Sobre a Terra Plana

Carro Tesla no espaço mandado pela SpaceX (ambas as empresas são de Elon Musk).
Duvido que os investidores da SpaceX iriam dar dinheiro para o cara se ele não soubesse um pouco de física.

A ciência é feita andando um passo de cada vez. Coisas que achamos serem certas no passado foram destruídas, colocando-as apenas como um capítulo na história da humanidade. É sempre assim: a medida que nosso conhecimento avança e o nosso entendimento da realidade melhoras, as ideias e explicações antigas sobre como as coisas funcionavam e que não conseguem mais explicar esses novos conhecimentos vão ficando para trás. É natural e benéfico para todos nós.

Um ótimo exemplo é o modo como explicamos as doenças. Hoje sabemos que muitas doenças são causadas por micro-organismos que existem em todos os lugares. Bactérias, fungos e vírus que são invisíveis aos olhos humanos, mas que ganham as lentes dos microscópios. Hoje eles são comuns ao nosso conhecimento - tanto que vivemos falando sobre eles em nosso dia-a-dia, desde a preocupação com a vacinação para febre amarela até você ter comido alguma coisa estragada e ter dado uma diarreia infernal - e nem mais nos preocupamos em pensar em algo diferente para explicar a origem de muitas doenças. Nós nos embasamos na teoria microbiana, que explica como muitas doenças surgem e como esses micro-organismos agem em nossos corpos e no ambiente ao nosso redor.

Mas nem sempre foi assim. Até um tempo atrás os médicos e cientistas naturais acreditavam que não eram coisas microscópicas que causavam doenças: eram os cheiros ruins. Os médicos se baseavam na teoria miasmática, em que miasmas, odores e gases liberados pelas doenças ou pelos lugares pútridos eram os responsáveis pelas doenças. Isso era tão sério que provavelmente você já deve ter visto a imagem ao lado. O médico da peste era bem conhecido durante a Idade Média, justamente por tratar os enfermos acometidos pela Peste Negra. A máscara com bico não era a toa: para eles, como o cheiro ruim que causava a doença, e o bico armazenava um chumaço de ervas aromáticas, para perfumar o ar e, supostamente, evitar que o médico contraísse a doença por respirar o ar fétido.

Ainda bem que os trabalhos de grandes nomes no passado, em especial a John Snow[1] e Louis Pasteur, esse pensamento foi sendo modificado. As evidências de que existia uma vida microscópica que causava essas doenças - e não o cheiro ruim - ficaram cada vez maiores, e a teoria miasmática foi sendo colocada de lado.

Portanto, as ideias mudam de acordo com os novos conhecimentos que temos acerca do mundo onde vivemos. E isso vale inclusive para o próprio mundo. A ideia de que a Terra fosse plana não é nova. E nem surgiu na Idade Média. A humanidade, desde quando começou a ter mais tempo para pensar em coisas que iam além de caçar algo para comer - ou evitar ser a caça de alguém - pensou em coisas complexas, sobre a sua própria vida, a vida das coisas ao redor, o espaço onde vivia, e o que havia sobre suas cabeças. De certa forma, parece que as principais civilizações antigas acreditavam que a Terra deveria ser plana - como as civilizações da idade do Bronze na região do atual Mediterrâneo, os gregos antigos, indianos e chineses, além de civilizações ameríndias. Algumas cosmologias da Terra plana antiga desses povos eram bem complexas, explicando inclusive sobre os diversos fenômenos astronômicos existentes, como o movimento de planetas e eclipses.

Mas, ainda durante o período Antigo, a ideia de que a Terra fosse plana não era mais bem aceita. Com o avanço da matemática e do entendimento de certos fenômenos astronômicos, a ideia da Terra plana começou a sofrer abalos. Pitágoras, por exemplo, já acreditava que a Terra fosse esférica e não plana. E, ao contrário do que muitos acreditam, durante a Idade Média, a maioria das pessoas aceitavam que a Terra fosse redonda - o que se questionava na época era se a Terra era ou não o centro do Universo, como podemos recordar com o que aconteceu com Giordano Bruno e Galileu Galilei.

Gigantes da ciência fizeram história ao aceitar a "redondeza" da Terra: Kepler, Galileu, Newton, Einstein e todos os cientistas modernos que trabalham ao redor do mundo aceitam o fato de que a Terra é redonda. Tecnicamente, o mundo moderno funciona graças ao mundo ser redondo[2].

Contudo, o mundo está vendo - sobretudo de 2016 para cá - uma crescente defesa da ideia de que a Terra não é redonda. Para muitos, a Terra seria plana. Plana como uma pizza e não redonda como uma laranja. Naturalmente, para os conhecedores da ciência moderna, a concepção dessas ideias beiram o bizarro. Mas, aparentemente, não é isso que está acontecendo: as pessoas realmente creem nisso. A ponto de receber isso no Twitter do blog:


No Twitter, compartilhei uma matéria da BBC falando sobre a Terra Plana e sobre cada vez mais crentes nessa teoria surgirem. Graças as redes sociais, pessoas que acreditam na Terra plana podem debater ideias e construir explicações para os fenômenos naturais. Além de, é claro, tentar derrubar a Terra redonda.

A imagem que ele reclamou que está errada é essa (extraí da própria matéria):

Matéria original pode ser lida aqui.

Bom, vamos deixar o breve xingamento de lado - ser chamado de babaca hoje em dia na internet é quase um alívio, comparado com o que encontramos na seção de comentários internet afora - e vamos focar nas outras coisas. Ele disse que era preciso pesquisar direito para achar uma imagem que condiz com a teoria da Terra plana. Pois bem, pesquisei. E realmente a imagem da matéria está errada. A Terra, de acordo com os terraplanistas, é assim:

Modelo mais aceito para a Terra plana, em uma projeção azimutal equidistante.

O mundo para os terraplanistas não é aquele em que se defendia no passado, com os oceanos nos rodeando, as águas caindo pelas beiradas como um prato cheio. As bordas do mundo seriam, na realidade, feitas de gelo - a Antártica seria não um continente, mas uma imensa massa de gelo que circunda o mundo todo, fechando o planeta pelas beiradas, como uma pizza com borda recheada.

Entretanto, o mundo para o terraplanista também não é simples: existem inúmeros questionamentos atuais que os terraplanistas precisam explicar para que sua teoria se encaixe nas observações do mundo moderno. São coisas desde a gravidade, o conceito de dia e noite, eclipses, estações do ano e, naturalmente, conhecimentos atuais de astronomia e física.

Eu, naturalmente, comecei a escrever sobre como a ciência vê o universo atual e como os terraplanistas explicam as mesmas coisas. Mas percebi que o texto estava ficando confuso, já que estava simplista demais em explicar os fenômenos sob a ótica da ciência. Além disso, o texto estava ficando grande demais e, provavelmente, quem aceita a Terra ser redonda pularia a parte científica da explicação e quem é terraplanista simplesmente não leria aquilo que não interessa. Por isso, resolvi mudar um pouco as coisas.

