O melhor em 2016!


Podemos dizer que o ano de 2016 foi atípico em diversas formas, sobretudo para nós brasileiros. Foi um ano intenso, com acontecimentos que mostram a capacidade humana de estar construindo a história a todo o minuto. Foi o ano em que memes contando sobre o infindável mês de agosto (que parecia nunca chegar no fim) e a adaptação do meme 'Já acabou, Jéssica?' para 'Já acabou, 2016?' mostram que os últimos dias de 2016 não deixarão muitas saudades.

O ambiente político nacional que estava conturbado em 2015, tornou-se um ambiente instável e totalmente dinâmico em 2016. Vimos o primeiro processo de impeachment desde Collor, destituindo a então presidente Dilma Rousseff do poder. Vimos o desenrolar de diversas fases da operação Lava-Jato, comandada pelo juiz curitibano Sérgio Moro e debates intensos e calorosos vindos de todos os lados em publicações de opinião pelas redes sociais. Acompanhamos a eleição do magnata Donal Trump à presidência dos Estados Unidos. De posição enérgica e antiética em alguns pontos, conquistou a maioria dos votos dos delegados em importantes Estados americanos. Vimos, além disso, debates acalorados sobre temas sociais importantes, como a liberação do aborto e conquistas sociais de homossexuais.

Ficamos tristes com as vidas levadas esse ano. O cantor inglês David Bowie e o ator inglês Alan Rickman (intepretou Severo Snape na franquia 'Harry Potter') nos deixaram em 2016. Fidel Castro, revolucionário cubano e presidente por mais de 40 anos, foi uma das figuras históricas que encontraram seus últimos dias nesse ano. Infelizmente, de forma chocante, vimos a tragédia com a Chapecoense, time catarinense que, em seu auge, encontrou o seu fim ao voar para a Colômbia para a final da partida de futebol valendo o título da Copa Sul-americana. Junto com os jogadores, repórteres e jornalistas de esporte também perderam a vida. Apesar dessa tragédia, encontramos um traço de esperança na humanidade, com o incrível apoio e compaixão da população colombiana, onde seria realizada a partida. Comoção nacional e internacional, a Conmebol cedeu o título da Copa para a Chapecoense depois do pedido do Atlético Nacional e vimos cenas incríveis de afeto e solidariedade por todos os lados nos dias após o acidente.

Foi o ano das Olimpíadas no Brasil e a emoção que tomou conta de todos, superando as expectativas dos otimistas e surpreendendo os pessimistas. O maior evento logístico do mundo em períodos de paz, as Olimpíadas Rio 2016 nos emocionou da abertura ao encerramento. Vimos recordes sendo quebrados, superações pessoais e as mais diversas demonstrações do espírito esportivo. O público se apaixonou por figuras como o atleta jamaicano Usain Bolt e a ginasta americana Simone Biles.

Junto com todos esses acontecimentos, vimos avanços científicos e tecnológicos em 2016 que merecem destaques, além do tradicional pronunciamento dos laureados do prêmio Nobel.


Pela primeira vez desde que começamos a fazer uma retrospectiva de assuntos científicos no blog, iremos apresentar o que ocorreu em 2016 dividido por temas gerais, e não por mês, como ocorrera desde então. Os números entre chaves direcionam para fontes. Aproveite e relembre fatos e notícias importantes de 2016 no mundo científico! 


Notícias relevantes para a área de saúde humana

Febre zika: A medicina tem destaque nas notícias envolvendo ciência em 2016. Continuando o que dilema de 2015, esse ano foi marcado por novas descobertas sobre o vírus zika e os problemas relacionados a ele, sobretudo os casos de microcefalia. Em fevereiro, a OMS declara a febre zika como Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional [1], que foi retirado em novembro, após melhor compreensão da comunidade científica internacional [2].

