O Melhor em 2017!


Chegamos em mais um fim de ano. 2017 reservou muitas coisas interessantes para nós e, de certa forma, nos permite um vislumbre do que podemos esperar para o ano que vem. Os destaques do ano, foram, sem dúvida, a forte crise financeira que abateu sobre a comunidade científica brasileira, com cortes poderosos de recursos que sustentam bolsas, investimentos em novas tecnologias e em pesquisas básicas. Além disso, no cenário internacional, chama a atenção para as preocupações constantes com o clima mundial, mesmo o presidente americano Donald Trump, que empossou esse ano como Chefe de Estado da nação mais poderosa do mundo, não dar a mínima para o futuro do planeta. As inovações com tecnologia de inteligência artificial também chamaram a atenção no que podemos aguardar para o futuro - e, infelizmente, não apenas coisas boas sobre o uso dessa tecnologia, que já está gerando preocupações.

Mas o ano também teve belas imagens. Fomos presenteados com um lindo eclipse que praticamente varreu de ponta-a-ponta os Estados Unidos, sendo transmitido ao vivo pela internet para todo o mundo. Tivemos a despedida da sonda Cassini, que expandiu enormemente nosso conhecimento sobre Saturno e que trouxe imagens espetaculares do planeta - e os pesquisadores ainda estão extraindo dados preciosos de seus minutos finais.

Vamos relembrar o que aconteceu de melhor - e de pior - no mundo científico, focando em sete temas principais - com destaque para o novo tema 'Computação' e um especial, com destaques que movimentaram o Brasil e o mundo em 2017. Como sempre, as fontes das notícias destacadas encontram-se entre colchetes. Vamos lá!


#zika #ÓleoDeCoco #vacina #FebreAmarela #descoberta

Começamos por uma das principais áreas de interesse humano: o que cuida de seu próprio corpo. Um dos principais destaques foi o aumento do consumo de óleo de coco no Brasil. Estimulados por um uso de óleos mais saudáveis na alimentação, o consumo desse produto carece de evidências científicas que sustentem seus benefícios. Na realidade, o consumo desse produto está até mesmo associado a algumas complicações de saúde, como deixou claro uma nota da Sociedade Brasileira de Nutrologia, que se mostrou preocupada com o uso desenfreado do óleo de coco [1, 2, 3].

Ainda no campo da nutrição e alimentação, destacamos também o aumento no consumo do sal do Himalaia, apontado como mais saudável que o sal tradicional. Na realidade, apesar da cor rosa ser bastante chamativo, esse sal não tem nada de especial em sua composição que compense o alto custo de sua extração [4]. Outro dado preocupante sobre nutrição no Brasil é o aumento no uso de suplementos proteicos, comumente usados entre praticantes de atividades físicas intensas. Problemas renais devido ao uso sem necessidade dese produto estão preocupando nefrologistas de todo o país [5]. Ainda assim, apesar dessa onda de consumo exacerbado e exagerado de tudo que foi citado acima, os refugiados venezuelanos que procuram no Brasil uma melhor condição de vida ao fugir da grave crise que a Venezuela enfrenta, estão enfrentando um grave problema nutricional. Sem dinheiro e sem recursos, muitos deles possuem uma péssima alimentação, sustentada por bebidas ricamente adocicadas e frituras [6].

Saindo da alimentação, focamos nossas atenções para a vacinação: cada vez maior o número de pessoas adeptas ao não uso de vacinas, sobretudo como método de imunização em crianças. Acreditando que as vacinas tornam o sistema imunológico fraco e que as crianças devem desenvolver suas próprias defesas contra os agentes patogênicos presentes no mundo, muitos pais simplesmente não vacinam mais seus filhos. Como resultado, surtos de doenças até então controladas estão voltando, como o sarampo, por exemplo. Além de prejudicar as crianças que podem ter sérios problemas de saúde se forem expostas às doenças existentes, pessoas susceptíveis a doenças que não podem ser vacinadas ficam vulneráveis, já que a imunidade coletiva está enfraquecida [7]. O uso da vacina evita um surto epidêmico de uma doença em uma determinada região, protegendo as pessoas da comunidade como um todo. Foi esse pensamento responsável pelas campanhas de vacinação contra a Febre Amarela que ocorreu em diversas regiões do país. A reemergência de casos em primatas em diversas regiões fez reacender o alarme da vigilância epidemiológica para a reintrodução do vírus no ambiente urbano [8].

E pouco tempo depois de disponibilizar a vacina contra os quatro tipos de dengue no país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) restringiu a administração do produto depois que a Sanofi, a fabricante da Dengvaxia, em seus estudos de acompanhamento, descobriu uma possível relação entre chances de desenvolvimento da forma grave da dengue em pacientes que nunca foram expostos à doença. Com isso, pessoas saudáveis nunca expostas não devem tomar a vacina até que mais estudos sejam conduzidos. Pessoas que já foram expostas ao vírus anteriormente podem tomar a vacina sem problemas. Lembrando que não é a vacina que causa essa reação [9].

Outros assuntos também foram destaque no mundo da medicina e saúde em 2017, a começar pelo dilema ético que uma equipe médica teve ao receber um homem com uma tatuagem escrito 'Não ressuscitar'. O homem acabou morrendo após decisão da equipe ética do hospital [10]. Apesar disso, a tatuagem desenvolvida pelo MIT pode facilitar e salvar a vida de pessoas diabéticas, já que a tinta da tatuagem reage aos níveis de açúcar no sangue [11]. E pesquisadores descobriram uma possível causa do Alzheimer, o que pode levar a tratamentos mais eficazes contra a doença [12] e que os pulmões possuem células hematopoiéticas, o que explicar muito sobre procedimentos em caso de transplantes e demais tratamentos sanguíneos [13] e, surpreendentemente, anatomistas descobriram que o cérebro possui um sistema linfático que recolhe os metabólitos das células. Até então, acreditava-se que o cérebro simplesmente devolvia ao sistema circulatório esses metabólitos. Agora o conhecimento anatômico sobre o órgão mais impressionante do corpo deverá mudar os livros-texto dos cursos de medicina [14].

E, falando em cursos de medicina, o Governo Federal proibiu a criação de novos cursos no país, alegando manter a qualidade do ensino [15]. A Anvisa reconhece maconha como planta medicinal, o que pode facilitar um pouco a vida de pessoas que dependem do preparado da folha para conter algumas problemas de saúde, principalmente crises epilépticas [16]. A morte do jornalista Marcelo Rezende reacendeu a preocupação da comunidade médica nos casos de pacientes com câncer que desistem do tratamento tradicional e buscam na medicina alternativa uma forma de encontrar a cura. Casos como esse, em que pessoas famosas tomam essa decisão, podem influenciar pessoas em situação semelhante a abandonar a medicina convencional [17], que está realizando grandes avanços. Nos Estados Unidos um novo tratamento contra o câncer foi aprovado. Totalmente personalizado, o produto é fabricado baseado em informações biológicas da própria pessoa, que ataca alvos específicos do câncer, com bons resultados [18]. Contudo, apesar do câncer ser uma das principais preocupações da medicina, o verdadeiro vilão de acordo com os cientistas é a multirresistência a antibióticos que as bactérias estão apresentando. Acredita-se que ela poderá matar mais que o câncer se novos antibióticos e novos tratamentos não forem desenvolvidos [19]. Finalizo o parágrafo contando sobre a melhora de uma paciente há 15 anos em estado vegetativo que apresentou melhora após estimulação nervosa. A pesquisa traz esperança para familiares de pessoas nessa condição em todo o mundo [20].