"Se a Terra não fosse plana, seria chamado de redondeta e não planeta"
Sim, já vi isso por aí. Apesar de alguns tratarem essa associação como brincadeira, alguns terraplanistas levam essa afirmativa à sério. Seria uma forma de dizer que os povos antigos sempre estiveram certos, já que sempre saberíamos que estamos vivendo em um planeta plano. Mas, na realidade, planeta não tem nada a haver com plano. O termo planeta, como nós usamos atualmente, vem do grego "πλανῆται" (planetai) que significa 'viajante' ou 'errante'. Eles usaram esse termo pelo simples fato de, quando observavam o céu noturno, alguns pontos brilhantes no céu viajavam em relação ao pano de fundo de estrelas fixas[3] de forma mais rápida e errante. Com o tempo, os gregos e demais povos começaram a nomear esses corpos errantes com os nomes que estamos acostumados (Vênus, Marte, Júpiter). Quando se percebeu que a Terra era mais um desses corpos errantes que viajavam juntos pelo espaço com o Sol, foi natural chamar a Terra de planeta também.

Portanto, dizer que devíamos chamar o planeta de redondeta só por que ele seria redondo não faz o menor sentido.

"A Antártica[4] é a beirada do mundo e, por isso, não deixam ninguém ir lá. Ele é o lugar mais protegido da Terra".
A visão de mundo terraplanista é, como vimos acima, que o mundo é cercado por gelo e a Antártica seria esse paredão de gelo que fecharia o mundo, impedindo que alcançássemos a borda. O acesso à Antártica é restrito a apenas alguns países, que o dividiram de forma precisa e quase militar para evitar que qualquer curioso chegasse e descobrisse toda a verdade. Os governos do mundo todo se envolveram para evitar que a tal verdade de que a Terra é plana seja descoberta.

A explicação é boa e se baseia em algumas verdades: existe realmente um tratado entre alguns países signatários, o chamado 'Tratado da Antártica', o qual os países abrem mão de reclamar posse do continente gelado, deixando de lado as reivindicações em prol da pesquisa científica em nível de cooperação internacional. O tratado original, assinado em 1959 com 12 países, hoje possui mais de 30, com o Brasil assinando e mantendo uma base desde 1984 na região, a Estação Antártica Comandante Ferraz[5].

Polo Sul Cerimonial, localizado a poucos metros
do Polo Sul geográfico. As bandeiras são dos 12 países
signatários originais do Tratado. Clique para ampliar.
Mas, naturalmente, a explicação mais simples que se tem para que as pessoas não possam ir na Antártica descobrir a beirada do mundo pode ser mais simples que a conspiração de governos: lá faz frio, muito frio. E não tem hotéis para as pessoas passarem a noite por lá.

Na realidade, o acesso difícil á região vai bem além do frio, naturalmente. A cidade de Novosibirsk, na Sibéria, registra médias de temperaturas mais frias durante o inverno que a Estação brasileira na Antártica[6]. Embora as temperaturas mais baixas já registradas no planeta sejam na Antártica[7], a temperatura não é o principal empecilho para que as pessoas viajem até o continente gelado. A principal razão é que a Antártica não é uma região para turismo. Desde o Tratado firmado entre os países, o continente foi e é utilizado para pesquisa científica. O acesso restrito se deve que as apenas pesquisadores voltados para a análise de clima e astronomia visitam esse espaço (e apenas durante o verão, onde as condições são mais favoráveis para permanecer por horas fora da Estação de pesquisa). O ser humano altera demais o ambiente onde passa e levar a uma onda de turismo no lugar atrapalharia o desenvolvimento de pesquisas na área, que exigem que o ambiente não seja alterado. Além disso, a vida no Antártica é muito frágil e nossa presença poderia levar a modificações sérias em seus habitats. Mesmo longe já causamos impacto no continente gelado - vide o buraco na camada de Ozônio.

Ou seja, dizer que existe uma conspiração para que as pessoas não saibam como é a Antártica de verdade - que seria um barreira gigantesca de gelo que impede que fôssemos além dela - é a coisa mais nada a ver.

Para falar a verdade, se a Terra fosse plana mesmo, eu veria essa barreira gigante de gelo daqui de casa. E, bem, não é isso que eu vejo.

"A ONU conspira junto com os governos para esconder a verdade. Mas o emblema da ONU não nos deixa enganar"
A ONU (Organização das Nações Unidas), fundada após a Segunda Guerra Mundial, teve o objetivo de organizar o mundo para evitar maiores problemas. Com o entendimento de que precisávamos nos organizar e colaborar a nível mundial, entramos no mundo moderno como o conhecemos. Tratados internacionais de comércio, educação e saúde só foram possíveis graças ao empenho dos países membros das diversas organizações que compõe a ONU.

A ONU ela representaria a união de todos os países (ao menos os países-membros) e, portanto, ela não responde por nenhuma bandeira em específico. Por isso, a ONU possui sua própria bandeira, que você deve ter visto por aí.


O emblema da ONU é o mundo em uma projeção azimutal equidistante, centrada no Polo Norte e com extensão de até 60° de latitude sul. Ornamentada com folhas de oliveira - simbolizando a paz - o emblema coloca os países-membros sem delimitação, em uma mensagem de união, paz e segurança.

Mas, naturalmente, os terraplanistas enxergam nesse emblema uma espécie de mensagem oculta, talvez do projetista do desenho que sabia da verdade e queria deixar esse easter egg para a humanidade. Para os terraplanistas, o símbolo da ONU nada mais é que a visão da Terra plana em todo o seu esplendor, sendo jogado na cara das pessoas até então.

Algumas projeções cartográficas conhecidas.
Bom, o que acontece é que a projeção azimutal gera, de fato uma imagem mais harmoniosa para a proposta do emblema (já que a imagem fica redonda), mas isso não significa que a Terra seja assim. Projeções cartográficas existem aos montes e seus trabalhos existem desde, pelo menos, ao período das Grandes Navegações. O grande número de projeções cartográficas existem para tentar reduzir o problema de projetar um superfície tridimensional - no caso a superfície terrestre - em um plano 2D - o mapa em si, o papel impresso. Todo tipo de adaptação dessa projeção acaba gerando distorções, algumas bem bizarras, como essas aqui nesse parágrafo. O site 'The True Size of' traz uma ferramenta bem legal para quem quer ver em como as distorções nos mapas escondem o tamanho real dos países. Escolha um país e arraste-o para outras partes do mundo e se surpreenda.

Usar do tipo de projeção escolhido para fazer o emblema da ONU não faz o menor sentido. É apenas uma projeção: podiam ter escolhido a projeção de Mercator, a mais conhecida entre nós e você deve ter visto na escola e é a utilizada pelo Google Maps em projeções 2D. Mas convenhamos, fazer um emblema com essa projeção ia ficar bem menos elegante.

"É tudo uma conspiração. Governo e cientistas escondem a verdade"
Governos realizam ações por trás dos panos em prol da segurança nacional e de sempre estar na frente dos demais países. Cientistas conduzem pesquisas e algumas são mantidas em segredo para evitar vazamento de informações e roubo de dados que poderiam gerar patentes importantes para o instituto de pesquisa ou universidade. Mas esconder da população que a Terra seria plana. Por qual motivo isso estaria sendo feito, na realidade?