Especialistas em vírus do mundo todo se debruçaram para compreender mais sobre o vírus zika e seus mecanismos de ação. Muitos dos últimos artigos científicos em revistas de alto impacto foram publicado por brasileiros (até mesmo por graduandos) [3], apontando a importância do trabalho da ciência nacional nesse quesito. Começamos o ano com indícios, já confirmados, de que o sexo poderia transmitir o vírus zika [4] e ficamos mais aliviados ao mostrar que o pernilongo comum (Culex spp) não conseguem transmitir o vírus [5]. Entendemos mais sobre o mecanismo pelo quais o vírus mata as células neuronais [6] e os danos causados no crânio dos infectados [7]. Apesar disso, estamos na busca de uma vacina eficaz contra a febre zika, como uma pesquisa que descobriu anticorpos que neutralizam a ação do vírus [8].

Infelizmente, a FioCruz acredita que os casos de febre zika e chikungunya (outra doença transmitida pelo mosquito Aedes) poderão ser mais fortes no próximo ano [9], o que acende o alerta para a comunidade médica em 2017, principalmente nos primeiros meses do ano, que são mais chuvosos. Além disso, um possível aumento no número de casos de zika após a vacinação contra a dengue deverão ser levados em consideração nos próximos anos [10]. Entretanto, a FioCruz promete agilidade com um novo kit de diagnóstico que detecta, simultaneamente, dengue, zika e chikungunya. O teste promete agilizar a realização dos diagnósticos laboratoriais pelo país [70*]

Chikungunya: um pouco esquecido, o vírus chikungunya estão circulando no país vários meses antes da febre zika. Quase nove mil casos foram registrados em apenas quatro semanas no país [11], apontando para futuras dores de cabeça que essa doença poderá trazer ainda. E situações como de um paciente colombiano que foi identificado com uma tripla infecção por dengue, zika e chikungunya poderão ser cada vez mais comuns [12].

Outras doenças infecciosas: no começo do ano a OMS declara o fim do surto de ebola na África, após anos de problemas e mais de 20 mil mortes provocadas [13]. E, em 2016, a gripe A (H1N1) aterrissou no país, acometendo milhares de pessoas e levando outras milhares para clínicas particulares em busca de vacinas. Foi notório a falta delas em diversos pontos do país, sobretudo nas grandes cidades. O velho medo das vacinas ressurgiu das cinzas novamente [14]. Um caso de raiva humano foi registrado no Ceará e casos de primatas não humanos positivos para febre amarela foram relatados em diversos pontos por todo o Brasil, reforçando a necessidade de vigilância contínua para a doença e a vacinação para todas as pessoas em área de risco [15]. E a escarlatina, doença provocada por bactéria, está voltando com força, principalmente na Europa, preocupando a classe médica, que não via números altos da doença há décadas [16]. No Brasil, é a esporotricose, transmitida por felinos, que está causando problemas no Rio de Janeiro, com mais de 500 casos esse ano [17]. E, finalizando esse longo parágrafo, mais um vírus transmitido por Aedes está preocupando os cientistas, o vírus mayaro. Comum no norte do país, o vírus tem potencial de dispersão no próximo ano [18].

Adicionalmente, estamos acompanhando um pequeno surto na Bahia de uma doença não-identificada (até 26/12, data de publicação), mas que alguns sinais clínicos batem com a doença de Haff, pela presença de rabdomiólise (quebra do tecido muscular provocado por alguma lesão de algum agente biológico ou tóxico) e urina escura (o rim filtra essa quebra e elimina na urina). Aparentemente a ingestão de peixe parece ser o responsável. Mais de 20 pessoas já foram infectadas [71, 72].

Mais: cientistas aconselharam que as jovens substituam o uso da pílula por outros métodos contraceptivos, como o DIU. Eles ainda aconselham a continuidade do uso de preservativos, sobretudo para evitar infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) [19]. E a primeira pessoa a receber um transplante de rosto do mundo, a francesa Isabelle Dinoire, morreu em seu país em abril (mas a notícia só foi divulgada em setembro). O hospital, em respeito à família de Dinoire, não divulgou as causas exatas da morte, apenas que ocorreu por complicações de uma longa doença [20].