Novas descobertas sobre o vírus zika também fizeram presença em 2017, com destaque para a descoberta que uma simples mutação no vírus é a responsável por causar microcefalia em crianças. O estudo foi publicado na Science e pode ser a chave para criar mecanismos que protejam os fetos contra o vírus [21]. Além disso, descobriu-se como o vírus zika debilita o sistema imune, permitindo que ataque o feto [22]. E, talvez, a notícia mais preocupante tenha vindo do estudo da FioCruz mostrando que o pernilongo comum tem capacidade de transmitir o vírus zika. Até então apenas o mosquito Aedes tinha essa capacidade. Com a descoberta, o controle da dispersão da doença se torna cada vez mais difícil [23].

A medicina e saúde sempre rendem boas pesquisas e bons avanços em nossos conhecimentos. A seguir algumas notas rápidas sobe outros assuntos relevantes em medicina que aconteceram em 2017: foi descoberto que o vírus da febre chikungunya pode levar a problemas vasculares permanentes em pacientes acometidos pela doença [24]. O Rio de Janeiro apresenta uma epidemia de esporotricose, com diversos casos relatados em animais e humanos [25]. Casos de HIV/aids entre a população da terceira idade aumenta no Brasil. O acesso facilitado a medicamentos para desempenho sexual e uma maior abertura de novos relacionamentos entre os idosos, somado ao baixo conhecimento de métodos de proteção são responsáveis pelo aumento dos casos [26]. Um desertor norte-coreano que conseguiu sair vivo ao atravessar a fronteira das Coreias surpreendeu os médicos ao ter o corpo cheio de vermes. As autoridades sul-coreanas acreditam que o acesso deficitário a métodos de higiene e sanidade agropecuárias e da seneamento básico que existem na Coreia do Norte podem ser mais comuns do que se pensava [27]. E finalizando com um cenário nada agradável para o mundo no futuro próximo: pesquisadores acreditam que metade das pessoas no mundo terão miopia nos próximos anos. O uso exacerbado de dispositivos que desviam os olhos para o foco próximo serão os responsáveis por isso [28]. Além disso, o derretimento das geleiras poderão expor a humanidade a diversas novas doenças que estavam escondidas até então. O cenário preocupa visto que algumas regiões do mundo casos de cadáveres enterrados em regiões gélidas estão aflorando novamente, trazendo consigo doenças antigas [29].


#NASA #Juno #Cassini #TerraPlana #eclipse

Talvez uma das ciências mais antigas que temos registro, a astronomia também mereceu destaques importantes nos acontecimentos que fizeram o mundo da ciência em 2017. Nesse ano comemorou-se 60 anos do envio da cadela Laika para o espaço. O feito, embora marcado para sempre na história da ciência, nos recorda nos procedimentos éticos necessários sempre visando o bem-estar do animal, algo que foi ignorado na época [30].

A NASA, no fim do ano, ativou os motores da sonda Voyager, que viaja pelo espaço em direção às estrelas. Cerca de 20 bilhões de quilômetros de distância, a sonda respondeu bem aos comandos enviados pela equipe em Terra, que teve que reaprender códigos de programação que não são usados há décadas [31]. E, ainda sobre a NASA, uma adolescente britânica corrige a agência espacial americana sobre alguns dados relacionados à radiação. A agência americana agradeceu a adolescente pela incrível colaboração [32]. Já a empresa do magnata Elon Musk, a SpaceX assustou a população de Los Angeles ao lançar o Falcon 9 no final de dezembro, em um efeito bonito no céu. O foguete levou satélites de comunicação para o espaço [124]*.

E os astros que compõem o sistema solar não deixaram de dar o ar da graça: pesquisa aponta que a Lua pode ter água em seu interior, o que aumenta as possibilidades de criação de uma base permanente fora da Terra [33]. Mas, infelizmente, as chances de uma base em Marte acabaram de ficar menores com a descoberta de que aos rios e marcas de fluxo no planeta vermelho não seria causada por água ou outro líquido e sim pelo movimento da areia [34]. A sonda Juno faz incríveis fotografias de Júpiter, com detalhes e resoluções inéditas [35].

O mundo assiste o crescimento cada vez maior das ideias da Terra Plana. Apesar de estarmos em plena era da informação, a disseminação de falsas notícias e de falsos fatos faz com que cada vez mais pessoas se tornem adeptas e defensoras ferrenhas da ideia de que o planeta não é redondo, mas plano. As primeiras associações que surgiram no exterior já ganham adeptos no país [36, 37]. E nesse mesmo mundo maluco, o eclipse solar que aconteceu no fim de agosto chamou a atenção do mundo. Visível em praticamente de costa a costa da América do Norte, o eclipse rendeu excelentes imagens e transmissões ao vivo pela internet. Infelizmente apenas parte do Brasil teve as chances de ver um eclipse parcial do evento [38, 39, 40].

No resto do Universo, tivemos a chance de detectar ondas gravitacionais e luz ao mesmo tempo, reforçando as teorias de Eisntein sobre o espaço [41]. E foi registrado uma das melhores imagens de uma estrela já feitas até hoje - tirando, é claro, o sol. Apesar de não ser uma imagem incrivelmente nítida, detalhes sobre a atmosfera e da superfície de Betelgeuse permitirão os cientistas a compreenderem mais sobre a evolução das estrelas [42, 43].

Naturalmente, o assunto científico do ano foi, novamente, a astronomia. A sonda Cassini encerrou sua incrível missão caindo em direção a Saturno. Seus registros e coleta de dados preciosos foram enviados em tempo real à Terra. Na realidade, muitos dados ainda estão sendo analisados até então, mostrando a preciosidade da sonda em expandir nossos conhecimento acerca de nossa vizinhança planetária [44, 45, 46].


#clima #furacão #AquecimentoGlobal

O mundo ficou impressionado com o que aconteceu com o clima no planeta esse ano. Na Europa, a tempestade Ophelia passou causando transtornos e, incrivelmente, belas imagens, como do pomar em que todas as maçãs caíram no chão, formando uma linda imagem [47]. E o mundo viu três furacões ativos ao mesmo tempo no Oceano Atlântico: Irma, Jose e Katia. Irma foi um dos mais devastadores, matando centenas de pessoas na região do Caribe e causando inúmeros prejuízos por onde passou [48, 49].

Muitos pesquisadores acreditam que as temporadas de furacões que atingem o hemisfério norte do planeta serão cada vez mais longas, com mais furacões e mais fortes. Muitos apontam que o aquecimento global seja um dos principais responsáveis por isso. E pesquisadores acreditam que o fenômenos já está fora do controle da humanidade, que caminha em uma estrada sem volta para um futuro complicado para nossa própria sobrevivência [50]. Com isso, cidades costeiras ao redor do mundo sofrerão com o aumento nos níveis dos oceanos, como apontado por um estudo que aponta que cidades litorâneas importantes deverão ser esvaziadas nas próximas décadas [51].

