A escala Celsius que não foi inventada por Celsius


Todos sabemos que a escala Celsius, padrão para medida de temperatura em quase todo o mundo (inclusive pelo SI, o Sistema Internacional de Unidades[1]), leva o nome do seu inventor, o sueco Anders Celsius (1701–1744). Apesar de ser constantemente lembrado, ao colocarmos a notação '°C' depois de toda temperatura que medimos por aí, Celsius acabou levando um pouco de fama por algo que ele não exatamente fez, que é a escala de temperatura que usamos hoje.

O vídeo abaixo explica as medidas de temperaturas usadas no passado, o que Celsius realmente criou e como chegamos na escala de temperatura moderna, que usamos hoje em dia para brigar com o colega que deixar o ar condicionado a 18 °C.

Legendas em português disponível a partir de tradução automática do inglês.

Imagem por YellowChocolate em seu deviantART.

A febre zika é um risco para os turistas e atletas durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro?

Parte da comunidade científica e médica está preocupada com a grande vinda de turistas para o Brasil acompanhar as Olimpíadas em época de surto da doença. Apesar da rápida disseminação do vírus devido a presença do mosquito transmissor, somado aos problemas congênitos causados em recém-nascidos, não são o suficiente para causar preocupação mundial, de acordo com esse breve artigo[1].

Mulheres grávidas ou que planejam engravidar devem evitar visitar áreas com circulação do vírus.

Eduardo Massad, Francisco A. B. Coutinho e Annelies Wilder-Smith na The Lancet.
Tradução por Wesley Santos para o blog Do Nano ao Macro.

Em 20 de maio de 2016, 150 médicos, bioéticos e cientistas de diversos países (incluindo o Brasil) publicaram uma carta aberta sugerindo à Diretora-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Margaret Chan pressionar as autoridades responsáveis pelas Olimpiadas 2016 em atrasar ou realocar o evento no Rio de janeiro devido a preocupações de saúde pública pelo risco de infecção do vírus zika em turistas e atletas.

A mesma preocupação ocorreu em 2013 para o risco de infecção por dengue para turistas e atletas que planejavam suas viagens para o Brasil durante a Copa do Mundo FIFA 2014. Na época nós estimamos o risco individual de dengue para os visitantes que variavam entre 6x10^-5 a 4x10^-4[2], o qual representou um número esperado de infecção entre turistas girando entre três e 59 casos. O número reportado de dengue entre turistas depois dos Jogos foi de três [3].

Aqui nós fornecemos uma estimativa de risco para turistas e atletas que pretendem visitar o Rio de Janeiro durante os jogos olímpicos em agosto. O mosquito Aedes tem um forte padrão sazonal com alta abundância nos meses de verão (janeiro a fevereiro no Rio de Janeiro) e baixo no inverno (julho a agosto), e Burattini e colaboradores[4] estimaram o risco individual de ser picado pelo mosquito Aedes aegypti no Rio de Janeiro durante as três semanas dos Jogos Olímpicos como 3,5x10^-2. O risco individual de infecção dos turistas por dengue no mesmo período foi estimado por Ximenes e colaboradores[5] em torno de 5x10^-4. Embora o atual número de casos de infecção por vírus zika no Brasil ainda seja desconhecido, é estimado entre 500 mil a 1,5 milhão de casos de infecção[6]; com essas estimativas, nós calculamos o risco de infecção em agosto de 2016 estar entre 9x10^-6 a 3x10^-5[7]. O risco de infecção por vírus zika é, portanto, 15 vezes menor do que para dengue.

Embora o risco de infecção pelo vírus zika durante o período dos Jogos Olímpicos ser extremamente baixo, nós acreditamos que mulheres grávidas devem evitar visitar qualquer região do mundo onde a circulação do vírus zika foi reportado, incluindo Rio de Janeiro, recomendação esta que concorda com protocolos de saúde pública nacional e internacional.

* * *

Veja o artigo de correspondência na versão original, além das referências citadas nesse texto.

Rodapé:
[1]: subtítulo de minha autoria.

[2]: Massad et al. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2014; 109: 394–397
[3]: Aguiar et al. Sci Rep. 2015; 5: 8462
[4]: Burattini et al. Epidemiol Infect. 2016; 144: 1904–1906
[5]: Ximenes et al. BMC Infect Dis. 2016; 16: 186
[6]: ECDC. European Centre for Disease Prevention and Control, Stockholm; 2016
[7]: Massad et al. Glob Health Action. 2016; 9: 31669

Imagem por Nacho Doce/REUTERS em The TelegraphReferência:
Massad, E. Coutinho, F. A. B., Wilder-Smith, A. Is Zika a substantial risk for visitors to the Rio de Janeiro Olympic Games? Lancet. 2016; 288: 25. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)30842-X

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Antes de tudo, querido e nobre leitor: eu não os abandonei. Sei que o ritmo de postagens aqui no blog caiu consideravelmente mas, para quem leu essa postagem aqui sabe que estou nos momentos finais de meu mestrado (e isso inclui correr atrás de um monte de papéis (a burocracia brasileira, você sabe como ela é)). Ultimamente escrever é uma das coisas que mais fiz nos últimos meses, tirando respirar.

Pretendo voltar a 'blogar' assim que possível. É uma coisa que gosto de fazer, já que aprendo durante a construção do texto e descubro que sabia quase nada sobre aquilo que pretendia falar. O que é bom.

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Já publiquei aqui no blog animações que exploram o mundo do muito pequeno ao mundo do muito grande. Mais um videozinho bacana, que vi primeiro no Facebook que explora essa longa viagem começando por uma risonha moça deitada no jardim da sede do Google nos Estados Unidos, indo até o limiar do universo observável. Ao retornar para a moça, exploramos o nível atômico.



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