Eu sou um cientista. Trabalho com pesquisa e estou a cada dia aprendendo mais e mais. Uma coisa que eu aprendi logo de primeira foi que todo cientista quer ser o primeiro a fazer alguma coisa. Ser reconhecido na área em que atua. Na física temos Newton, Einstein. Na biologia temos Darwin, Pasteur. Na química temos Pauling, Lavoisier. Nós queremos figurar ao lado dessas figuras importantes. Agora me diga, você acha mesmo que todos os cientistas do mundo iriam simplesmente ficar quietos se realmente a Terra fosse plana?

Garanto que não.

A NASA muitas vezes é acusada de ganhar bilhões em
esconder a verdade das pessoas. Duas dúvidas que pairam
são: ganham de quem? E por que?
Somos doidos pelo novo. Pelo desconhecido. Saber que a Terra é plana e contar isso colocaria o descobridor para todo o sempre na história da ciência. "Cientista refuta Einstein, Newton e todos os outros fodões da ciência". Até eu queria fazer isso!

Para sermos cientistas, não existe uma seleção em que você tem que assinar um contrato em que um dos itens é: jamais dizer que a Terra é plana. Sério. Os cientistas não conseguiriam esconder a verdade por muito tempo. Isso porque nós dependemos de entender a realidade para podermos fazer as coisas. Não tem como.

Naturalmente, isso se aplica aos governos também. Qual a graça de esconder isso da população? Imagina um país em quase guerra um com o outro - não é difícil de imaginar isso atualmente, se você acompanha os noticiários -. Uma forma de reduzir a confiança da população de um país é fazer ele não confiar no seu próprio governo. Agora imagina o país soltando a bomba de que a Terra é plana e que a população foi enganada todo esse tempo. Pois é. Se isso fosse verdade, essa informação teria "vazado" a muito tempo. Vazaram tantas coisas de espionagem e coisas piores dos governos ao redor do mundo mas não tem nenhuma menção sobre o fato de esconder a verdade da Terra para as pessoas.

Não tem sentido nenhum acreditar nessa conspiração. Não é conspiração. É mais sensato você cobrir sua webcam contra espionagem governamental do que o governo estar escondendo essa informação de você.

"E bla´blá blá"
O mundo moderno se moldou graças ao entendimento de como são as coisas ao nosso redor. E isso se aplica ao próprio mundo em que vivemos. Se hoje utilizamos do GPS (Sistema de Posicionamento Global, em inglês) para nos achar dentro de uma cidade desconhecida - ou encontrar alguém nas redondezas que estão interessadas em passar uma noite mais quente com a gente - e da internet para conversar com amigos e familiares ao redor do mundo e compartilhar notícias verdadeiras e falsas sobre a Terra, tudo isso fazemos pelo simples fato de aceitarmos a "redondeza" da Terra. Se enviamos sondas para o espaço e entendemos os sinais do espaço profundo que recebemos e captamos em nossas antenas, é por que compreendemos a física por trás de como o universo funciona: e isso se aplica também ao formato de nosso planeta.

Poderia continuar a falar sobre todas coisas que os terraplanistas utilizam para justificar sua visão de mundo, desde explicações sobre a gravidade, o dia e a noite, estações do ano e como o sol, lua e demais corpos ficam pendurados na abóbada celeste.

Carl Sagan (1934-1996) já disse:
"Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar."
Ou seja, as pessoas simplesmente acreditam naquilo que acreditam pelo simples fato de satisfazer suas necessidades. A aceitação da parte deles de que a Terra é plana pode ter motivos religiosos, pseudohistóricos ou até mesmo dar a ilusão de libertação contra o atual sistema educacional e político. Como se a disseminação de notícias contraditórias pelas redes sociais fizessem a pessoa que começa a crer em Terra plana como se estivesse a par de informações privilegiadas, como se estivesse "por cima da carniça[8]".

A Terra vista da Apollo 17 em 1972. Conhecida como
'Bolinha Azul', essa talvez seja uma das imagens mais
conhecidas do planeta Terra.
Na realidade, a crescente aceitação das pessoas para temas como a Terra plana, antivacinação, pseudohistória, medicina alternativa, entre outros, só mostram em como o mundo pode ser algo terrivelmente bizarro. Estamos vivendo a era da informação, onde as notícias são consumidas quase no mesmo instante em que acontecem. Mas, ao mesmo tempo, estamos vivendo a era em que há tanta informação, mas tanta informação, em que até mesmo notícias falsas - fake news - estão ganhando vantagens sobre as notícias verdadeiras. A disseminação de conteúdos que nada possuem de verdade ou evidências ao seu favor são propagadas em uma velocidade e proporções assustadoras hoje em dia. O jeito em como a informação é transmitida é facilmente assimilada pelas pessoas que, somado muitas vezes a falta de um conhecimento mais profundo, acabam tomando aquilo como verdade. O chamado efeito Dunning-Kruger atinge algumas pessoas que, por lerem ou serem apresentados de forma superficial a um determinado assunto (sim, estou falando para você, YouTube[9]), acreditam que possuem conhecimento superior a um especialista, achando que estão mais bem preparados para lidar com qualquer situação do que qualquer outra pessoa.

A natureza não é tão simples o quanto gostaríamos que ela fosse. Se você usa o GPS no seu celular para encontrar uma paquera no fim de semana, talvez nem faça ideia da quantidade de equações que o aplicativo e os servidores do aplicativo estão realizando para indicar as melhores pessoas para você ao seu redor. Não faz ideia da quantidade de equações que os satélites GPS precisam fazer para saber sua posição na Terra, manter ele próprio em órbita no planeta e para compensar as diferenças de tempo entre o que se passa no satélite e na Terra - sim, a relatividade de Einstein está envolvida nisso tudo. As coisas não são simples como uma pizza com borda recheada na sua mesa, pronta para ser devorada. A natureza seria mais como uma rapadura que você terá de comer com colher de plástico.

Mas, querer mudar a natureza para se encaixar em uma cosmovisão mais simplista não faz da pessoa a pessoa mais esperta do mundo. A ciência tenta entender as coisas como são. A natureza não tem obrigação de ser fácil para a gente. Se ela é complicada, as explicações são complicadas. Aceitar uma visão de mundo que chega a ser mais antiga que a própria escrita chega a ser um suco na boca do estômago da humanidade. Avançamos tanto e construímos tanto para chegarmos na era moderna com celulares no bolso com processadores poderosos que nos conectam a qualquer pessoa no mundo para gravar um maldito vídeo dizendo que a Terra é plana?!

Faça-me o favor!

🌍🌎🌏

Rodapé:
[1]: não, não é o Jon Snow, personagem da coletânea de livros 'As Crônicas de Gelo e Fogo' de George R. R. Martin e da série de TV 'Game of Thrones', produzido pela HBO. "Você não sabe de nada".

[2]: sabemos, na verdade, que o melhor modelo matemático que se aproxima da forma da Terra é a elipsoide, já que a Terra não é uma esfera perfeita: ela é levemente achatada nos polos. Esse fenômeno é provocado pelo movimento de rotação do planeta. Contudo, o melhor modelo terrestre que temos é o geoide, que leva em consideração as flutuações da gravidade na superfície do planeta. Mas, para facilitar a assimilação da conversa e ficar claro sobre que forma da Terra estamos falando, tratarei a Terra como sendo redonda ou esférica em oposição à Terra ser plana.