Enquanto o mundo se preocupa em entender o clima, o Brasil esquece da importância de investir na ciência meteorológica. A falta de verba coloca a previsão do tempo de todo o país em risco, principalmente por não investimento na construção e manutenção de supercomputadores destinados à previsão [52]. Contudo, a maior preocupação do brasileiro foi manter ou não a continuidade do horário de verão. Apesar do apelo para a economia de eletricidade, muitos especialistas apontam que os transtornos causados pelos dias de adaptação ao novo horário não compensam os benefícios, que seriam quase insignificantes [53, 54].

E o comércio está fazendo empresas extraírem água de geleiras, fazendo uma garrafa de água custar mais de R$ 300 reais [55]. E o uso cada vez maior de areia para a construção civil está, acredite, fazendo acabar o material pelo mundo. É cada vez mais difícil e mais caro a extração de um componente que, a primeira vista, está disponível em todos os lugares [56].

E as principais notícias sobre nosso planeta nesse ano se encerra com a detecção de uma nuvem radioativa pelo continente europeu em setembro e outubro. Após um período de mistério sobre a origem, a Rússia informou que a origem veio de seu país. O material detectado foi rutênio-106 que, de acordo com especialistas, os níveis detectados não são prejudiciais a humanos ou meio ambiente [57, 58, 59].


#quilograma #tese #Hawking

A física, uma das áreas mais importantes da ciência, recebe pouca atenção da imprensa. Talvez uma de seus parentes mais famosos, a astronomia, acaba recebendo a maior parte da atenção. Mas tivemos alguns destaques nessa área do saber. O Sistema Internacional de Unidades muda a referência padrão para o quilograma. A tendência é utilizar parâmetros universais para a medida das coisas, como já fizemos com o tempo (segundo) e distância (metro). A medida começará a valer apenas em 2019 [60].

A famosa força de Van der Waals, que explica a ligação e coesão entre as moléculas receber uma reviravolta. Até então, acreditava-se que essa força fosse apenas atrativa, mas um novo estudo mostrou que, em determinadas condições, a força de Van der Waals pode repelir. Provavelmente um conhecimento que mudará os livros-texto de física no futuro [61].

E a comunidade científica foi agraciada com a publicação da tese de doutorado do astrofísico Stephen Hawking. A Universidade de Cambridge publicou o conteúdo online e o número de acessos foi tão grande que o servidor não aguentou receber tantas requisições, ficando fora do ar por um tempo. Hawking trabalhou sobre a emissão de uma tênue radiação de buracos negros [62].


#dinossauro #humano #legislação #doença

A biologia fez presença forte nesse ano. Coloquei aqui as principais notícias que tem alguma relação com a biologia. O ano foi marcado pela presença da febre amarela no Brasil, em especial com a morte de macacos em diversas cidades pelo país. Considerados vítimas da doença assim como nós, muitas pessoas começaram a atacar os macacos com medo da doença, matando os animais de forma totalmente desnecessária. Campanhas de órgãos de meio ambiente começaram a circular com o intuito de educar a população de que os macacos não são transmissores da doença e que eles sofrem da mesma forma que nós quando doentes [63, 64]. Nesse ano, um estudo epidemiológico mostrou como foi o padrão de dispersão do vírus zika pela América do Sul. O trabalho aponta que o Brasil foi a fonte da doença para os demais países vizinhos [65]. E casos de malária de macacos foi confirmada em humanos no Rio de Janeiro. Já havia suspeitas de que a a malária símia poderia infectar humanos, mas não havia certeza nisso, ao menos até então [66].

Santa Catarina registra quase sete mil casos de ataques de águas-vivas em apenas um fim de semana [67]. E o Jornal da USP resolve dar ouvidos à pseudociência, ao publicar material sobre homeopatia. A medicina alternativa da homeopatia não tem embasamento científico e muitas pessoas criticam que os pacientes acabam utilizando apenas a homeopatia no tratamento de enfermidades e a atitude pode ser fatal [68].

A Nutella se envolveu numa polêmica envolvendo um dos produtos de sua composição: o óleo de palma. Muito desse óleo vem de reservas naturais e sua extração é ilegal. Além do aspecto jurídico, a extração desenfreada causa distúrbios ecológicos na região onde a palma existe [69]. E falando em problemas ambientais, um estudo mostrou que a maioria do mel vendido no mundo possui pesticidas na sua composição. O pesticida fica muito tempo nas plantas que acabam servindo de alimento para as abelhas, que a usam para a fabricação do mel. O estudo mostra que devemos nos preocupar com outras fontes de contaminação por pesticidas além das já conhecidas [70]. E um dos maiores produtores de cacau do mundo criou um chocolate naturalmente rosa [71]. Finalizando o parágrafo, destacamos que a icônica sequoia que existia nos Estados Unidos (sim, aquela que você já deve ter visto foto com um carro passando por baixo) caiu [71].

No Brasil, o presidente Temer revoga o decreto sobre o Renca, uma reserva localizada no norte do país. Apesar da polêmica com a possível liberação da área para uso extrativista, o governo promete repensar sobre o uso da área [72]. E o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o amianto em São Paulo. A decisão considera inconstitucional a extração e comercialização do amianto. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores do minério para o mundo. Contudo, é conhecido que o amianto é cancerígeno e causa diversas problemas de saúde, sobretudo respiratórios [73]. E, ainda em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin veta lei que proibia o uso de animais para o ensino no Estado. A lei impactaria fortemente sobre os cursos de ciências da vida, principalmente aqueles em que trabalham com a área veterinária [74]. E, fechando sobre as notícias nacionais, Noruega critica as ações ambientais tomadas pelo Brasil nos últimos anos e corta ajuda financeira [75].

Finalizamos as principais descobertas de 2017 na área da biologia dando uma olhada para o passado. Foi nesse ano que descobrimos que nossa espécie pode ser pelo menos 100 mil anos mais antiga que do que acreditávamos até então. Fósseis descobertos no Marrocos mostram que nossa espécie já caminhava pelo mundo há pelo menos 300 mil anos [76]. Somamos também a descoberta de que as mulheres pré-históricas provavelmente tinham mais força muscular que as mulheres modernas, mesmo as atletas de alto rendimento. Provavelmente o grande esforço braçal que elas tinham no passado pode ser responsável por isso [77]. Um pássaro de 100 milhões de anos foi encontrado super conservado em seiva de árvore. O espécime permite estudar a evolução de estruturas corporais e das penas e compreender mais sobre a evolução desse grupo de animais [78]. E falando em evolução, pesquisadores causaram um pequeno auê ao sugerirem uma nova classificação para os dinossauros, reorganizando a árvore filogenética desse complexo grupo. Apesar de ser uma sugestão, a publicação ganhou diversos adeptos entre os acadêmicos [79]. Já a China está virando lugar-comum para encontrar belíssimos fósseis de dinossauros. Dessa vez um dinossauro emplumado com cristas foi encontrado, batizado como Corythoraptor jacobsi [80]. E fechamos com o mundo sendo apresentado pelo fóssil de nodossauro mais bem preservado do mundo. Encontrado por paleontólogos em Alberta, Canadá, ele levou seis anos para uma completa resuaturação e hoje está em exposição no museu da cidade [81].


