Conheça HeLa. Mas quem é ela?

 

Células HeLa tratadas com corantes especiais para melhor visualização.

Céulas HeLa tratadas com um corante especial. As estruturas verdes são um subconjunto de microtúbulos, que formam o citoesqueleto. Em vermelho são tubulinas, que são proteínas globulares e em azul são o DNA.

3087554839_657ee348c0_o Sim, eu sei que o título do post foi uma piadinha infame mas foi o jeito que encontrei para apresentar você a esse amontoado de células acima. Ok, um monte de células coloridas e até simpáticas, mas o que tem de especial, ou melhor, por que elas tem um nome? Acontece que HeLa vem de Henrietta Lacks, a senhora da foto ao lado. Em fevereiro de 1951 ela foi diagnosticada com câncer no colo do útero. Amostras foram recolhidas e levedas para análises. Acontece que algumas amostras foram usadas para pesquisas científicas sem o consentimento da doadora. Henrietta morreu no mesmo ano, em outubro, mas suas células estão vivas até hoje em diversos laboratórios do mundo, quase 60 anos depois de sua morte.

A longevidade das células (desde que conservadas em condições ideais) é devida de HeLa terem uma versão ativa da enzima telomerase. Essa enzima é responsável por adicionar sequências de DNA nas extremidades dos cromossomos. Essas pontas são chamadas de telômeros. Em uma célula normal, isso não acontece e, a cada divisão celular, uma parte dessa ponta é perdida, encurtando o telômero. Como não se regeneram, depois de uma quantidade X de divisões, o telômero está tão curto que não é possível fazer mais a replicação do DNA, ou seja, novas células não surgem mais. Como o organismo não tolera que as células morram antes delas mesmas se multiplicarem corretamente, o organismo todo morre quando os telômeros ficam curtos demais.

Acontece que nas células HeLa o telômero está sempre se renovando, graças a essa enzima (a telomerase) que reconstrói as pontas dos cromossomos. Como o telômero sempre está lá, as células continuam a se multiplicar sem parar. Acredita-se que hoje que a massa total de células HeLa produzidas em laboratório até hoje supera em mil vezes a massa de Henrietta quando viva! Isso apenas para você ter uma noção de como essas células são incríveis. Não é a toa que os cientistas a chamam de “células imortais”.

O impressionante é que diversas pesquisas usando suas células deram resultados muito bons (e que usamos hoje em dia), como por exemplo a vacina contra a poliomelite. O médico Jonas Salk a desenvolveu usando células HeLa como base. Pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra a AIDS estão usando HeLa. A própria enzima telomerase foi descoberta graças a suas células. Sem falar que a NASA usou células HeLa para ver o seu comportamento em gravidade zero. As primeiras técnicas de clonagem usaram as células HeLa. Enfim, mesmo sendo uma doadora involuntária acho que ela ficaria orgulhosa por ter ajudado tanto a Ciência e as pessoas.

P.s.: O blog WIRED Science publicou um infográfico com as principais descobertas realizadas com essas células. Muito legal mesmo.

Com informações de Wikipédia (1), (2) e (3), Alysson Muotri na coluna Espiral, Átila Iamarino em seu blog Rainha Vermelha e BioInterativa. Infográfico por WIRED. Imagens que ilustram esse post: Células HeLa por GE Healthcare e Henrietta Lacks por Richard Arthur Norton, ambos no Flickr.

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