Arquivo Scientia - 20 de julho de 1969


Nunca o homem tinha ido tão longe. Nem mesmo a maior viagem de sua vida se compara a viagem que esses três cidadãos do mundo realizaram. Visitou Machu Picchu, no Peru? Puxa vida, que legal (quero visitar esse fantástico lugar também). Tirou uma selfie com a Torre Eiffel no fundo? Isso é legal, hein (sério). Conheceu pessoalmente o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, que fica em Dubai? Fantástico (só de imaginá-lo já dá vertigens). Ainda assim, o que Armstrong, Aldrin e Collins[1] fizeram supera facilmente todas essas viagens (e muito outras) juntas.

Eles foram para a Lua...

Chame-os de lunáticos ou de Lucas Silva e Silva. Eles estavam apenas realizando a meta proposta pelo presidente John Kennedy em 25 de maio de 1961 perante o Congresso Nacional americano, comprometendo os esforços da nação em levar e trazer em segurança o homem à Lua. Tudo isso antes do fim daquela década.

A NASA ficou desesperada em cumprir com a meta que caiu no colo dos cientistas, engenheiros e técnicos. No mesmo ano do pronunciamento de Kennedy, o governo americano liberou uma verba de 679 milhões de dólares para o início do ano fiscal (1 de julho). Assim, com essa injeção de dinheiro para a NASA, o programa Apollo começou a sair do papel.

Os engenheiros da NASA já tinham três ideias de como proceder com a ida do homem à Lua. Uma envolvia um foguete ir, pousar na Lua e retornar à Terra. Outra ideia seria um encontro em órbita (rendez-vous) terrestre, onde um foguete levaria um módulo até a órbita terrestre e desse módulo sairia outro, que pousaria na Lua, retornaria para esse primeiro módulo em órbita e voltaria para a Terra. Entretanto, a terceira ideia foi a acatada pelos cientistas da NASA: o rendez-vous lunar, onde um módulo de comando orbitaria a Lua enquanto um módulo lunar pousaria e se ligava ao módulo de comando no espaço, retornando os astronautas para a Terra.


Após várias missões Apollo (sim, a Apollo 11 foi a 11ª missão do programa Apollo)[2], a Apollo 11 estava pronta para ser lançada. Do Centro Espacial Kennedy em 16 de julho de 1969 às 09h32 da manhã na hora local o mundo assistiu três homens subindo na maior máquina construída pelo homem até então. Levados pelo Foguete Saturno V (imagem 4 desse arquivo), em 12 minutos já haviam alcançado a órbita da Terra. Daí para a Lua foi um pulo... de quatro dias!

A medida que ganhavam espaço (ba dum tss!), o foguete ia passando por diversos estágios, partes que o ajudaram a vencer a gravidade da Terra mas que agora não tinham mais função. Por fim, o módulo de comando (chamado de Columbia), juntamente com o módulo lunar (chamado de Eagle) estavam sozinhos, levando três homens dentro de si. Guiados pelas leis da física e do conhecimento matemático, a Lua se agiganta perante eles.

Neil e Buzz saem do módulo de comando e entram no Eagle (Michael ficaria no módulo de comando... comandando as ações e servindo de intermediário entre as comunicações Terra-Eagle). Assim, levando a humanidade consigo, em 20 de julho de 1969, às 20h18 UTC (17h18 no Brasil na época (horário oficial de Brasília)), Eagle pousa no Mar da Tranquilidade, na Lua.

Seis horas depois, uma escotilha se abre, e um ser, de outro corpo celeste, sai do módulo lunar. E estas foram as primeiras palavras ditas por esse ser, descendente de primatas, em um outro corpo celeste diferente do seu lugar natal:


Neil Armstrong: OK, I'm going to step off the LEM [Lunar Module] now. (pausa). That's one small step for a man, one giant leap for mankind. (OK, eu estou descendo do módulo lunar agora. (pausa). Este é um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.