#privacidade #InteligênciaArtificial #segurança

O ano de 2017 teve muita notícia sobre computação. Teve tantas notícias que o tema 'computação' é estreante em nossa retrospectiva aqui do blog. Iniciamos com a invasão de privacidade que a tecnologia está causando em nossas vidas. É inegável que cada vez mais a tecnologia entre em nossas casas e nossas vidas e a privacidade ainda é um assunto delicado quando tratamos com tecnologia e coisas conectadas à internet. Um brinquedo erótico que se conecta à internet via celular está sendo acusado de gravar áudio dos usuários sem consentimento. O vibrador, que pode ser controlado à distância, estaria captando áudio durante o seu uso, que não foi autorizado pelo usuário [82]. Outro brinquedo, mas dessa vez um infantil também estaria vazando dados das crianças que brincam com eles. O brinquedo se conecta à internet e consegue responder à voz da criança. Dados como nome da criança estariam em um servidor sem criptografia, o que é alvo fácil para criminoso [83]. E o robô-aspirador estaria criando mapas do interior das casas dos usuários e a empresa estaria vendendo esses mapas para parceiros. Apesar da empresa negar esse tipo de ação, é sabido que o robô-aspirador cria um mapa do cômodo para saber onde ele pode realizar os procedimentos de limpeza [84].

A União Europeia (UE) ocultou um estudo que mostrava que a pirataria não prejudica a venda de música, filmes e games na Europa. Na realidade alguns setores tiveram até um leve aumento nas vendas. Muito provavelmente as pessoas pretendem adquirir o conteúdo legal e baixam antes pela internet para ver se vale a pena. Mas como o estudo ia contra o discurso das empresas e do governo, ele ficou escondido até esse ano, quando foi revelado pela internet [85]. Falando em internet, os Estados Unidos deram um gigantesco salto para trás. Deu início por lá a tentativa de acabar com a neutralidade de rede. A neutralidade impede que os provedores de acesso regulem o tipo de conteúdo que chega até o cliente (semelhante ao que acontece com os canais pagos). Apesar da tentativa de se querer por algo do tipo no Brasil, entidades asseguram que as leis brasileiras são bem mais claras que a americana quanto a isso [86].

O que chamou a atenção esse ano foram as falhas de segurança que afetam praticamente todo mundo que tem algum dispositivo conectado à internet. Tivemos falhas importantes na rede Wi-fi com a vulnerabilidade chamada Krack. Computadores, televisores, roteadores, celulares, tablets, tudo que se conecta à internet via wi-fi está em risco. Infelizmente o usuário não pode fazer muita coisa já que depende da liberação de patch de atualização de segurança por parte dos fabricantes dos dispositivos, o que pode demorar muito ou até mesmo nem acontecer [87]. Outra falha importante atingiu a conexão via bluetooth, que também afeta quase todos os aparelhos que usam essa tecnologia. Chamada de Blueborne, o usuário pode ser alvo de cybercriminosos mesmo se a antena bluetooth estiver desligada, o que deixa o usuário praticamente sem ter o que fazer [88]. E o principal ataque cibernético do ano foi, sem dúvida, o WannaCry, que derrubou sistemas rodando Windows de praticamente todos os lugares do mundo. O hacker responsável travava o computador e pedia um resgate dos arquivos após pagamento em bitcoins. O ataque afetou sistemas de aeroportos, hospitais e judiciários em diversos países, incluindo o Brasil [89].

Mas o ano também foi da inteligência artificial, a famosa IA. O Google apresentou esse ano avanços em reconhecimento facial a partir de imagens em baixíssima resolução, graças ao uso de IA [90]. O IA do Google também aprendeu a imaginar, ao criar imagens a partir daquilo que ela havia aprendido ao longo dos testes [91]. E um grupo conseguiu que uma IA criasse poesia baseado na análise de milhares de poesias e textos [92]. E um estudo polêmico mostrou que a IA pode detectar com alto grau de precisão se uma pessoa é hetero ou homossexual apenas analisando imagens do rosto. A preocupação se faz presente visto que muitos lugares a homossexualidade ainda é considerada algo errado e até mesmo um crime e as pessoas poderiam ser presas pelo simples fato de andarem na rua [93]. Como como essas fez Elon Musk, dono do Tesla Motors e da SpaceX - talvez você conheça como o Tony Stark da vida real - pedir a criação de uma regulamentação da IA, sobretudo para impedir a construção de armas inteligentes [94]. E uma grande preocupação ética começa a surgir: o uso de robôs inteligentes como amantes sexuais. Embora hoje possa parecer algo estranho e até mesmo engraçado, no futuro será comum pessoas terem relacionamentos sexuais com robôs. A dúvida que paira é: um robô inteligente poderá ter livre-arbítrio para recusar o sexo? E se for forçado, podemos considerar como estupro? São questões que vão além da jurídica e mexem diretamente com o nosso psicológico [95].


#SciHub #ética #cortes #investimento #publicação

O fazer ciência engloba tudo relacionado à ciência e ao cientista. Esse ano o Brasil viu cortes maciços em investimentos para a ciência. Para se ter uma ideia, a ciência recebeu apenas 20% do necessário para funcionar esse ano [96]. Isso é tão sério que esses cortes ameaçam seriamente a participação do Brasil em equipamentos estrangeiros, como o uso de telescópios importantes para pesquisas em astronomia [97]. Além disso, equipamentos e construções importantes para a nossa ciência também correm sério risco, como a construção do acelerador de partículas em Campinas, considerada a maior obra científica do país [98]. Até mesmo programas importantes como o Ciências sem Fronteiras (CsF) foram encerrados pelo governo [99]. Os cortes cada vez maiores tanto em bolsas como em recursos para a manutenção de equipamentos e compra de materiais de uso contínuo fez a comunidade científica se preocupar e ficar apreensiva sobre o futuro de nossa ciência, que corre o risco de ficar anos atrasada em relação ao resto do mundo [100]. O assunto é tão sério que diversos laureados ao Prêmio Nobel, o mais importante prêmio da área acadêmica, enviaram uma carta ao presidente Michel Temer pedindo que reconsidere a política de cortes em investimento na ciência [101]. Contudo, parece que a carta, que não foi respondida, não surtiu efeito algum, já que mais cortes são previstos para a ciência nacional no ano que vem [102].

A indignação da comunidade científica brasileira é tão grande que Marchas pela Ciência ocorreram no país ao longo do ano, movimentando centenas de pessoas em prol de mais investimentos [103, 104, 105]. Alguns pesquisadores até mesmo cogitam em criar um pardito político que tenha a ciência como bandeira. Apesar da boa ideia, ela não foi bem recebida por todos [106].