[3]: sabemos hoje que as estrelas não são fixas, mas como estão mais distantes que os planetas, seu movimento é muito mais lento, sendo necessário centenas de anos para observar alguma mudança significativa a olho nu.

[4]: sempre já debates sobre se é Antártica ou Antártida. Etimologicamente, o mais correto é com a letra C, já que a palavra antártica seria para indicar o oposto ao Ártico (anti-ártico). Mas, devido a popularização de algumas obras que usavam a palavra Antártida (talvez uma lembrança da mítica Atlântida), o termo foi e é usado amplamente também. Por conveniência, prefiro o uso com letra C. Mas, naturalmente, se você usa com letra D, não deixa de estar correto. Sabendo que estamos falando da mesma coisa, está tudo bem 😊.

[5]: em 2012 a Estação sofreu com um incêndio que comprometeu 70% das instalações. Dois tenentes morreram na época. Uma nova Estação está sendo construída e deverá ficar pronta em 2019.

[6]: em Novosibirsk, a média de temperatura no mês mais frio gira em -16,5 °C enquanto que a Estação Comandante Ferraz registra -9,7 °C.

[7]: a Estação Vostok, localizada próxima ao Polo Sul magnético do planeta, registrou a mais baixa temperatura na Terra, em 1983, de -89,2 °C. Na realidade, mesmo no verão as temperaturas nunca ficam acima do zero grau Celsius. A temperatura mais quente registrada na base foi de -14 °C, com médias não menor que -30 °C.

[8]: não sei se essa expressão é amplamente conhecida. Onde moro, quando se diz isso significa que a pessoa acha que está arrasando com alguma coisa e que ficou por cima dos outros, mas na verdade não passa de mais um urubu em cima da carniça, que não é lá grande coisa.

[9]: não estou dizendo que tudo que existe no YouTube ou nas redes sociais são ruins. Mas devemos ter sempre em mente que, quando você é apresentado a algo na internet aquilo é, muitas vezes, uma breve panorama da coisa toda. Ele serve como material introdutório para que você possa pesquisar e aprender mais. O Nerdologia, por exemplo, é um ótimo canal no YouTube que introduz as pessoas a muitos assuntos - aprendi muito com eles, inclusive. Mas não devemos sair propagando para todos os lados conclusões que temos a partir desse material tão breve. Quando comecei a escrever essa postagem, pensei que conseguiria fazê-lo em questão de duas horas (tanto que pensei em escrever enquanto viaja de ônibus durante o feriado). Acabei levando dois dias para escrever essa publicação. As coisas não são simples. Nunca são.

Imagem que abre a postagem aqui. Do médico da peste visto aqui. Polo Sul Cerimonial visto aqui. Astronauta com a Terra ao fundo via NASA. Bolinha azul obtido no Wikipedia.
Informações sobre a Estação Comandante Ferraz visto em MCTIC.

O Melhor em 2017!


Chegamos em mais um fim de ano. 2017 reservou muitas coisas interessantes para nós e, de certa forma, nos permite um vislumbre do que podemos esperar para o ano que vem. Os destaques do ano, foram, sem dúvida, a forte crise financeira que abateu sobre a comunidade científica brasileira, com cortes poderosos de recursos que sustentam bolsas, investimentos em novas tecnologias e em pesquisas básicas. Além disso, no cenário internacional, chama a atenção para as preocupações constantes com o clima mundial, mesmo o presidente americano Donald Trump, que empossou esse ano como Chefe de Estado da nação mais poderosa do mundo, não dar a mínima para o futuro do planeta. As inovações com tecnologia de inteligência artificial também chamaram a atenção no que podemos aguardar para o futuro - e, infelizmente, não apenas coisas boas sobre o uso dessa tecnologia, que já está gerando preocupações.

Mas o ano também teve belas imagens. Fomos presenteados com um lindo eclipse que praticamente varreu de ponta-a-ponta os Estados Unidos, sendo transmitido ao vivo pela internet para todo o mundo. Tivemos a despedida da sonda Cassini, que expandiu enormemente nosso conhecimento sobre Saturno e que trouxe imagens espetaculares do planeta - e os pesquisadores ainda estão extraindo dados preciosos de seus minutos finais.

Vamos relembrar o que aconteceu de melhor - e de pior - no mundo científico, focando em sete temas principais - com destaque para o novo tema 'Computação' e um especial, com destaques que movimentaram o Brasil e o mundo em 2017. Como sempre, as fontes das notícias destacadas encontram-se entre colchetes. Vamos lá!


#zika #ÓleoDeCoco #vacina #FebreAmarela #descoberta

Começamos por uma das principais áreas de interesse humano: o que cuida de seu próprio corpo. Um dos principais destaques foi o aumento do consumo de óleo de coco no Brasil. Estimulados por um uso de óleos mais saudáveis na alimentação, o consumo desse produto carece de evidências científicas que sustentem seus benefícios. Na realidade, o consumo desse produto está até mesmo associado a algumas complicações de saúde, como deixou claro uma nota da Sociedade Brasileira de Nutrologia, que se mostrou preocupada com o uso desenfreado do óleo de coco [1, 2, 3].

Ainda no campo da nutrição e alimentação, destacamos também o aumento no consumo do sal do Himalaia, apontado como mais saudável que o sal tradicional. Na realidade, apesar da cor rosa ser bastante chamativo, esse sal não tem nada de especial em sua composição que compense o alto custo de sua extração [4]. Outro dado preocupante sobre nutrição no Brasil é o aumento no uso de suplementos proteicos, comumente usados entre praticantes de atividades físicas intensas. Problemas renais devido ao uso sem necessidade dese produto estão preocupando nefrologistas de todo o país [5]. Ainda assim, apesar dessa onda de consumo exacerbado e exagerado de tudo que foi citado acima, os refugiados venezuelanos que procuram no Brasil uma melhor condição de vida ao fugir da grave crise que a Venezuela enfrenta, estão enfrentando um grave problema nutricional. Sem dinheiro e sem recursos, muitos deles possuem uma péssima alimentação, sustentada por bebidas ricamente adocicadas e frituras [6].

Saindo da alimentação, focamos nossas atenções para a vacinação: cada vez maior o número de pessoas adeptas ao não uso de vacinas, sobretudo como método de imunização em crianças. Acreditando que as vacinas tornam o sistema imunológico fraco e que as crianças devem desenvolver suas próprias defesas contra os agentes patogênicos presentes no mundo, muitos pais simplesmente não vacinam mais seus filhos. Como resultado, surtos de doenças até então controladas estão voltando, como o sarampo, por exemplo. Além de prejudicar as crianças que podem ter sérios problemas de saúde se forem expostas às doenças existentes, pessoas susceptíveis a doenças que não podem ser vacinadas ficam vulneráveis, já que a imunidade coletiva está enfraquecida [7]. O uso da vacina evita um surto epidêmico de uma doença em uma determinada região, protegendo as pessoas da comunidade como um todo. Foi esse pensamento responsável pelas campanhas de vacinação contra a Febre Amarela que ocorreu em diversas regiões do país. A reemergência de casos em primatas em diversas regiões fez reacender o alarme da vigilância epidemiológica para a reintrodução do vírus no ambiente urbano [8].