Notícias sobre descobertas do campo astronômico e registros importantes realizados por sondas lançadas pelo homem

SpaceX: pela primeira vez, a empresa privada de exploração espacial comandada pelo magnata Elon Musk, conseguiu pousar um foguete em pé em uma balsa em alto-mar. O feito abre caminho para compreender e avançar no uso de foguetes reutilizáveis para viagens espaciais. O uso dessa tecnologia permite baratear a viagem para o espaço, reduzindo não apenas os custos operacionais para manter astronautas e pesquisas no espaço, mas viabiliza o futuro do turismo espacial [21].

Sondas espaciais: o grande destaque da ciência como um todo foi a sonda da NASA Juno, que sobrevoou Júpiter coletando registros incríveis do maior planeta do sistema solar. A sonda entrou em órbita do planeta em julho [22], enviando uma gama de imagens em alta resolução para delírio dos astrônomos e entusiastas da exploração espacial [23]. Do outro lado, a sondas Rosetta e o módulo Philae, que foram uma das estrelas em 2015, ainda deram as caras em 2016: a bem-sucedida missão de pousar em um cometa renderam imagens e registros importantes [24]. A sonda finalizou suas atividades em setembro, quando se dirigiu em queda livre em direção ao cometa [25]. Enquanto isso, em Marte, Curiosity ainda trabalha para a NASA. Após pequenos perrengues vividos em solo marciano, a sonda virou notícia ao precisar desviar de uma possível fonte de água em Marte. Leis terrestres proíbem qualquer tipo de contaminação de recursos naturais em outros corpos celestes, fazendo que a sonda evitasse o caminho planejado [26]. Ainda em Marte, a sonda da ESA, a Agência Espacial Europeia, não teve sucesso ao pousar no planeta vermelho, espatifando no chão. Uma sonda orbital da NASA conseguiu fotografar o local de impacto da sonda europeia [27]. Finalizando, a estrela de 2015, a sonda New Horizons, que registrou detalhes impressionantes de Plutão, terminou de enviar seus dados à Terra, após mais de 15 meses nesse árduo trabalho de comunicação [28].

Astronomia: o mundo acompanhou o lindo transito de Mercúrio frente ao Sol em maio, sendo transmitido ao vivo por diversos portais de astronomia internet afora [29]. E registramos a maior superlua dos últimos (e próximos) anos. Outro evento que chama a atenção das pessoas para observar os céus em busca de algum registro interessante [30].

Mais: a China inaugura o maior telescópio do mundo que servirá para, entre outras coisas, busca de vida alienígena. A abertura esférica do telescópio é de 500 metros, cerca de 200 metros maior que o telescópio de Arecibo, considerado um dos maiores do mundo [31]. E a notícia que, confesso, me deixou esperançoso mas, ao mesmo tempo, receoso, é do projeto brasileiro para enviar um satélite em órbita da Lua. O projeto está nas fases iniciais de operação e ainda deverá levar alguns anos para termos resultados mais palpáveis [32].

Finalizando, é com pesar que 2016 levou a atriz Carrie Fisher, que interpretou a Princesa Leia da franquia blockbuster Star Wars (episódios IV, V, VI e VII, além de participar do filme VIII, em produção). Um ataque cardíaca durante uma viagem de avião comprometeu seriamente a saúde da atriz, que não resistiu [73].


Clima, geologia, terremotos e outros assuntos que influenciam a atmosfera e o solo

Furacões e terremotos: um terremoto de escala 7,8 que ocorreu na Nova Zelândia em novembro resultou em uma tsunami de até dois metros, atingindo a costa da ilha [33]. E o furacão Matthew, que atingiu a costa americana em outubro também foi destaque pelo seus ventos de mais de 200 km/h [34].

Mais: um navegador foi encontrado à deriva dentro de seu barco em março. Ele estava desaparecido desde 2009. Seu corpo foi encontrado sentado próximo à rádio da embarcação  e foi preservado dentro devido ao sal do oceano. Tudo levou a crer que ele sofreu um infarto ou outro mal súbito [35]. E, de forma impressionante, foi registrado neve no deserto do Saara. Registrado por turistas que visitam o local, cientistas informaram que o último registro de neve ocorrera quase 40 anos atrás [73].