Como se não bastasse todos esses problemas financeiros, os pesquisadores tem que conviver com uma grande carga de estresse que pode levar a atitudes realmente tristes. Esse ano foi relatado o suicídio de um aluno de doutorado da USP. O episódio levanta a questão da saúde do pós-graduando e como os programas de pós-graduação podem ajudar os alunos que passam por dificuldades [107]. A pressão por resultados pode levar os pesquisadores a cometerem atos fraudulentos e também levar a fins trágicos, como o geneticista que se matou após sofrer pressão por parte de colegas [108].

Abaixo, a relação dos laureados ao Prêmio Nobel 2017. O Prêmio de Economia não está na lista pois ela não é um Nobel em si, mas em homenagem a Alfred Nobel, criador do prêmio.


No Brasil, uma doutoranda venceu o concurso 'Dance Your PhD' da Science. Nesse concurso o pesquisador precisa exercer seus dotes artísticos e contar, por meio de teatro, dança, etc, o que está desenvolvendo em seu projeto [109]. Mas, infelizmente, não são apenas notícias boas que temos aqui: uma estudante descobriu um esquema de desvio de bolsas dentro de universidades no Paraná. O dinheiro caía na conta de professores e servidores da faculdade [110]. E a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está processando um pesquisador por mau uso de dinheio público e pede a devolução do valor integral da bolsa concedida [111].

Já na Polônia, um pesquisador teve que explicar a origem de um fóssil brasileiro que virou publicação científica. O pesquisador disse que devolverá o fóssil ao país, já que não se sabe a origem legal do artefato do estudo, que pode ter sido levado para fora do país de forma ilegal [112]. E a China investiga mais de 500 pesquisadores envolvidos com algum tipo de fraude acadêmica, desde a inserção de nomes em publicações sem que a pessoa tivesse participado ativamente na pesquisa até a manipulação e plágio de dados [113].

E muitas pessoas passaram a conhecer um site que é o queridinho de muitos pesquisadores no Brasil: o SciHub. Criado por Alexandra Elbakyan, o SciHub é um indexador de publicaçõs científicas que os disponibiliza de forma gratuita. Até então, a maioria das publicações estão atrás de uma paywall e exige pagamento de valores altos para ter acesso a um artigo científico (valores variam muito de uma revista para outra, mas não é incomum encontrar artigos saindo por US$ 30 dólares ou mais). Esse ano o site foi processado por grandes editoras científicas, como a Elsevier. Além de fechar o site, o processo pede um pagamento de multa que passa vários milhões de dólares. O site sobrevive pulando de domínio em domínio [114, 115, 116].


#CarneFraca #BaleiaAzul

O ano de 2017 teve tanto acontecimento que mereceu um tema a parte, com destaques que estão fracamente ligados à ciência e tecnologia, mas que impactaram nossas conversas e nossas vidas.

Começamos pelo impacto que a operação Carne Fraca da Polícia Federal causou entre os brasileiros e até mesmo no mercado internacional, já que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de proteína animal. Indícios de fraude na fiscalização fizeram o brasileiro questionar a qualidade da carne nacional [117, 118]. Junto com essa operação, saiu a Carne Fria, que autuou empresas de carne envolvidas com o desmatamento na Amazônia [119].

Deputados brasileiros aprovam a criação de um documento de identidade nacional, unificando os principais números de identidade que temos em um documento semelhante a um cartão de crédito [120].

E as redes sociais disseminaram o desafio da Baleia Azul, que incentivava o suicídio de seus participantes. Apesar de não se saber realmente a relação entre o suposto desafio e os casos de suicídio entre os jovens, o evento chamou a atenção de especialistas para os cuidados com uso de redes sociais [121, 122, 123].

* * *

E assim encerramos mais um ano de publicações aqui no blog. Infelizmente não publiquei o tanto que gostaria de publicar já que a vida acadêmica cobra o seu tempo da gente. Mas felizmente muito conteúdo bacana está sendo publicado na página do blog no Facebook, no Twitter e no Instagram. Curta e siga-nos nessas redes sociais para estar por dentro das novidades!

A todos os que acompanham o blog, desejo boas festas à todos e que em 2018 a ciência nacional consiga se recuperar e que a ciência mundial continue nos surpreendendo com novas descobertas pois, "façamos ciência; assim podemos melhorar nossas vidas" (Carl Sagan).

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*: a ciência não para. Após o levantamento das notícias e a construção dessa publicação, mais eventos importantes aconteceram e não podiam ficar de fora de nossa retrospectiva e, portanto, foram adicionados depois.

Todas os links levam as notícias dos destaques apresentados nessa retrospectiva científica 2017. As imagens são montagens a partir das originais disponíveis nos links das matérias.

A natureza do som, do Symphony of Science

Para a maioria de nós que ouvimos normalmente (ou tão próximo do normal), acabamos ignorando e ficando totalmente indiferentes aos sons que nos cerca - desde o arrastar da cadeira em que estamos sentados, do ar passando pelos septos nasais quando respiramos profundamente, dos carros passando na rua e dos pássaros assoviando alegremente. Apesar disso, provavelmente, você pode ter parado brevemente a leitura desse texto para prestar atenção aos sons ao seu redor. Não ache que estou bancando o sabichão: somos assim mesmo. Também sou assim.

O som tem teve suas propriedades estudadas ainda na Idade Média quando o padre francês Marin Mersenne publicou o primeiro trabalho sobre algumas propriedades do som na música, em 1636. Por conta disso, Mersenne é considerado o pai da acústica. De lá para cá muita coisa avançou e hoje o som não é mais um desconhecido por nós. Hoje nós o manipulamos de tal forma que podemos obter imagens a partir do som[1].

O Symphony of Science, um projeto muit legal que já falei diversas vezes aqui no blog, resolveu contar um pouquinho sobre a natureza do som em seu mais novo vídeo, que sai do forno depois de dois anos do último vídeo sobre o universo.


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[1]: o ultrassom é um exemplo de como o entendimento da física do som permite criar coisas que, a princípio, parecem excludentes. O ultrassom são sons em uma frequência maior que 20 mil Hertz (Hz), que é o limite que o ouvido humano consegue captar. Hoje, o ultrassom é muito utilizado em equipamentos para geração de imagens internas do corpo, como em lesões e em gravidez.

Cinco coisas que talvez você não saiba sobre lavar as mãos

No Brasil, muitas pessoas conhecem a música ‘Lavar as Mãos’ que era exibido no ‘Castelo Ra Tim Bum’ da TV Cultura. Mas podemos aprender mais sobre um ato tão simples que pode fazer a diferença.

Escrito por CDC[1]
Traduzido por Wesley Santos para o Do Nano ao Macro


Manter suas mãos limpas é uma das mais importantes coisas que você pode fazer para evitar ficar doente e passar micro-organismos para as pessoas ao seu redor. Muitas doenças e condições são dispersadas entre as pessoas justamente por elas não lavarem as mãos de forma correta. Veja as cinco coisas importantes que talvez você não saiba sobre lavar as mãos e porque elas são importantes.