E pouco tempo depois de disponibilizar a vacina contra os quatro tipos de dengue no país, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) restringiu a administração do produto depois que a Sanofi, a fabricante da Dengvaxia, em seus estudos de acompanhamento, descobriu uma possível relação entre chances de desenvolvimento da forma grave da dengue em pacientes que nunca foram expostos à doença. Com isso, pessoas saudáveis nunca expostas não devem tomar a vacina até que mais estudos sejam conduzidos. Pessoas que já foram expostas ao vírus anteriormente podem tomar a vacina sem problemas. Lembrando que não é a vacina que causa essa reação [9].

Outros assuntos também foram destaque no mundo da medicina e saúde em 2017, a começar pelo dilema ético que uma equipe médica teve ao receber um homem com uma tatuagem escrito 'Não ressuscitar'. O homem acabou morrendo após decisão da equipe ética do hospital [10]. Apesar disso, a tatuagem desenvolvida pelo MIT pode facilitar e salvar a vida de pessoas diabéticas, já que a tinta da tatuagem reage aos níveis de açúcar no sangue [11]. E pesquisadores descobriram uma possível causa do Alzheimer, o que pode levar a tratamentos mais eficazes contra a doença [12] e que os pulmões possuem células hematopoiéticas, o que explicar muito sobre procedimentos em caso de transplantes e demais tratamentos sanguíneos [13] e, surpreendentemente, anatomistas descobriram que o cérebro possui um sistema linfático que recolhe os metabólitos das células. Até então, acreditava-se que o cérebro simplesmente devolvia ao sistema circulatório esses metabólitos. Agora o conhecimento anatômico sobre o órgão mais impressionante do corpo deverá mudar os livros-texto dos cursos de medicina [14].

E, falando em cursos de medicina, o Governo Federal proibiu a criação de novos cursos no país, alegando manter a qualidade do ensino [15]. A Anvisa reconhece maconha como planta medicinal, o que pode facilitar um pouco a vida de pessoas que dependem do preparado da folha para conter algumas problemas de saúde, principalmente crises epilépticas [16]. A morte do jornalista Marcelo Rezende reacendeu a preocupação da comunidade médica nos casos de pacientes com câncer que desistem do tratamento tradicional e buscam na medicina alternativa uma forma de encontrar a cura. Casos como esse, em que pessoas famosas tomam essa decisão, podem influenciar pessoas em situação semelhante a abandonar a medicina convencional [17], que está realizando grandes avanços. Nos Estados Unidos um novo tratamento contra o câncer foi aprovado. Totalmente personalizado, o produto é fabricado baseado em informações biológicas da própria pessoa, que ataca alvos específicos do câncer, com bons resultados [18]. Contudo, apesar do câncer ser uma das principais preocupações da medicina, o verdadeiro vilão de acordo com os cientistas é a multirresistência a antibióticos que as bactérias estão apresentando. Acredita-se que ela poderá matar mais que o câncer se novos antibióticos e novos tratamentos não forem desenvolvidos [19]. Finalizo o parágrafo contando sobre a melhora de uma paciente há 15 anos em estado vegetativo que apresentou melhora após estimulação nervosa. A pesquisa traz esperança para familiares de pessoas nessa condição em todo o mundo [20].

Novas descobertas sobre o vírus zika também fizeram presença em 2017, com destaque para a descoberta que uma simples mutação no vírus é a responsável por causar microcefalia em crianças. O estudo foi publicado na Science e pode ser a chave para criar mecanismos que protejam os fetos contra o vírus [21]. Além disso, descobriu-se como o vírus zika debilita o sistema imune, permitindo que ataque o feto [22]. E, talvez, a notícia mais preocupante tenha vindo do estudo da FioCruz mostrando que o pernilongo comum tem capacidade de transmitir o vírus zika. Até então apenas o mosquito Aedes tinha essa capacidade. Com a descoberta, o controle da dispersão da doença se torna cada vez mais difícil [23].

A medicina e saúde sempre rendem boas pesquisas e bons avanços em nossos conhecimentos. A seguir algumas notas rápidas sobe outros assuntos relevantes em medicina que aconteceram em 2017: foi descoberto que o vírus da febre chikungunya pode levar a problemas vasculares permanentes em pacientes acometidos pela doença [24]. O Rio de Janeiro apresenta uma epidemia de esporotricose, com diversos casos relatados em animais e humanos [25]. Casos de HIV/aids entre a população da terceira idade aumenta no Brasil. O acesso facilitado a medicamentos para desempenho sexual e uma maior abertura de novos relacionamentos entre os idosos, somado ao baixo conhecimento de métodos de proteção são responsáveis pelo aumento dos casos [26]. Um desertor norte-coreano que conseguiu sair vivo ao atravessar a fronteira das Coreias surpreendeu os médicos ao ter o corpo cheio de vermes. As autoridades sul-coreanas acreditam que o acesso deficitário a métodos de higiene e sanidade agropecuárias e da seneamento básico que existem na Coreia do Norte podem ser mais comuns do que se pensava [27]. E finalizando com um cenário nada agradável para o mundo no futuro próximo: pesquisadores acreditam que metade das pessoas no mundo terão miopia nos próximos anos. O uso exacerbado de dispositivos que desviam os olhos para o foco próximo serão os responsáveis por isso [28]. Além disso, o derretimento das geleiras poderão expor a humanidade a diversas novas doenças que estavam escondidas até então. O cenário preocupa visto que algumas regiões do mundo casos de cadáveres enterrados em regiões gélidas estão aflorando novamente, trazendo consigo doenças antigas [29].


#NASA #Juno #Cassini #TerraPlana #eclipse

Talvez uma das ciências mais antigas que temos registro, a astronomia também mereceu destaques importantes nos acontecimentos que fizeram o mundo da ciência em 2017. Nesse ano comemorou-se 60 anos do envio da cadela Laika para o espaço. O feito, embora marcado para sempre na história da ciência, nos recorda nos procedimentos éticos necessários sempre visando o bem-estar do animal, algo que foi ignorado na época [30].

A NASA, no fim do ano, ativou os motores da sonda Voyager, que viaja pelo espaço em direção às estrelas. Cerca de 20 bilhões de quilômetros de distância, a sonda respondeu bem aos comandos enviados pela equipe em Terra, que teve que reaprender códigos de programação que não são usados há décadas [31]. E, ainda sobre a NASA, uma adolescente britânica corrige a agência espacial americana sobre alguns dados relacionados à radiação. A agência americana agradeceu a adolescente pela incrível colaboração [32]. Já a empresa do magnata Elon Musk, a SpaceX assustou a população de Los Angeles ao lançar o Falcon 9 no final de dezembro, em um efeito bonito no céu. O foguete levou satélites de comunicação para o espaço [124]*.

E os astros que compõem o sistema solar não deixaram de dar o ar da graça: pesquisa aponta que a Lua pode ter água em seu interior, o que aumenta as possibilidades de criação de uma base permanente fora da Terra [33]. Mas, infelizmente, as chances de uma base em Marte acabaram de ficar menores com a descoberta de que aos rios e marcas de fluxo no planeta vermelho não seria causada por água ou outro líquido e sim pelo movimento da areia [34]. A sonda Juno faz incríveis fotografias de Júpiter, com detalhes e resoluções inéditas [35].

