9 Meses - post 31

Os primeiros momentos com a filha nunca serão esquecidos!

Primeiras coisas!
Os cuidados pós-parto normal compensaram as dores sentidas durante o parto, pelo menos pensava Ana. Já no dia seguinte após o almoço estava em casa e pode curtir a filha muito melhor. Recebeu a visita de seus pais e dos pais de Carlos, ansiosos em verem a netinha. Para os pais de Ana, a vontade em ver a neta era maior. Sendo Ana filha única, Alexandra era a primeira neta do avós-coruja. Eles resolveram passar uns dias na casa de Ana para ajudá-la no começo. Entretanto, Ana não estava acostumada com tanta paparicação. Durante toda a semana recebeu a visita dos seus colegas e amigos de laboratório, além de um belo arranjo vindo especialmente do diretor da empresa, em cumprimentos à nova vida que preenche o lar. Recebeu, também, a visita de alguns colegas da empresa de Carlos, mais chegados. Ficou extremamente feliz com a visita da amiga Helen, que trouxe consigo algumas lembrancinhas da sua viagem ao Rio de Janeiro, que fizera uma semanas atrás.

* * *

Desde segunda Carlos estava gozando do direito-paternidade e pode acompanhar Ana durante algumas primeiras pequenas coisas onde Alexandra estava envolvida. Carlos ficou maravilhado em poder participar do primeiro banho de Alexandra. Ver a água escorrendo sobre a pele cheia de pequenos pelos do corpinho de sua filha o fez ficar levemente emocionado. Ana informou a Carlos, durante o banho sobre aqueles pelinhos:

-- Amor... esses pelinhos que estão na pele de nossa filha chamam-se lanugo. Ela se forma como uma forma de proteção da pele, principalmente quando a pele dela ainda não começou a produzir oleosidade natural. Nas próximas semanas eles tendem a cair.

-- Incrível... - disse enquanto fazia uma pequena cova com a mão, a enchia de água da banheira e jogava atrás da cabecinha de Alexandra - viu como ela não iria se importar com as moedas na banheirinha.

-- Eu ainda acho isso bobagem[1] - logo depois de algum tempo, Ana retira Alexandra da banheirinha e a transfere para uma toalha que estava aberta ao lado. Rapidamente a cobriu e começou a enxugá-la levemente.

-- Quem é a moxinha da mamãe qui tá limpinha i xerosinha? - dizia Ana para a filha, com a voz bastante infantilizada - quem é, hmmm?? - e segurando os frágeis bracinhos de Alexandra, Ana dizia - papai! Paxa a mão na minha cabexinha bem di levinho, paxa!

Carlos ficou olhando para Ana, querendo saber se era ou não para fazer o que a "filha tinha dito. Ana olhou de leve, acenando um 'sim' com a cabeça. Carlos tocou a mão na cabeça da filha levemente. Percebeu que a cabeça da filha estava 'mole' demais. Seus olhos ficaram um pouco arregalados, fixos em Ana, aguardando alguma explicação. Ana dá uma risada e em seguida explica:

-- Ai amor... nossa filha tem crânio sim, fique tranquilo. O que você está sentido é a fontanela, mais conhecida como moleira[2].

-- Mas por que é assim?

-- O crânio na espécie humana é demasiado grande para passar no canal do parto. Essas partes moles são cartilagens que mantêm os ossos do crânio no lugar mas permite, ao mesmo tempo, que eles possam se mover. Durante a passagem no canal vaginal, o crânio é apertado para facilitar que saia para fora. Com o passar dos meses a fontanelas se ossificam e ficam apenas visíveis as suturas no crânio, indicando onde eram.

-- Hum... - o pai de Alexandra pondera um pouco a informação e dispara em seguida - mas que dizer que nossa cabeça não é um osso só?

-- Não, é um reunião de vários ossos, que se juntam e formam nosso crânio[3]! - o marido fica surpreso com tanta informação nova para ele. Ana dá um sorriso. Em seguida se volta para a filha:

-- Agora vãmo limpá exi umbiguinho?

O marido olhou para o coto umbilical que estava começando a secar e sentiu uma leve aflição. Afinal, não é muito agradável ter uma coisa presa ao seu umbigo. Ana pegou ali perto um algodão e o embebeu com um pouco de álcool 70% e começou a limpá-lo, da base para cima. Ana sabia que isso evitava ter algum probleminha em relação a doenças.

-- Por que fica assim? - disse o marido, evitando olhar para aquilo.

-- Ora, a nossa pequenina ficou se nutrindo e respirando por aqui. Mas agora ela é grandinha e faz tudo isso sozinha! Não precisa mais disso. Então, ao poucos ele vai secando e destaca, caindo. E isso pode ser uma entrada para microorganismos. E não queremos isso - e Ana complementa - Pense que o umbigo é uma cicatriz devido a queda desse cordão - novamente os olhos de Carlos arregalaram. Para ele o umbigo sempre foi apenas um umbigo e não uma cicatriz.

-- Caramba! Impressionante...

Após ter terminado de enxugar, limpar e vestir a filha, Ana se sentou com ela na poltrona do quarto de Alexandra. A agradável luz entrava no quarto deixava o ambiente muito confortável. Ana abriu uns três botões da camisa que estava usando e abriu o sutiã, expondo uma das mamas para fora. Carlos se ajoelhou ao lado da poltrona e ficou observando. Alexandra a princípio não estava se entendendo com o mamilo de sua mãe mas aos poucos ela percebeu como obter um alimento importantíssimo para si. Carlos fica emocionado, assim como Ana ao ver a pequena mamando. Carlos, sussurrando, diz:

-- Olha amor, que incrível, mamando leite!

-- Sim - disse, com olhos marejados - é muito bom ver nossa filha assim... - e se virando para Carlos - amor, durante os primeiros dias, eu não produzo necessariamente leite. É uma substância chamado colostro.

-- Colostro?

-- Sim, digamos que é uma forma mais sólida do leite. Ela contém menos água mas possui bastante proteína, carboidratos e células imunológicas, que vão ajudar a Alexandra a se prevenir de doenças. Com o tempo, esse colostro vai ficando mais fluido, virando o leite propriamente dito.

-- Nossa, que interessante... - disse Carlos, sem tirar os olhos de sua pequena, sugando fortemente o peito de Ana.

-- Sabe amor, acho que meu sonho finalmente está se tornando realidade. Uma família...

Da porta do quarto de Alexandra se via um quarto semi-iluminado, uma mulher sentada em uma poltrona amamentando sua primeira filha e o marido, coruja, vendo tudo e achando incrível que passado nove meses a sua pequena estaria ali, na sua frente e exigindo todos os cuidados do mundo. E ela seria muito bem atendida.

Informações extras:
[1]: essa prática caiu em desuso atualmente mas antigamente acreditava-se que dar o primeiro banho com moedas no bebê traria fortuna em sua vida adulta, já que estaria sendo banhado com riqueza. Entretanto não passa de um mito antigo. SE você deseja fazer isso ao seu filho(a), recomendo que esterilize as moedas previamente antes de colocá-las na água, visto que a pele dos bebês ainda é bem sensível. Além disso, atenção ao fato de as moedas serem pequenas e podem ser engolidas ou machucar a pele dos recém-nascidos.

[2]: uma ilustração das fontanelas humana pode ser vista aqui.

[3]: o crânio humano é formado por 22 ossos que estão ligados por meio de suturas (exceto a mandíbula ou maxila inferior). Veja esse excelente vídeo mostrando os ossos do crânio em diversos ângulos.

Imagem por ~DenmarkModel em seu deviantART.

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