca ensandecida de presentes, em reuniões familiares e amigos e outras situações que podem aumentar o estresse.

Não estou dizendo para cada um ficar na sua no natal e abolir os presentes: eu, por exemplo, adoro esse período do ano, mesmo com o estresse de ir em lojas e ficar escolhendo presentes. O momento de reunir a família ao redor da mesa, tentar desviar de perguntas como 'quando vai casar?' ou 'você não trabalha, só estuda?' são, no somar das coisas, um momento único.

Não deixemos de lado o símbolo do Papai Noel como personagem que traz alegria para todos. Mas não permitamos que ele se aposse do natal. Celebre a data relembrando de suas verdadeiras origens (cristãs ou não[3]), e aproveite o dia.

Feliz Natal!

Rodapé:
[1]: não li o livro (ainda). Baseado no puro achismo pelo estilo da escrita de Orsi, nada mais.

[2]: os motivos de comemoração nesse época do ano foram mudando com o passar do séculos. Atualmente a data é uma celebração religiosa (sobretudo cristã) do nascimento de Jesus, filho de Deus que viria a tirar os pecados do mundo. Entretanto, é sabido que essa celebração foi incluindo no calendário de ritos cristãos nos princípios do surgimento do cristianismo como religião. A data era celebrada para a mudança das estações (entrada do inverno no hemisfério norte ou verão no hemisfério sul) por diversos povos, considerados pagãos. Além disso, no Império Romano (por volta dos anos 200 dC), a data era celebrada em comemoração ao Deus Sol (Sol Invicto). A comemoração foi feita até a conversão do Império ao cristianismo por Constantino (que também carregava a cunhagem de Deus Sol antes de virar católico).

[3]: a título de curiosidade: esse texto foi publicado no dia 21 de dezembro, dia do solstício de verão (no hemisfério sul). Comemorações ocorriam nessa época, sobretudo pagãs.

Imagem por MeeranUhm em seu deviantART.

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