Assuntos sobre avanços da área da física e química, tanto pura como aplicada

Física: uma das notícias mais aguardadas e comemoradas pelos físicos foi anunciada no começo desse ano: a detecção das ondas gravitacionais. Preditas por Einstein um século atrás, as ondas gravitacionais são alterações tênues no tecido espacial causado por grandes eventos astronômicos no passado. Apesar de ser um importante evento que caberia ao tópico de astronomia mais acima, o assunto é de grande valia para a física moderna [36]. E foi produzida a primeira imagem por microscopia eletrônica realmente colorida. O feito abre caminho para a exploração de moléculas específicas em uma célula e sua participação no metabolismo [37]. Completando os principais avanços na física em 2016, especialistas criam um disco óptico 5D capaz de resistir a ação do tempo e guardar informações quase que eternamente. Considerando que cada vez mais as informações da humanidade estão se tornando digitais, uma forma de armazenamento confiável e que resista ao tempo é algo extremamente importante [38].

Química: talvez a notícia que mais chamou a atenção durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro foi a mudança da cor da água da piscina da Vila Aquática. Roberto Takata do Gene Repórter explica um pouco mais sobre o que pode ter ocorrido nesse fenômeno [39].


Notícias sobre descoberta de novas espécies e sobre a vida

Homem e animal: cientistas descobriram como os cães sabem quando os donos estão com diabetes. A descoberta desse 'sensor' químico natural poderá permitir a criação de equipamentos que possam indicar o paciente sem a necessidade de coletar amostra de sangue do dedo [40]. E cada vez mais bactérias resistente a praticamente todos os antibióticos existentes foram encontrados no país [41]. E donos de cães no país comemoraram com a liberação do uso de medicamento para leishmaniose canina no país. O medicamento, milteforam, já é utilizado na Europa e permitirá aos donos medicarem seus cães sem a necessidade de eutanásia, que ainda é o procedimento preconizado pelo Ministério da Saúde [42]. Já a gripe aviária fez o governo japonês matar centenas de milhares de galinhas e patos para evitar o risco de infecção para o homem. Casos na Europa da gripe aviária também foram relatados [43].

Genética: o popular 'desafio do balde', que conquistou a internet em 2014 e visava angariar fundos para a pesquisa da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) surtiu resultados esse ano: pesquisadores identificaram o gene que está ligado à doença. Com isso, tratamentos direcionados e uma melhor perspectiva para os doentes estão cada vez mais próximos [44]. Nasceu, no México, a primeira criança com o DNA de três pais. A mãe 'genética' da criança possui um problema em suas mitocôndrias que foram substituídas por de uma segunda pessoa (as mitocôndrias também possuem material genético próprio). Realizado por americanos no país vizinho por brechas legais, o procedimento se mostrou seguro para mães com casos semelhantes [45]. Outra pesquisa interessante apontou o gene responsável por impedir a formação dos membros superiores e inferiores de répteis rastejantes (aka cobras). A descoberta permite entender mais sobre a origem e formação dos membros dos demais tetrápodes, incluindo os humanos [46].

Comportamento: uma notícia abalou o mundo da neurociência: falha no software utilizado na maioria das pesquisas do cérebro possui uma falha que poderá invalidar milhares de pesquisa dessa área. A descoberta fará uma corrida em busca das publicações já divulgadas e possíveis correções nos resultados obtidos [47]. E análises do fóssil da Lucy, um dos nossos representantes mais antigos mais bem estudados, apontam que sua espécie poderia ser uma boa escaladora de árvores. Análises apontam que ela possuía força nos membros superiores que poderiam mantê-la nas árvores. Padrões nos fósseis já haviam sugerido que ela poderia ter morrido devido a uma queda, possivelmente de uma árvore [48]. Outra notícia interessante refere aos nossos parentes, os demais primatas: estudo mostrou que macacos-prego no Piauí utilizam lascas de pedra de forma parecida com nossos ancestrais usavam. A pesquisa poderá ensinar os cientistas como esse tipo de tecnologia é passada para as próximas gerações [49]. Finalizando as principais notícias de comportamento, uma pesquisa mostra a nossa herança primitiva para a violência, o qual provavelmente compartilhamos com os demais primatas [50].