O mundo assiste o crescimento cada vez maior das ideias da Terra Plana. Apesar de estarmos em plena era da informação, a disseminação de falsas notícias e de falsos fatos faz com que cada vez mais pessoas se tornem adeptas e defensoras ferrenhas da ideia de que o planeta não é redondo, mas plano. As primeiras associações que surgiram no exterior já ganham adeptos no país [36, 37]. E nesse mesmo mundo maluco, o eclipse solar que aconteceu no fim de agosto chamou a atenção do mundo. Visível em praticamente de costa a costa da América do Norte, o eclipse rendeu excelentes imagens e transmissões ao vivo pela internet. Infelizmente apenas parte do Brasil teve as chances de ver um eclipse parcial do evento [38, 39, 40].

No resto do Universo, tivemos a chance de detectar ondas gravitacionais e luz ao mesmo tempo, reforçando as teorias de Eisntein sobre o espaço [41]. E foi registrado uma das melhores imagens de uma estrela já feitas até hoje - tirando, é claro, o sol. Apesar de não ser uma imagem incrivelmente nítida, detalhes sobre a atmosfera e da superfície de Betelgeuse permitirão os cientistas a compreenderem mais sobre a evolução das estrelas [42, 43].

Naturalmente, o assunto científico do ano foi, novamente, a astronomia. A sonda Cassini encerrou sua incrível missão caindo em direção a Saturno. Seus registros e coleta de dados preciosos foram enviados em tempo real à Terra. Na realidade, muitos dados ainda estão sendo analisados até então, mostrando a preciosidade da sonda em expandir nossos conhecimento acerca de nossa vizinhança planetária [44, 45, 46].


#clima #furacão #AquecimentoGlobal

O mundo ficou impressionado com o que aconteceu com o clima no planeta esse ano. Na Europa, a tempestade Ophelia passou causando transtornos e, incrivelmente, belas imagens, como do pomar em que todas as maçãs caíram no chão, formando uma linda imagem [47]. E o mundo viu três furacões ativos ao mesmo tempo no Oceano Atlântico: Irma, Jose e Katia. Irma foi um dos mais devastadores, matando centenas de pessoas na região do Caribe e causando inúmeros prejuízos por onde passou [48, 49].

Muitos pesquisadores acreditam que as temporadas de furacões que atingem o hemisfério norte do planeta serão cada vez mais longas, com mais furacões e mais fortes. Muitos apontam que o aquecimento global seja um dos principais responsáveis por isso. E pesquisadores acreditam que o fenômenos já está fora do controle da humanidade, que caminha em uma estrada sem volta para um futuro complicado para nossa própria sobrevivência [50]. Com isso, cidades costeiras ao redor do mundo sofrerão com o aumento nos níveis dos oceanos, como apontado por um estudo que aponta que cidades litorâneas importantes deverão ser esvaziadas nas próximas décadas [51].

Enquanto o mundo se preocupa em entender o clima, o Brasil esquece da importância de investir na ciência meteorológica. A falta de verba coloca a previsão do tempo de todo o país em risco, principalmente por não investimento na construção e manutenção de supercomputadores destinados à previsão [52]. Contudo, a maior preocupação do brasileiro foi manter ou não a continuidade do horário de verão. Apesar do apelo para a economia de eletricidade, muitos especialistas apontam que os transtornos causados pelos dias de adaptação ao novo horário não compensam os benefícios, que seriam quase insignificantes [53, 54].

E o comércio está fazendo empresas extraírem água de geleiras, fazendo uma garrafa de água custar mais de R$ 300 reais [55]. E o uso cada vez maior de areia para a construção civil está, acredite, fazendo acabar o material pelo mundo. É cada vez mais difícil e mais caro a extração de um componente que, a primeira vista, está disponível em todos os lugares [56].

E as principais notícias sobre nosso planeta nesse ano se encerra com a detecção de uma nuvem radioativa pelo continente europeu em setembro e outubro. Após um período de mistério sobre a origem, a Rússia informou que a origem veio de seu país. O material detectado foi rutênio-106 que, de acordo com especialistas, os níveis detectados não são prejudiciais a humanos ou meio ambiente [57, 58, 59].


#quilograma #tese #Hawking

A física, uma das áreas mais importantes da ciência, recebe pouca atenção da imprensa. Talvez uma de seus parentes mais famosos, a astronomia, acaba recebendo a maior parte da atenção. Mas tivemos alguns destaques nessa área do saber. O Sistema Internacional de Unidades muda a referência padrão para o quilograma. A tendência é utilizar parâmetros universais para a medida das coisas, como já fizemos com o tempo (segundo) e distância (metro). A medida começará a valer apenas em 2019 [60].

A famosa força de Van der Waals, que explica a ligação e coesão entre as moléculas receber uma reviravolta. Até então, acreditava-se que essa força fosse apenas atrativa, mas um novo estudo mostrou que, em determinadas condições, a força de Van der Waals pode repelir. Provavelmente um conhecimento que mudará os livros-texto de física no futuro [61].

E a comunidade científica foi agraciada com a publicação da tese de doutorado do astrofísico Stephen Hawking. A Universidade de Cambridge publicou o conteúdo online e o número de acessos foi tão grande que o servidor não aguentou receber tantas requisições, ficando fora do ar por um tempo. Hawking trabalhou sobre a emissão de uma tênue radiação de buracos negros [62].


#dinossauro #humano #legislação #doença

A biologia fez presença forte nesse ano. Coloquei aqui as principais notícias que tem alguma relação com a biologia. O ano foi marcado pela presença da febre amarela no Brasil, em especial com a morte de macacos em diversas cidades pelo país. Considerados vítimas da doença assim como nós, muitas pessoas começaram a atacar os macacos com medo da doença, matando os animais de forma totalmente desnecessária. Campanhas de órgãos de meio ambiente começaram a circular com o intuito de educar a população de que os macacos não são transmissores da doença e que eles sofrem da mesma forma que nós quando doentes [63, 64]. Nesse ano, um estudo epidemiológico mostrou como foi o padrão de dispersão do vírus zika pela América do Sul. O trabalho aponta que o Brasil foi a fonte da doença para os demais países vizinhos [65]. E casos de malária de macacos foi confirmada em humanos no Rio de Janeiro. Já havia suspeitas de que a a malária símia poderia infectar humanos, mas não havia certeza nisso, ao menos até então [66].

Santa Catarina registra quase sete mil casos de ataques de águas-vivas em apenas um fim de semana [67]. E o Jornal da USP resolve dar ouvidos à pseudociência, ao publicar material sobre homeopatia. A medicina alternativa da homeopatia não tem embasamento científico e muitas pessoas criticam que os pacientes acabam utilizando apenas a homeopatia no tratamento de enfermidades e a atitude pode ser fatal [68].

