Calendário Cósmico 16

Exemplar de Berlim do Archaeopteryx lithographica, que possui
tanto característica de um réptil como de uma ave. Esse fóssil,
datado de, aproximadamente, 150 milhões de anos atrás, é uma
das fortes evidências que mostram um ancestralidade dos
dinossauros com todas as aves atuais.

28 de Dezembro
01:07:21 - Aves e primeiras angiospermas...
Equivalente ao tempo real: 150 milhões de anos atrás.

As gimnospermas, até o momento, estavam presentes em todas as florestas do Mezosoico. Mas um novo grupo de plantas começou a dar as caras. No Calendáro Cósmico, as primeiras angiospermas aparecem! Muitas sinapomorfias são nítidas dentro desse grupo: o desenvolvimento da flor e do fruto, onde a semente se encontra.

As gminospermas, para se reproduzirem, se utilizam basicamente dos meios físicos disponíveis: o vento e a água. Para ser bem sucedido, essas plantas produzem uma grande quantidade de gametas onde eles serão dispersos para o ambiente e, ocasionalmente, atingir os gametas femininos de outra planta que pode estar a alguns poucos metros ou vários quilômetros de distância. É um gasto energético grande para pouco resultado. As angiospermas, por sua vez, começou a se utilizar de agentes que já existiam na natureza há muito tempo ou que haviam surgido poucos milhões de anos atrás. As primeiras angiospermas começaram a produzir folhas modificadas que começaram a atrair a atenção de insetos que, em busca de alimento, ficavam com o corpo carregado de pólen. Quando o inseto visitasse outras plantas para se alimentar, deixaria ali seu o pólen e a fecundação acontecia com muito mais facilidade. É nítido que não é mais necessário gastar enormes quantidades de energia para produzir enormes quantidades de pólen para serem carregados pelo vento. Agora, com a ajuda desses agentes, a quantidade de pólen caia drasticamente. A planta fornecia uma recompensa - o alimento, néctar - a esse inseto que a ajudava a se reproduzir. Com o passar do tempo, as flores foram ficando cada vez mais vistosas e diferenciadas.

Outra característica das angiospermas é que as sementes, que contém o embrião que resultará em uma nova planta, estava dentro de uma deliciosa novidade evolutiva: o fruto. Os mamíferos que se alimentavam de pequenos animais tinham agora uma nova fonte de nutrientes. Obviamente a planta não desenvolveu o fruto para que ele fosse comido mas, olhando mais atentamente, vemos que os animais que se alimentavam do fruto, tinham uma fonte de energia e nutrientes e, quando defecavam, deixavam as sementes em outros locais, já que praticamente não eram destruídas pelo trato digestivo. Ou seja, produzir frutos nutritivos e suculentos era vantajoso pois eles serviam de alimento para os pequenos mamíferos e esses depositavam as sementes, depois de passar pelo trato digestivo, longe do local original, contribuindo para a disseminação da semente, conquistando novos lugares.

Enquanto essa relação de "vamos fazer um trato" ocorria entre as angiospermas, insetos e os pequenos mamíferos, no mundo dos grandes vertebrados, um grupo começou a despontar e chamar a atenção. Vários grupos de dinossauros já exibiam uma projeção epidérmica interessante. Embora não se saiba exatamente do por que eles a possuíam, as penas é de fundamental importância para o voo. Durante muito tempo, os pesquisadores tinham dúvidas quanto a origem das aves, mas, com o advento de fósseis e outros meios de análises, descobriu-se que as aves (todas as aves existentes) descendem de um grupo de dinossauros. Um dos mais famosos fósseis é o Archaeopteryx lithographica. Nitidamente vemos nesse fóssil uma mistura de ave (a impressão das penas na rocha é a mais notável) e réptil (a longa cauda e a disposição dos ossos no corpo). Para falar a verdade, as aves são o único grupo que sobreviveu dos dinossauros desse período. Falar que iremos comer um dinossauro no jantar é errado, mas não tanto assim.

Imagem disponível em Wikipedia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário