9 Meses - post 20

Carlos recebeu uma das melhores notícias nessa data
especial para o casal. Se ele estava preparando uma surpresa,
o surpreendido acabou sendo ele.
Primeiros movimentos...
Um giro nas chaves fechando a porta foi ouvido. Segundos depois, o barulho do carro sendo ligado foi ouvido também, seguido de uma leve aceleração onde seu ruído foi sumindo aos poucos. O único barulho que Ana ouvia agora era a máquina de lavar que a vizinha ligara fazia alguns poucos minutos. Ana pensou se a vizinha tratava a lavagem de roupas de sua casa como um ritual, visto que praticamente todos os sábados o 'fenômeno' acontecia quase no mesmo horário.

Ana estava pensando nisso tudo deitada em sua cama, com a camisa levemente levantada. Carlos dera um beijo em sua barriga momentos antes de ir para o trabalho e deixara assim. Ela estava com os olhos semicerrados, esperando a vontade de levantar vir por conta própria. Lentamente movimentou suas mãos para sua barriga e deu um leve sorriso. Sabia que estava ficando 'barrigudinha' e que precisava comprar algumas peças de roupas. As peças mais largas que tinha estavam começando a ficar apertadas. Também precisava ver um número maior para seu sutiã. Com esses pensamentos, levemente embriagada pelo sono da manhã, ela passava as mãos em sua barriga. Segundos depois, ela abriu os olhos rapidamente e o sono sumiu como um passe de mágica.

Ana já tinha percebido antes mas nunca tivera tanta certeza como agora: ela sentira seu bebê dar um chutinho. E que chutinho! Ana continuou deitada, com as mãos repousadas sobre a barriga. Sabia que dava para perceber melhor os movimentos se ficasse deitada. Sem segurar a emoção do momento, percebeu que algumas lágrimas rolavam por sua face. Talvez o pequeno ser que estava dentro de si percebera que a mãe estava se deliciando com o momento ou, como bem sabia Ana, uma descarga de adrenalina acabara de desembocar em seu sangue e acabara excitando o bebezinho, que continuou a dar soquinhos, chutinhos e até cabeçadinhas no lado interno do útero.

Ana começou a rir, se deleitando com a situação. Após alguns minutos deitada, curtindo o momento, percebeu que os movimentos se tornavam menos frequentes. "Acho que ela está ficando cansada", pensou Ana. Lentamente começou a levantar. Resolveu tomar um banho antes de ir à cozinha tomar seu café da manhã. Depois de despir-se, ficou alguns segundos se olhando atentamente no espelho. Na última vez que for ao médico, ela estava um pouco mais gordinha do que deveria estar para o período gestacional. Felizmente o médico informou que não é nada sério e que a saúde de ambas está ótima. Ana sentiu um imenso prazer ao ver a si mesma grávida. Desejava esse momento desde quando começou a namorar Carlos.

Durante o banho, Ana relembrou que sua pequena estava se mexendo freneticamente dentro de si fazia bom tempo. Lá pelo segundo mês de gestação, o feto mexe-se muito, mesmo com os membros ainda em desenvolvimento. Tanto que nos últimos ultrassons Ana via sua menina mexendo dentro de si e ela praticamente não sentia nada. A medida que há um melhor desenvolvimento do sistema nervoso, este começa a coordenar melhor os movimentos e movimentos de esticar bracinhos e perninhas tornam-se mais frequentes. Ana estava imaginando todos essas reviravoltas dentro de si quando percebe que o telefone estava tocando. Rapidamente ela puxa a toalha, enrola no corpo e corre em direção ao criado-mudo onde se encontra um ramal da linha telefônica.

-- Alô? - disse, sem nem olhar para o número que o identificador de chamadas exibia.

-- Alô, Ana, tudo bem? Aqui é Júlia...

-- Ah, olá Júlia, tudo bem sim e com você? - Ana reconheceu a voz da Júlia, a secretária da empresa onde Carlos trabalha.

-- Tudo bem também... bom, o Carlos pediu para ligar avisando que acabou de receber a ligação da loja de materiais de construção perguntando se poderiam entregar o material mais cedo em sua casa e ele disse que sim. Ele pediu pra dizer que eles estão indo agora pra sua casa deixar as coisas e que é pra você receber os produtos...

-- Ah sim, que bom... bom, diga a ele que estarei esperando aqui.

-- Tudo bem então... - e falando mais rapidamente e com voz baixa - e como anda o bebê?

-- Ai, você nem acredita, eu senti ela mexer tanto hoje! Até chorei de felicidade!

-- Ai, mas que delícia... que bom. Quando der venha aqui para dizer um oi, faz tempo que não te vejo, menina.

-- Há! Há! Há! É verdade... se der certo eu vou sábado que vem um pouco aí, tudo bem?

-- Ai, vem sim... estarei te esperando... bom, era apenas isso Ana.

-- Obrigada  por avisar. Tchau Júlia, tenha um bom final de semana.

-- Você também, Ana. Abraços.

Assim que desligou o telefone, disparou para o banheiro para voltar ao banho quente. Minutos depois, vestira um pijama que estava na gaveta e foi tomar café. Minutos depois, a campainha toca.

-- Hum... deve ser o pessoal dos materiais. Ainda bem que Carlos resolveu ver sobre o quarto da filha dele! Pensei que teria que contratar uma pessoa pra fazer isso... - ao abrir a porta, se surpreende: um buquê de rosas esperava por ela. Atrás do buquê, uma voz começou a dizer.

-- Para a mulher mais bela desse mundo... - e vagarosamente Carlos aparece por trás do buquê.

-- Amor, por que isso?

-- Esqueceu o que a comemora hoje?

-- Você lembrou! - gritou Ana. Carlos lembrou do aniversário de casamento deles. Todo aquele papo no telefonema não passara de um blefe. Ana o encheu de beijos, ali na porta mesmo.

-- Espero que goste. Fiquei sabendo que as vermelhas são as suas favoritas! - disse, em tom de brincadeira.

-- Carlos, também tenho um presente pra você! Nossa menininha... eu senti... ela se mexeu!

Carlos ficou alguns segundos olhando para Ana, com os olhos marejados de emoção. Com certeza era o melhor presente que ele recebera hoje! Ao receber um abraço apertado do marido, Ana sentiu sua pequena se mexendo dentro de si. Mesmo com seu pensamento de bióloga, não sabia se era alguma resposta a hormônios ou se era simplesmente amor.

Com imagem por ~GreysonRose em seu deviantART.

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