9 Meses - post 32

Que mundo mais estranho!

Um novo mundo...
Desde o fatídico dia, as coisas estavam estranhas. Muito estranhas! O mundo ao seu redor se tornou claro, muito claro (embora tenha percebido vários momentos de escuridão). Mas o mundo era embaçado. Via coisas coloridas em cima de si balançando quando o vento entrava. Mas as vezes o mundo era nítido e bonito. Um rosto humano que logo se familiarizara aparecia sempre próximo e ganhava forma. Nas outras maioria das vezes uma massa quente com uma ponta escura aparecia perto de si e lhe fornecia alimento. Sentia um cheiro quando estava próximo da pele daquela massa quente que lhe fornecia alimento. Não sabia se era por causa do alimento mas adorava o cheiro que sentia, e se acalmava. Apoiava as pequenas mãos sobre essa massa quente e poderia ficar ali para sempre; mas sempre adormecia após alguns minutos de encher a barriga. Não entendi quando acordava deitada em uma algo reto e macio. Embora fosse relativamente bom, sentia saudades do cheiro bom e chorava. Segundos depois, o cheiro bom aparecia, dizendo coisas que não entendia, mas acalmava.

As vezes aparecia perto de si um rosto grande e com traços mais retos. Não era muito fã daquele rosto e, a princípio, chorava pedindo que aquele rosto gostoso e aquele cheiro bom estivessem perto (e como sempre apareciam logo depois). Mas depois, com o passar dos momentos claros e escuros, começou a gostar daquela cara diferente e sentia até uma afeição.

As vezes percebia que outras formas humanas olhavam para ela, mexiam com ela e riam para ela. Mas elas apareciam muito de vez em quando e não lhe causava grandes problemas. Percebia, às vezes, que faziam brincadeiras com suas mãos e pés e mesmo sem perceber, agarrava as coisas fortemente, dobrando os pequenos dedos.

Mesmo com todas essas aventuras, tinha muito tempo para dormir. Um sono colossal dominava seu corpo, sendo impossível nos fechar os olhinhos. Acordava principalmente durante os períodos do dia que estavam escuro, numa mistura de fome, medo e por perder o sono mesmo. Ouvia algumas vozes conversando brevemente e, segundos depois, uma pessoa de traços retos e masculinos aparece, levando-o até à grande bola quente e macia, que fornecia leite e amor.

Às vezes, entre uma mamada e outra, pensava se conseguiria entender aquele mundo, se conseguiria viver naquele mundo estranho, cheio de coisas claras e escuras, de barulhos e movimentos, de rostos feios e bonitos e de cheiros tão bons e tão ruins (principalmente durante o momento que limpavam seu bumbum). Isso a assustava às vezes, mas sabia que aqueles rostos conhecidos estariam ali, para proteger de qualquer mal, não importasse qual fosse.

Com imagem por ~Raphael-Ben-Dor em seu deviantART.

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