A Nutella se envolveu numa polêmica envolvendo um dos produtos de sua composição: o óleo de palma. Muito desse óleo vem de reservas naturais e sua extração é ilegal. Além do aspecto jurídico, a extração desenfreada causa distúrbios ecológicos na região onde a palma existe [69]. E falando em problemas ambientais, um estudo mostrou que a maioria do mel vendido no mundo possui pesticidas na sua composição. O pesticida fica muito tempo nas plantas que acabam servindo de alimento para as abelhas, que a usam para a fabricação do mel. O estudo mostra que devemos nos preocupar com outras fontes de contaminação por pesticidas além das já conhecidas [70]. E um dos maiores produtores de cacau do mundo criou um chocolate naturalmente rosa [71]. Finalizando o parágrafo, destacamos que a icônica sequoia que existia nos Estados Unidos (sim, aquela que você já deve ter visto foto com um carro passando por baixo) caiu [71].

No Brasil, o presidente Temer revoga o decreto sobre o Renca, uma reserva localizada no norte do país. Apesar da polêmica com a possível liberação da área para uso extrativista, o governo promete repensar sobre o uso da área [72]. E o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu o amianto em São Paulo. A decisão considera inconstitucional a extração e comercialização do amianto. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores do minério para o mundo. Contudo, é conhecido que o amianto é cancerígeno e causa diversas problemas de saúde, sobretudo respiratórios [73]. E, ainda em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin veta lei que proibia o uso de animais para o ensino no Estado. A lei impactaria fortemente sobre os cursos de ciências da vida, principalmente aqueles em que trabalham com a área veterinária [74]. E, fechando sobre as notícias nacionais, Noruega critica as ações ambientais tomadas pelo Brasil nos últimos anos e corta ajuda financeira [75].

Finalizamos as principais descobertas de 2017 na área da biologia dando uma olhada para o passado. Foi nesse ano que descobrimos que nossa espécie pode ser pelo menos 100 mil anos mais antiga que do que acreditávamos até então. Fósseis descobertos no Marrocos mostram que nossa espécie já caminhava pelo mundo há pelo menos 300 mil anos [76]. Somamos também a descoberta de que as mulheres pré-históricas provavelmente tinham mais força muscular que as mulheres modernas, mesmo as atletas de alto rendimento. Provavelmente o grande esforço braçal que elas tinham no passado pode ser responsável por isso [77]. Um pássaro de 100 milhões de anos foi encontrado super conservado em seiva de árvore. O espécime permite estudar a evolução de estruturas corporais e das penas e compreender mais sobre a evolução desse grupo de animais [78]. E falando em evolução, pesquisadores causaram um pequeno auê ao sugerirem uma nova classificação para os dinossauros, reorganizando a árvore filogenética desse complexo grupo. Apesar de ser uma sugestão, a publicação ganhou diversos adeptos entre os acadêmicos [79]. Já a China está virando lugar-comum para encontrar belíssimos fósseis de dinossauros. Dessa vez um dinossauro emplumado com cristas foi encontrado, batizado como Corythoraptor jacobsi [80]. E fechamos com o mundo sendo apresentado pelo fóssil de nodossauro mais bem preservado do mundo. Encontrado por paleontólogos em Alberta, Canadá, ele levou seis anos para uma completa resuaturação e hoje está em exposição no museu da cidade [81].


#privacidade #InteligênciaArtificial #segurança

O ano de 2017 teve muita notícia sobre computação. Teve tantas notícias que o tema 'computação' é estreante em nossa retrospectiva aqui do blog. Iniciamos com a invasão de privacidade que a tecnologia está causando em nossas vidas. É inegável que cada vez mais a tecnologia entre em nossas casas e nossas vidas e a privacidade ainda é um assunto delicado quando tratamos com tecnologia e coisas conectadas à internet. Um brinquedo erótico que se conecta à internet via celular está sendo acusado de gravar áudio dos usuários sem consentimento. O vibrador, que pode ser controlado à distância, estaria captando áudio durante o seu uso, que não foi autorizado pelo usuário [82]. Outro brinquedo, mas dessa vez um infantil também estaria vazando dados das crianças que brincam com eles. O brinquedo se conecta à internet e consegue responder à voz da criança. Dados como nome da criança estariam em um servidor sem criptografia, o que é alvo fácil para criminoso [83]. E o robô-aspirador estaria criando mapas do interior das casas dos usuários e a empresa estaria vendendo esses mapas para parceiros. Apesar da empresa negar esse tipo de ação, é sabido que o robô-aspirador cria um mapa do cômodo para saber onde ele pode realizar os procedimentos de limpeza [84].

A União Europeia (UE) ocultou um estudo que mostrava que a pirataria não prejudica a venda de música, filmes e games na Europa. Na realidade alguns setores tiveram até um leve aumento nas vendas. Muito provavelmente as pessoas pretendem adquirir o conteúdo legal e baixam antes pela internet para ver se vale a pena. Mas como o estudo ia contra o discurso das empresas e do governo, ele ficou escondido até esse ano, quando foi revelado pela internet [85]. Falando em internet, os Estados Unidos deram um gigantesco salto para trás. Deu início por lá a tentativa de acabar com a neutralidade de rede. A neutralidade impede que os provedores de acesso regulem o tipo de conteúdo que chega até o cliente (semelhante ao que acontece com os canais pagos). Apesar da tentativa de se querer por algo do tipo no Brasil, entidades asseguram que as leis brasileiras são bem mais claras que a americana quanto a isso [86].

O que chamou a atenção esse ano foram as falhas de segurança que afetam praticamente todo mundo que tem algum dispositivo conectado à internet. Tivemos falhas importantes na rede Wi-fi com a vulnerabilidade chamada Krack. Computadores, televisores, roteadores, celulares, tablets, tudo que se conecta à internet via wi-fi está em risco. Infelizmente o usuário não pode fazer muita coisa já que depende da liberação de patch de atualização de segurança por parte dos fabricantes dos dispositivos, o que pode demorar muito ou até mesmo nem acontecer [87]. Outra falha importante atingiu a conexão via bluetooth, que também afeta quase todos os aparelhos que usam essa tecnologia. Chamada de Blueborne, o usuário pode ser alvo de cybercriminosos mesmo se a antena bluetooth estiver desligada, o que deixa o usuário praticamente sem ter o que fazer [88]. E o principal ataque cibernético do ano foi, sem dúvida, o WannaCry, que derrubou sistemas rodando Windows de praticamente todos os lugares do mundo. O hacker responsável travava o computador e pedia um resgate dos arquivos após pagamento em bitcoins. O ataque afetou sistemas de aeroportos, hospitais e judiciários em diversos países, incluindo o Brasil [89].

Mas o ano também foi da inteligência artificial, a famosa IA. O Google apresentou esse ano avanços em reconhecimento facial a partir de imagens em baixíssima resolução, graças ao uso de IA [90]. O IA do Google também aprendeu a imaginar, ao criar imagens a partir daquilo que ela havia aprendido ao longo dos testes [91]. E um grupo conseguiu que uma IA criasse poesia baseado na análise de milhares de poesias e textos [92]. E um estudo polêmico mostrou que a IA pode detectar com alto grau de precisão se uma pessoa é hetero ou homossexual apenas analisando imagens do rosto. A preocupação se faz presente visto que muitos lugares a homossexualidade ainda é considerada algo errado e até mesmo um crime e as pessoas poderiam ser presas pelo simples fato de andarem na rua [93]. Como como essas fez Elon Musk, dono do Tesla Motors e da SpaceX - talvez você conheça como o Tony Stark da vida real - pedir a criação de uma regulamentação da IA, sobretudo para impedir a construção de armas inteligentes [94]. E uma grande preocupação ética começa a surgir: o uso de robôs inteligentes como amantes sexuais. Embora hoje possa parecer algo estranho e até mesmo engraçado, no futuro será comum pessoas terem relacionamentos sexuais com robôs. A dúvida que paira é: um robô inteligente poderá ter livre-arbítrio para recusar o sexo? E se for forçado, podemos considerar como estupro? São questões que vão além da jurídica e mexem diretamente com o nosso psicológico [95].