Armstrong e Aldrin ficaram cerca de 2h30 na superfície lunar, observando a paisagem, tirando um selfie e postando no Instagram e colhendo amostras lunares (pouco mais de 21kg de rochas). Após retornaram ao módulo lunar e ficaram por mais 13 horas na superfície lunar, eles partem, deixando para trás nossa presença permanente na Lua: além de pegadas, a bandeira americana e uma placa, que ficou presa em uma parte do módulo lunar que ficou para trás na Lua, informando que "o homem, do planeta Terra, pisou pela primeira vez na Lua".


O Eagle se reencontrou com o Columbia em órbita lunar e retornaram para a Terra no dia 24 de julho do mesmo ano. Seus tripulantes, eternamente reconhecidos como heróis, ficaram 21 em quarentena (para verificar se não se contaminaram com nada, biológico ou não, de origem extraterrestre) antes de serem agraciados pelo povo em New York, Chicago e Los Angeles.

O evento, considerado por muitos como um dos maiores sucesso da aplicação do conhecimento científico e tecnológico já feitos pelo homem, nos mostra a incrível capacidade que a humanidade como um todo possui, sempre procurando dar cada vez mais um salto gigantesco...[3].

Você pode acompanhar toda a aventura na Lua de Neil e Buzz sempre que quiser: a NASA adicionou em sua conta no YouTube uma versão restaurada do conteúdo gravado na época. Vale a pena conferir os melhores momento (sim, tem três hora o vídeo e eu deixo você ir dando uns pulinhos marotos nele para pegar a parte da descida, do ajuste na câmera e colocando a bandeira).


Rodapé:
[1]: Collins não, ele não saiu do módulo de comando na realidade. Ele ficou em órbita cerca de 100km acima da superfície lunar enquanto seus colegas ficaram andando para lá e para cá. Mas confesso que gostaria de estar tendo a visão que ele tinha enquanto esperava o seus colegas voltarem.

[2]: as primeiras missões (até Apollo 6 foram não-tripuladas) envolvia lançamentos com o intuito de aprender como o foguete se comportava no espaço, a influência do combustível e da carga na comunicação módulo-Terra e como ocorria a reentrada na atmosfera terrestre. A partir da Apollo 7 houve tripulação na missão. A Apollo 7 fez um vôo orbital e experimentou o módulo de comando. A Apollo 8 foi a primeira tripulada a ir próximo da Lua, onde o módulo de comando realizou voltas na órbita lunar e retornou com sucesso. Da Apollo 11 até a Apollo 17, todas pousaram com sucesso na Lua, exceto a Apollo 13 que, devido a problemas no módulo de comando, a missão foi abortada. Essa missão acabou virando o famoso filme 'Apollo 13', estrelado por Tom Hanks e dramatiza a situação dos astronautas dessa missão no espaço.

[3]: calma, sei que tudo não é assim, tão romanceado (infelizmente). O interesse dos EUA em mandar o homem para a Lua está intrinsecamente relacionado ao fato do mundo estar dividido no eixo EUA-URSS e a constante Guerra Fria forçava esses países a demostrarem suas capacidades técnico-científicas. Com a dianteira da União Soviética em mandar animais para o espaço, o Sputnik 1 (primeiro satélite artificial em órbita) e o primeiro cosmonauta (Yuri Gagárin), a credibilidade tecnológica dos Estados Unidos estava comprometida (afinal de contas, se a URSS consegue mandar coisas para o espaço, o que era mandar um míssil de um lado a outro da Terra?). Embora a justificativa pública foi, de fato, o homem ir para a Lua, o avanço científico e técnico dessa empreitada serviu muito bem aos propósitos militares, como melhores propulsores e sistemas de navegação. Não é de se estranhar que com o fim do programa espacial e, anos depois, o fim da Guerra Fria, o mundo não viu mais o homem pisar na Lua. A "paz" (leia-se, países ricos que estão de boa no momento) esfriou os ânimos exaltados do período de incertezas e medo que rondava décadas passadas.

Com informações de Folha Online, Wikipedia e NASA History. Imagens que ilustra a postagem feitas por mim, protegida por CC.

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