1. O sabonete é a chave: lavar as mãos com sabonete remove os micro-organismos de forma mais efetiva que usando apenas água. Os componentes, chamado surfactantes, existentes no sabonete ajudam a remover a sujeira e os micróbios de sua pele. Você também tende a esfregar suas mãos de forma mais eficaz quando está usando o sabonete, que também ajuda a remover os micro-organismos.

2. Leve mais tempo do que você acha: a quantidade ideal de tempo para lavar as mãos depende de muitos fatores, incluindo o tipo e quantidade de sujeira em suas mãos[2]. Evidências mostram que lavar as mãos [com sabonete] por 15 a 30 segundos remove mais micro-organismos que lavar as mãos por períodos menores. O CDC recomenda lavar as suas mãos por cerca de 20 segundos, o que equivale o tempo de você cantar o famoso ‘parabéns para você’ duas vezes do começo ao fim.

3. Tudo depende da técnica: tenha certeza de limpar áreas das mãos em que a maioria das pessoas esquecem com mais frequência. Tome atenção especial para o dorso de suas mãos, entre os dedos e debaixo das unhas. Ensaboe e esfregue suas mãos criando fricção, que ajuda a remover a sujeira, óleo e micróbios de sua pele.

4. Não esqueça de secá-las: micro-organismos podem ser transferidos mais facilmente para as mãos se estiverem molhadas, portanto seque-as bem depois de lavá-las. Estudos mostraram que usar uma toalha limpa ou deixar suas mãos secarem no ar seco são os melhores métodos de secar suas mãos[3].

5. Higienizador de mãos é uma opção: se você não pode ou não consegue lavar suas mãos com água e sabonete, use um higienizador de mãos à base de álcool, que contenha pelo menos 60% de álcool. Tenha certeza de usar quantidade suficiente para cobrir toda a superfície de suas mãos. E não enxague ou limpe as mãos antes do higienizador secar.

Nota importante: o higienizador de mãos não matará todos os micro-organismos, especialmente se suas mãos estiverem visivelmente sujas ou com óleo, portanto é importante você lavar as mãos com sabonete e água tão quanto possível depois de usar esses produtos.

E por quê lavar as mãos é tão importante?
Lembre-se sempre, lavar as mãos salva vidas. Doenças diarreicas e pneumonia são as duas principais doenças que matam crianças ao redor do mundo, matando 1,8 milhão de crianças abaixo dos cinco anos todos os anos. Entre as crianças, a lavagem de mãos com sabonete previne uma de cada três doenças diarreicas e uma de cada cinco infecções respiratórias como a pneumonia em todo o mundo.

Dia 15 de Outubro é o Dia Global de Lavagem das Mãos
Lavar as mãos é para todo mundo, em qualquer lugar. O Dia Global de Lavagem de Mãos é uma oportunidade de instruir as pessoas sobre a cultura de lavar as mãos com água e sabonete, de fazer uma estrela brilhar em cada lugar do mundo sobre esse ato simples e mostrar os benefícios de lavar as mãos com sabonete. Apesar de muitas pessoas ao redor do mundo lavarem suas mãos com água, muito poucas usam o sabonete para essa tarefa já que sabonete e água para lavar as mãos podem ser pouco acessíveis em países em desenvolvimento.

Participe! 👍

Compartilhe e espalhe os benefícios de lavar as mãos usando #GlobalHandwashingDay no Twitter e Facebook. Façamos a diferença: um ato simples que pode salvar vidas!

Veja a publicação original no site da CDC aqui. No final da publicação, o CDC reservou 13 artigos científicos sobre a importância de lavar as mãos e que sustentam as informações que foram passadas acima. Vale a pena conhecer mais!

E, naturalmente, não ia deixar de colocar a música que fez a infância de muitos brasileiros nos anos 1990.


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[1]: O Centers for Disease Control and Prevention (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos é uma referência no trabalho de saúde em todo o mundo.

[2]: basta pensar suas mãos sujas com tinta guache ou apenas depois de passar as mãos sobre o teclado do computador [NT].

[3]: evite usar aqueles secadores de ar quente que é comum em banheiros de shopping, por exemplo. Já foi demostrado que esses aparelhos acabam acumulando grande carga de micro-organismos que existem nesses banheiros e podem ser jogados em suas mãos a medida que o ar quente passa por elas [NT].

Imagem por justinblackphotos em seu deviantART.

Câmera e asas de passarinho


Câmeras e dispositivos de gravação de imagens são tão comuns que carregamos em nossos bolsos, temos guardados em casa e somos quase indiferentes a elas ao encontrarmos algumas nas ruas e estabelecimentos comerciais - nesse caso, sempre acompanhadas de um: sorria, você está sendo filmado.

Apesar de toda a evolução das câmeras, saindo das modestas câmeras que registravam as imagens em filmes de péssima qualidade até as modernas câmeras Full HD, até mesmo 4K ou 8K[1], todas elas trabalham com o conceito de cadência.

A cadência é o registro de um conjunto de imagens em um determinado período de tempo. Talvez você conheça como "quadros por segundo", ou por 'fps' (frames per second, em inglês)[2]. Toda e qualquer produção ou reprodução de imagens trabalha com essa ideia. A maioria das câmeras tradicionais capturam cerca de 24 a 28 quadros por segundo. Ou seja, a cada segundo que se passa, a câmera registra 24 a 28 quadros daquilo que se está gravando. Existem câmeras que gravam 60fps, ou seja, 60 quadros por segundo, como nesse vídeo apresentando as belezas do Peru.

É necessário colocar em alguma resolução HD para ver o vídeo em 60fps

Bom, apesar dos vídeos nada mais serem que muitos quadros serem reproduzidos um seguido do outro, nos dando a ilusão de movimento, algo curioso pode ser percebido quando ocorre uma espécie de sincronização entre os ciclos de gravação (o número de quadros gravados por segundo) e o bater das asas de um pássaro.


O vídeo traz a sensação de que o pássaro está levitando na frente da câmera quando, na verdade, o momento em que a câmera registra as imagens do pássaro coincide com a posição em que a asa do pássaro está no momento da captura, dando a sensação de que ele não está movendo a asa.

Infelizmente não descobri onde esse pequeno vídeo foi registrado. Mas vale a curiosidade em saber mais sobre o registro de imagens e sobre o pássaro estar levitando na frente da câmera...

🐦📹😱

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[1]: embora protótipos de diversos tipos de resolução sejam constantemente desenvolvidas e testadas, resoluções maiores que 4K acabam não fazendo tanto sentido. Uma coisa a ser observada é a resolução do próprio olho humano, em reconhecer pontos indistinguíveis. Resoluções maiores que 4K querem dizer que existem mais pontos em uma determinada área da tela que o olho humano simplesmente não vai conseguir definir. Ou seja, você aumentando a resolução não significa que a imagem vai ficar definida, já que seu olho não vai conseguir distinguir a diferença. Apesar disso, os fabricantes podem colocar outros incrementos na fabricação de câmeras e televisões modernas, como alta taxa de frames ou reprodução HDR.

