Cabeça Dinossauro - o titã brasileiro!


Visitei, dias atrás, a exposição organizada pelo Museu de Zoologia e Museu de Ciências da USP intitulada 'Cabeça Dinossauro'. A exposição itinerante percorrerá algumas cidades do estado de São Paulo ao longo dos meses, com previsão de encerramento em fevereiro de 2015. Atualmente, a exposição se encontra em Bauru, simpática cidade do interior paulista, a qual tenho como lar universitário. A USP de Bauru está recebendo a exposição.

Por motivos um tanto óbvios, as peças em exposição são réplicas. Mas isso não quer dizer que deixam de ser impressionantes. Ao entrar na exposição, o visitante é surpreendido com a réplica do titã brasileiro Tapuiasaurus macedoi, a imagem que abre a postagem. E sim, sou eu com a camiseta do Bart Simpson.

Mas a exposição vai além de apenas exibir o pequeno dinossauro da imagem acima e contar sua história. Há toda uma preocupação em explicar diversas características do próprio trabalho dos paleontólogos e o que são, de fato os dinossauros.

Seus paineis contam, por exemplo, a história do "buldogue de Darwin": Thomas Huxley. Huxley não era nenhum cão, mas era um grande amigo de Charles Darwin. Sua grande capacidade como orador o fez muitas vezes defender as ideias de Darwin para o grande público. Daí seu apelido. Mas Huxley também era um grande pensador. Ele cunhou, por exemplo, o termo "agnosticismo" o qual, de forma geral, a verdade sobre qualquer assunto religioso ou metafísico é desconhecido ou não capaz de ser entendido por nossa mente[1]. O buldogue de Darwin também foi um dos primeiros a indicar evidências que relacionam os dinossauros e as aves. Anos mais tarde, a natureza mostraria que o conhecimento humano pode ser fazer previsões. A exposição apresentava uma réplica em tamanho natural do Archaeopteryx lithographica, que fotografei com meu celular (desculpe a baixa qualidade).

Réplica de Archaeopteryx lithographica em exposição. Note as características marcantes dos dinossauros, como
a cauda comprida na porção final do corpo e, ao mesmo tempo, a impressão das penas na rocha.

Réplica do Confuciusornis sp., um fóssil
com cerca de 120 milhões de anos
encontrado na China. É considerado
o fóssil de ave mais antigo até hoje.
Há uma parte da exposição que conta as grandes extinções em massa da história da Terra com ênfase, obviamente, no fim dos dinossauros. A ideia corrente ainda é de uma grande bólido ter chocado contra a Terra por volta de 65 milhões de anos atrás. Existem diversas teorias complementares mas a que mostra com mais corpo de evidências é a do grande impacto[2], que teria causado a extinção K-Pg[3].

Há diversas outras réplicas muito bem feitas e bem cuidadas de fósseis (que fiz questão de tirar fotos para compartilhar com vocês) e modelos em tamanho real de alguns animaizinhos bastante interessantes, como o Velociraptor, que ficou famoso ao aparecer no filme Jurassic Park, além da pequena ave que facilmente passava de um metro de altura e que viveu cerca de 23 milhões de anos atrás aqui em terras tupiniquins. Os ossos do Paraphysornis brasiliensis são muito chamativos.

Recomendo o passeio caso esteja visitando a cidade de Bauru. A exposição ficará na cidade, de acordo com o panfleto fornecido, até o dia 31 de agosto. No site do Museu de Ciências da USP há mais informações e fotos sobre a exposição, além dos locais e datas onde a exposição irá passar. A próxima parada dessa exposição é São Carlos, onde ficará até o fim de novembro.

O paleo-crocodilo do gênero Baurusuchus, que viveu no atual interior paulista há 85 milhões de anos.

O "simpático" Paraphysornis brasiliensis, que correu pelo Brasil cerca
de 20 milhões de anos atrás.

O que você quer aqui? - disse o Velociraptor em minha última foto da vida... =P

Informações extras:
[1]: sabe-se que o conceito de agnosticismo é mais antigo que o próprio Huxley, sendo citados conceitos muito semelhantes datando da Grécia Antiga. Huxley deu um nome para o termo que, do grego, significa uma negação ao conhecimento. Na época em que cunhara o termo, Huxley fez uma espécie de crítica para os senhores que acreditaram ter chegado a um conhecimento sobre determinado assunto. Huxley negara esse conhecimento que era compartilhado entre esse senhores. Daí o sentido de negar o conhecimento.
Atualmente existem diversas visões do agnosticismo, mas não me atrevo a adentrar nesse terreno sem antes uma boa dose de leitura.

[2]: os grandes eventos de extinção em massa são assuntos muito delicados para serem tratados. Não estávamos lá para saber o que aconteceu. Nossas teorias e suposições são baseadas unicamente com aquilo que restou de evidências do passado. Assim como um perito criminal, quanto mais cedo ele chegar na cena do crime, mais informações e evidências ele poderá coletar para reconstituir o acontecido. Nada no mundo é imutável. Os cientistas atuais são os peritos criminais de uma cena de crime que aconteceu a milhões de anos atrás. Mesmo com algumas evidências tão simples, geólogos e paleontólogos fazem um excelente trabalho.

[3]: anteriormente essa extinção tinha o pomposo nome de 'extinção K-T', que representa a extinção que ocorreu entre dois períodos geológicos, onde profundas marcas na rocha são perceptíveis: a separação do período Cretáceo (K) e do período Terciário (T). Entretanto, a Comissão Internacional de Estatigrafia, órgão responsável por, entre outras coisas, dar nome aos bois aos períodos geológicos, mudou a abrangência do período geológico após o Cretáceo. Agora, no lugar do Terciário está o período Paleógeno, que engloba diversas épocas geológicas. Portanto, a extinção K-T foi substituída por extinção K-Pg.

Com informações de Museu da Ciência da USP. Veja um infográfico feito pelo Estadão sobre o tapuiassauro, o titã brasileiro, clicando aqui. Veja o artigo relatando a descoberta do dinossauro brasileiro diretamente no site da PLOS One. O Symphony of Science fez um vídeo clip sobre o Mundo dos Dinossauros. Recomendo.
As imagens foram tiradas por mim e por Lívia Guiraldi. Todas as imagens estão protegidas por CC (isso significa que poderá utilizá-las em seus trabalhos e pesquisas, contando que cite a fonte original, redirecionando para Wesley Santos/Do Nano ao Macro).

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