Arquivo Scientia - 24 de fevereiro de 1904


Apresento a vocês o primeiro post da nova série do blog Do Nano ao Macro: Arquivo Scientia. Revirando os arquivos científicos do passado, nós aprenderemos muito sobre o nosso conhecimento atual e como ele foi conquistado. Serão, em sua maioria, postagens curtas que serão feitas a medida que o aniversário de alguma descoberta/publicação/qualquer coisa acontecer.

Hoje, dia 24 de fevereiro, é aniversário da publicação do artigo de Olinto de Pretto intitulada 'Hipótese do éter para a vida do Universo'.

Esse artigo seria mais um entre tantos os outros da época tratando sobre a hipótese do éter para o entendimento do Universo. Considerado uma das ideias científicas erradas que mais tempo duraram por entre os físicos e cientistas naturais, o éter luminífero (para se diferenciar do éter, da química) existia em todo o Universo, banhando-o de alguma forma. Ele não atrapalhava em nada a mecânica celeste. Sua única 'função' era servir de um meio para a propagação das ondas eletromagnéticas (como a luz). Sabíamos, de antemão, que o som é uma onda e ele precisa de um meio material para que propague. Sem esse meio, o som simplesmente não existe. Para os físicos da época, era natural a ideia do éter para justificar a natureza ondulatória da luz. Entretanto sabemos que a luz (assim como qualquer outra onda eletromagnética) não necessita de um meio material para se propagar, portanto, a hipótese do éter caiu no esquecimento[1].

Entretanto, o que chama atenção desse artigo é a ideia do autor em relacionar massa e energia. Isso, no século XXI, é coisa comum e vemos na escola. Entretanto, essa ideia era muito nova para o fim do século XIX e começo do XX.

Em seu trabalho (que pode ser visto aqui, em italiano) De Pretto cita, pela primeira vez, a fórmula mv². Você já deve ter visto isso em algum lugar, não é mesmo? Substitua o 'v' por 'c'. Sim... é a famosa equação de Albert Einstein (que fica linda numa camiseta):

E = mc²

O diferencial nesse caso é que, além da constante da velocidade da luz mudar de letra entre os dois autores, as datas de publicação são diferentes. De Pretto publicara hoje, em 1904, enquanto Einstein fizera o mesmo em 1905.

Muitos cientistas e biógrafos debatem o assunto. O Wikipedia italiano e brasileiro (o inglês não cita essa informação) citam que Umberto Bartocci, professor de História da Matemática da Universidade de Perúgia, publicou um livro onde diz que Einstein teria se apropriado de tal trabalho e apenas melhorado. Entretanto, Ignazio Marchioro diz que os trabalhos mostram que tanto De Pretto como Einstein são gênios e que ambos terem tido o mesmo pensamento quase na mesma época seria apenas uma mera coincidência.

Mesmo não tendo conhecimento suficiente do assunto, acredito que a visão de Marchioro seja a mais sensata. Ambos os cientistas estavam vivendo um verdadeiro 'boom' de descobertas do mundo atômico a todo o momento. É sensato pensar que Einstein e De Pretto leram os mesmos artigos publicados na época e raciocinassem coisas parecidas também.

Embora Einstein tenha levado a fama com a conhecidíssima fórmula, De Pretto foi um grande cientista e o primeiro a publicá-la e, portanto, merece nosso respeito como um dos cientistas que merecem fazer parte da História da Ciência.

* * *

O Arquivo Scientia tem uma página especial reunindo todas as postagens separadas por meses. Esse é o primeiro artigo. Muitos outros virão. É só ficar de olho!

Informações extras:
[1]: em 1887 o famoso experimento de Michelson-Morley tentou medir, em um equipamento muito sensível, o vento etéreo, que seria causado pelo movimento do planeta contra a corrente do éter, provocando um pequeno desvio na luz usado nas medições. Visto que o experimento deu "errado", a hipótese foi sendo cada vez mais desacreditada pela Ciência.

Fotografia em Wikipedia. Imagem feita por mim, protegida por CC.

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