[2]: gamers que jogam pelo computador são particularmente preocupados com isso. Para que o jogo tenha fluidez na tela (não fique travando) e alta responsividade é preciso ter, além de um bom computador, uma ótima placa de vídeo para renderizar os gráficos do jogo de forma mais realista possível (como o reflexo da água, gotas de chuva, grama ou cabelos).

Imagem que abre a postagem visto em Outside My Window.

Cientistas deveriam falar diretamente com o público

Nosso trabalho ajuda a responder alguns dos maiores desafios da sociedade, mas frequentemente é divulgado em linguagem técnica em revistas científicas que a maioria das pessoas nunca verão.

Por Esther Ngumbi para a Scientific American.
Traduzido por Wesley Santos para o Do Nano ao Macro.

A imagem de fundo veio de um trabalho que conseguiu armazenar e reproduzir com sucesso esse pequeno vídeo no DNA de uma bactéria usando uma técnica que insere trechos de DNA no organismo, chamada de CRISPR. A técnica, apesar de estar dando seus primeiros passos, apresenta ser promissora em áreas que vão além da biologia. Feito por pesquisadores de Harvard, o trabalho foi publicado no começo de julho de 2017 na prestigiosa revista Nature.

A ciência e a pesquisa científica são importantes já que fornecem respostas para as facetas mais desafiadoras da sociedade, incluindo mudanças climáticas, saúde pública e segurança alimentar.

Ainda assim, essas respostas são publicadas apenas em revistas com revisão de pares[1]. Cerca de 2,5 milhões de novos artigos científicos são publicados todos os anos. Somado a isso, as bibliotecas estão cheias de pesquisas originais em formas de teses e dissertações. O frustrante é que muitas dessas descobertas são significantes apenas para a comunidade científica, já que ninguém mais lê esses documentos.

Eu posso relacionar. Eu sou uma cientista e escrevi uma tese, uma dissertação e muitos manuscritos em tópicos relacionados à tolerância a seca mediada por bactérias e a ecologia química na interação inseto-planta. De forma geral, minha pesquisa tem uma grande aplicação para a segurança alimentar e problemas ambientais. Infelizmente, a maioria dos meus achados acabaram sendo um dos muitos que pararam em artigos revisados por pares que nunca foram compartilhados com o público.

O mais frustrante é o fato de que passei dias e noites sem dormir e incontáveis horas lendo a literatura científica para formar ideias para meus questionamentos, rascunhando os objetivos da pesquisa e do desenho experimental, fazendo os experimentos e, então, escrevendo o manuscrito. Então, ele passará pelo cruel processo de revisão por pares. É uma prova de drenagem mental que os cientistas passam dia a dia.

Diante de todo esse trabalho, acaba sendo vergonhoso que os cientistas e a comunidade científica ainda não tenham encontrado maneiras de transmitir os seus conhecimentos para o público. Sem sombra de dúvidas, uma razão pela qual não é priorizada é que a cultura acadêmica do “publicar ou perecer”[2] valoriza apenas as publicações e recompensa os cientistas que publicam frequentemente sem necessariamente valorizar se alguma dessas publicações são amplamente divulgadas ao público ou se tem algum impacto.

Então quais são os pequenos passos que os cientistas e a comunidade científica podem tomar para mudar essa cultura e começar a compartilhar as nossas descobertas científicas para o público?

Primeiro e acima de tudo as universidades, institutos de pesquisa, agencias de financiamento como a Capes, Fapesp e outras Fapes[3], juntamente com outras organizações profissionais, devem apoiar e incentivar os pesquisadores a compartilhar a pesquisa que estão fazendo uma vez publicada para o público em geral. Eu acredito que, para cada manuscrito aceito em uma revista científica, as universidades deveriam solicitar aos pesquisadores do trabalho uma forma de disseminar esses achados para o público[4]. Essas vias de disseminação podem ser singelas colunas de opinião, colunas nos jornais locais ou entrevistas com as redes de rádio e televisão públicas.

A boa notícia é que isso já está em vigor[5], e a importância de comunicar a ciência ao público em geral ganhou um interesse renovado:

A American Association for the Advancement of Science (AAAS) através do Center for Public Engagement with Science & Technology – ambos nos Estados Unidos – fornece aos cientistas e comunidade científica o suporte e recursos necessários para comunicar efetivamente a sua ciência para o público. O Entomological Society of America oferece o Science Policy Fellows Program que treina cientistas e os oferece as habilidades para comunicar sobre pesquisas de entomologia – pesquisas relacionados a insetos – para o público e para os políticos eleitos. O NSF oferece um guia para comuncação e pede que os cientistas busquem fundos para explicar como os resultados poderiam ser compartilhados amplamente para melhorar o conhecimento científico e tecnológico.

Segundo, os jornais que publicam os achados científicos também deve encontrar meios inovadores para compartilhar esses achados para o público. Atualmente muitas revistas científicas pedem aos pesquisadores que submetam um “resumo ilustrado”[6] junto com o seu manuscrito. Esse resumo da pesquisa em uma página apresenta uma imagem que captura a essência do trabalho e serve para capturar a atenção do leitor. Talvez as revistas científicas deveriam tomar outro passo, pedindo aos pesquisadores que submetessem um outro resumo ilustrado para ser entendido pelo público.

Terceiro, nós podemos ajudar com vias novas e inovadoras de comunicar ciência ao público. Por exemplo, Sara Elshafie, bióloga integrativa da Universidade da Califórnia, adaptou as estratégias de storytelling da indústria cinematográfica para comunicar ciência[7]. Durante o ano passado ela realizou diversas palestras para estudantes, ensinando-os a como contar histórias sobre suas pesquisas que as façam serem compreendidas pelo público. Há também organizações de notícias que focam em resumir os achados científicos a partir de revistas com revisão de pares para o público em formato que chamam a atenção. O site phys.org, por exemplo, apresenta várias áreas da ciência nesse estilo, incluindo nanotecnologia, biologia, química e botânica.

Quanto a mim mesma, trabalho duro para compartilhar minha pesquisa com o público desde que o treinamento do Write to Change the World oferecido pelo OpEd Project através do programa The Aspen Institute New Voices Fellowship. Desde que aprendi a arte da escrita sobre minha pesquisa e outros assuntos a cerca de dois anos e meio, escrevi mais de 40 pequenas colunas para meios de comunicação como a revista Time, a Scientific American e Los Angeles Times. Eu só queria ter treinado essa habilidade no início de minha carreira.

Então como os novatos devem começar?

Comecem pelos recursos já existentes. A AAAS, por exemplo, tem um site que oferece ferramentas e recursos para iniciantes. Há também artigos online com dicas para os novatos. O OpEd Project oferece um curso de um dia em diversas cidades americanas sobre o assunto e tem parceria em várias universidades. Além disso, universidades e instituições de pesquisa americanas possuem profissionais treinados em comunicação científica e especialistas em m´dia que podem ajudar os pesquisados a compartilhar com o público alguns de suas descobertas científicas de ponta publicados.

A ciência continuará a contribuir com respostas para os desafios persistentes da atualidade. Mais do que nunca nós, cientistas, precisamos compartilhar abertamente sobre a importância da ciência para o público e garantir que nossas descobertas ajudarão a melhorar nessa economia, saúde, segurança alimentar e meio ambiente.