#SciHub #ética #cortes #investimento #publicação

O fazer ciência engloba tudo relacionado à ciência e ao cientista. Esse ano o Brasil viu cortes maciços em investimentos para a ciência. Para se ter uma ideia, a ciência recebeu apenas 20% do necessário para funcionar esse ano [96]. Isso é tão sério que esses cortes ameaçam seriamente a participação do Brasil em equipamentos estrangeiros, como o uso de telescópios importantes para pesquisas em astronomia [97]. Além disso, equipamentos e construções importantes para a nossa ciência também correm sério risco, como a construção do acelerador de partículas em Campinas, considerada a maior obra científica do país [98]. Até mesmo programas importantes como o Ciências sem Fronteiras (CsF) foram encerrados pelo governo [99]. Os cortes cada vez maiores tanto em bolsas como em recursos para a manutenção de equipamentos e compra de materiais de uso contínuo fez a comunidade científica se preocupar e ficar apreensiva sobre o futuro de nossa ciência, que corre o risco de ficar anos atrasada em relação ao resto do mundo [100]. O assunto é tão sério que diversos laureados ao Prêmio Nobel, o mais importante prêmio da área acadêmica, enviaram uma carta ao presidente Michel Temer pedindo que reconsidere a política de cortes em investimento na ciência [101]. Contudo, parece que a carta, que não foi respondida, não surtiu efeito algum, já que mais cortes são previstos para a ciência nacional no ano que vem [102].

A indignação da comunidade científica brasileira é tão grande que Marchas pela Ciência ocorreram no país ao longo do ano, movimentando centenas de pessoas em prol de mais investimentos [103, 104, 105]. Alguns pesquisadores até mesmo cogitam em criar um pardito político que tenha a ciência como bandeira. Apesar da boa ideia, ela não foi bem recebida por todos [106].

Como se não bastasse todos esses problemas financeiros, os pesquisadores tem que conviver com uma grande carga de estresse que pode levar a atitudes realmente tristes. Esse ano foi relatado o suicídio de um aluno de doutorado da USP. O episódio levanta a questão da saúde do pós-graduando e como os programas de pós-graduação podem ajudar os alunos que passam por dificuldades [107]. A pressão por resultados pode levar os pesquisadores a cometerem atos fraudulentos e também levar a fins trágicos, como o geneticista que se matou após sofrer pressão por parte de colegas [108].

Abaixo, a relação dos laureados ao Prêmio Nobel 2017. O Prêmio de Economia não está na lista pois ela não é um Nobel em si, mas em homenagem a Alfred Nobel, criador do prêmio.


No Brasil, uma doutoranda venceu o concurso 'Dance Your PhD' da Science. Nesse concurso o pesquisador precisa exercer seus dotes artísticos e contar, por meio de teatro, dança, etc, o que está desenvolvendo em seu projeto [109]. Mas, infelizmente, não são apenas notícias boas que temos aqui: uma estudante descobriu um esquema de desvio de bolsas dentro de universidades no Paraná. O dinheiro caía na conta de professores e servidores da faculdade [110]. E a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está processando um pesquisador por mau uso de dinheio público e pede a devolução do valor integral da bolsa concedida [111].

Já na Polônia, um pesquisador teve que explicar a origem de um fóssil brasileiro que virou publicação científica. O pesquisador disse que devolverá o fóssil ao país, já que não se sabe a origem legal do artefato do estudo, que pode ter sido levado para fora do país de forma ilegal [112]. E a China investiga mais de 500 pesquisadores envolvidos com algum tipo de fraude acadêmica, desde a inserção de nomes em publicações sem que a pessoa tivesse participado ativamente na pesquisa até a manipulação e plágio de dados [113].

E muitas pessoas passaram a conhecer um site que é o queridinho de muitos pesquisadores no Brasil: o SciHub. Criado por Alexandra Elbakyan, o SciHub é um indexador de publicaçõs científicas que os disponibiliza de forma gratuita. Até então, a maioria das publicações estão atrás de uma paywall e exige pagamento de valores altos para ter acesso a um artigo científico (valores variam muito de uma revista para outra, mas não é incomum encontrar artigos saindo por US$ 30 dólares ou mais). Esse ano o site foi processado por grandes editoras científicas, como a Elsevier. Além de fechar o site, o processo pede um pagamento de multa que passa vários milhões de dólares. O site sobrevive pulando de domínio em domínio [114, 115, 116].


#CarneFraca #BaleiaAzul

O ano de 2017 teve tanto acontecimento que mereceu um tema a parte, com destaques que estão fracamente ligados à ciência e tecnologia, mas que impactaram nossas conversas e nossas vidas.

Começamos pelo impacto que a operação Carne Fraca da Polícia Federal causou entre os brasileiros e até mesmo no mercado internacional, já que o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de proteína animal. Indícios de fraude na fiscalização fizeram o brasileiro questionar a qualidade da carne nacional [117, 118]. Junto com essa operação, saiu a Carne Fria, que autuou empresas de carne envolvidas com o desmatamento na Amazônia [119].

Deputados brasileiros aprovam a criação de um documento de identidade nacional, unificando os principais números de identidade que temos em um documento semelhante a um cartão de crédito [120].

E as redes sociais disseminaram o desafio da Baleia Azul, que incentivava o suicídio de seus participantes. Apesar de não se saber realmente a relação entre o suposto desafio e os casos de suicídio entre os jovens, o evento chamou a atenção de especialistas para os cuidados com uso de redes sociais [121, 122, 123].

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E assim encerramos mais um ano de publicações aqui no blog. Infelizmente não publiquei o tanto que gostaria de publicar já que a vida acadêmica cobra o seu tempo da gente. Mas felizmente muito conteúdo bacana está sendo publicado na página do blog no Facebook, no Twitter e no Instagram. Curta e siga-nos nessas redes sociais para estar por dentro das novidades!

A todos os que acompanham o blog, desejo boas festas à todos e que em 2018 a ciência nacional consiga se recuperar e que a ciência mundial continue nos surpreendendo com novas descobertas pois, "façamos ciência; assim podemos melhorar nossas vidas" (Carl Sagan).

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Rodapé:
*: a ciência não para. Após o levantamento das notícias e a construção dessa publicação, mais eventos importantes aconteceram e não podiam ficar de fora de nossa retrospectiva e, portanto, foram adicionados depois.

Todas os links levam as notícias dos destaques apresentados nessa retrospectiva científica 2017. As imagens são montagens a partir das originais disponíveis nos links das matérias.