Veja o texto original aqui.

* * *

O texto da Dra. Esther Ngumbi, pesquisadora do Departmento de Entomologia e Patologia de Plantas da Auburn University no Alabama mostra algumas questões que estão surgindo no meio científico, sobretudo nos Estados Unidos, que estão enfrentando algumas políticas um tanto indigestas por parte do presidente Donald Trump, sobretudo na questão de energias renováveis e aquecimento global antropogênica.

Aqui no Brasil não existe praticamente nenhum incentivo para que os pesquisadores reservem uma parte de suas obrigações acadêmicas e burocráticas na ciência para a comunicação com o público. Isso acaba sendo, de certa forma, um tanto hipócrita. A grande parte da pesquisa nacional é financiada com dinheiro público – estadual ou federal – e não há nenhum retorno desse conhecimento para o financiador dessas pesquisas – o público.

Com os recentes cortes que a ciência nacional está sofrendo, a sensação que se passa é que ninguém no Brasil liga para a ciência. E, infelizmente, é exatamente isso que acontece: a maioria das pessoas acham que a ciência é um punhado de nomes complicados, fórmulas impossíveis e ciclos intermináveis de coisas que levam a lugar nenhum. Não surpreende acreditar que as pessoas acham dispensável investir em ciência se podem destinar o dinheiro para qualquer outra coisa. Afinal de contas: por que gastar tanto dinheiro com essas coisas que ninguém entende mesmo?

Existem iniciativas particulares e privadas de divulgação de conteúdo científico no Brasil. O Nerdologia, apresentado pelo biólogo Atila Iamarino e pelo historiador Filipe Figueiredo possuem ótimos conteúdos relacionados à História e Ciência. O Manual do Mundo, do Iberê, usa do conhecimento científico e de engenharia para construir e ensinar coisas diversas. Foco no conteúdo dos amigos blogueiros Aline Ghilardi e Tito Aureliano, do Colecionadores de Ossos que contam as boas novas da paleontologia e o Canal do Pirula, que apresenta um coquetel de assuntos. Apesar de bons e recomendar muito, ainda focam em reapresentar um conteúdo que era para ter sido assimilado em sala de aula de uma forma menos maçante[8].

O principal motivo da crítica da autora e que me motivou a traduzir o texto foi justamente a falta de participação dos cientistas e da comunidade científica e apresentar a novidade, aquilo que está sendo feito no laboratório ou onde quer que seja feita a ciência. Sei do que alguns amigos fazem na ciência quando eles compartilham os seus artigos no Facebook. Isso é bom[9], mas isso é uma linguagem a qual eu estou acostumado. Muitas pessoas ainda não entendem inglês – não estou dizendo que meu é impecável, deixemos claro – e a esmagadora maioria não vai entender nada do que está escrito se estiver recheado com o típico jargão científico, recheado de palavras difíceis e bonitas. 

Precisamos fazer ciência? Claro que sim. Precisamos escrever artigos relatando as descobertas? Claro que sim. Precisamos escrever complicado pois nossos pares entenderão o que escrevemos. Claro que sim. Mas precisamos também escrever para o público que precisa entender com o que trabalhamos, como trabalhamos e por que trabalhamos. Só assim, talvez, a visão da população sobre a ciência mude e, com ela, a de nossos governantes.

Fazer ciência não é um luxo, é uma constante necessidade. 

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[1]: são as famosas revistas peer-reviewed, o qual os trabalhos submetidos são analisados por dois ou três revisores, afim de avaliar a qualidade do trabalho. As revistas mais reconhecidas e com alto fator de impacto trabalham dessa forma [NT].

[2]: o ‘publish or perish’ é um assunto bem discutido no exterior, com direito a publicação sobre o assunto, como esse.

[3]: o texto original aponta para órgãos de fomento americanos, o National Science Foundation (NSF) e a National Institutes of Health (NIH). Para regionalizar o assunto, substitui por conhecidos órgãos de fomento brasileiros, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e demais Fundações de Amparo à Pesquisas dos demais Estados brasileiros. Por morar no Estado de São Paulo, tenho mais conhecimento de causa da Fapesp, que mantém a Revista Fapesp (versão impressa e online, incluindo redes sociais), que compartilham pesquisas relevantes no país e internacional, a maioria fomentada pelo órgão estadual. Apesar disso, esses tipos de publicação ainda mantém um nicho muito restrito, voltado principalmente para docentes e discentes de pós-graduação [NT].

[4]: acredito que a maioria das universidades sérias ao redor do mundo possuem uma revista ou algum meio de divulgar os principais achados que ocorreram em suas universidades. No Brasil, em especial em São Paulo, a USP possui o ‘Jornal da USP’, Unesp possui a ‘Unesp Ciência’ e a Unicamp possui o ‘Jornal da Unicamp’. Entretanto, sua inserção em mostrar mais da pesquisa que ocorre em seus espaços ainda é tímido demais e, tirando o episódio da homeopatia que ocorreu no Jornal da USP, essas publicações mal atingem os próprios alunos dessas universidades [NT].

[5]: no Brasil esse movimento é tímido demais e nada obriga os pesquisadores a divulgar para o público os seus achados [NT]

[6]: o graphical abstract nada mais é que um resumo do trabalho de forma gráfica. Geralmente é uma montagem em que os autores explicam, sem palavras, o que fizeram ou o que descobriram. Acaba sendo uma ótima forma de simplificar o trabalho (o que pode ser uma dor de cabeça, dependendo do manuscrito) [NT].

[7]: o storytelling é um meio de apresentar o que deseja rodeado por uma história relevante (ou seja, que se encaixe com o produto). Muito usado pelo marketing, todos nós somos bombardeados por esse tipo de narrativa comercial. Pense nas propagandas do ‘O Boticário’ rem que associa as festas de fim de ano ou dos dia das mães com o seu produto. Eles vendem o produto sem precisar dizer para o cliente comprar [NT].

[8]: salvo exceções em que alguma coisa muito bombástica ocorre e esses canais vem em nosso auxílio para esclarecer sobre o assunto, o propósito da crítica não é desestimular, muito pelo contrário. Adoro o conteúdo apresentado e até eu mesmo quero fazer algo semelhante. O que falta realmente é o cientista, aquele que fica na bancada, aquele que fica no meio do mato por três semanas, aquele que fica no mercadão cheirando a peixe, aquele que fica no meio do maquinário de milhões de reais, aquele que faz ciência, a vir ao público e dizer o que esteve fazendo e qual o motivo daquilo.
Por favor amigos, continuem com seus canais de divulgação: somos muitos e ainda assim, somos poucos em divulgar ciência. Estou descobrindo que a divulgação científica é um caminho curioso que sai de diversos pontos, com o intuito de se encontrarem em um único final: o público.

[9]: é estranho e curioso pensar que tenho muitos colegas e amigos na pós-graduação que apenas descubro o que fazem quando publicam seus achados. De certa forma, parece que não sabemos nos comunicar nem entre nós mesmos.

A imagem que abre a postagem foi publicada por Harvard Medical School e divulgada pela Nature.