Vida: a poluição pode ser responsável pelo surto de herpes encontrado em uma população de tartarugas marinhas na Austrália [51]. E o que antes achava-se ser apenas um, descobrimos agora serem quatro espécies de girafas vivendo na África. O estudo é importante para discernir melhor as espécies e criar campanhas específicas de preservação, visto que as girafas entraram esse ano na lista de animais ameaçados de extinção [52, 53].

Mais: e encerramos as principais notícias biológicas com uma notícia que fechou 2016 com chave de ouro para paleontólogos e admiradores de dinossauros: um âmbar de quase 100 milhões de anos preservou, incrivelmente, penas de uma cauda de um dinossauro. Aline Ghilardi, do Colecionadores de Ossos, apresentou a incrível novidade [54].


Ética, publicação e reconhecimentos

Internet: a divulgação científica brasileira ganhou um grande reforço esse ano com a estreia do ScienceVlogs Brasil, um site paralelo ao ScienceBlogs Brasil voltado para conteúdo em vídeo de divulgação científica. Com diversos canais no YouTube, cientistas e entusiastas apresentam e explicam mais sobre ciências para a público em geral [55]. Pensando nessas novas plataformas, grupos independentes estão solicitando ao Unicode Consortium, organização que padroniza caracteres para serem lidos da mesma forma em computadores e celulares, a inclusão de emojis com temas científicos, desde símbolos químicos, passando por vidrarias de laboratório e a fita de DNA. Se tudo der certo, a maioria dos novos emojis estarão disponíveis nos próximos dois anos [56].

Brasil: quem acompanhou a saga da cientista brasileira Suzana Herculano-Houzel tanto pela mídia como por ser perfil pessoal viu das dificuldades em angariar recursos financeiros para manter a pesquisa em terras tupiniquins. Como resultado, Suzana deixou o país no meio de 2016 para continuar suas atividades nos EUA, onde foi convidada. Naturalmente, críticas a favor e contra a ida da cientista ecoaram pela internet [57]. Apesar de sua saída, a condição da ciência nacional é deficitária. Bancado pelos pais, os pós-graduandos brasileiros (responsáveis pela maioria dos experimentos e atividades científicas conduzidas no país) passam por dificuldades financeiras (tanto dentro como fora do laboratório). Os cortes cada vez crescentes em verbas destinados à ciência que vimos em 2016 poderão trazer cicatrizes profundas que serão carregadas por décadas na sociedade brasileira [58]. Apesar das conhecidas dificuldades, professores e servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma professora da Unisinos foram presos por fraudar bolsas de estudos. O esquema envolvia o recebimento de bolsas de alunos não vinculados às universidades. O dinheiro era então destinado aos envolvidos, que teriam desviado quase R$ 6 milhões de reais. Os professores e servidores já foram soltos com tornozeleira eletrônica e aguardam o andamento dos processos [59, 60].

EUA: as eleições que ocorreram em novembro nos Estados Unidos, com vitória do republicano Donald Trump. Carregando a bandeira do 'fazermos a América grande novamente', Trump já questionou dados sobre a ação do homem no aquecimento global e já informou que irá rever o dinheiro destinado a pesquisa em algumas áreas, sobretudo para o clima. A comunidade científica está preocupada com essas mudanças, principalmente na questão de Trump não cumprir com acordos assinados para reduzir a emissão de gases de efeito estufa [61]. Ainda em novembro, os produtos homeopáticos comercializados nos EUA deverão conter no rótulo dizeres sobre a falta de evidências científicas que comprovem a eficácia do produto. Isso se deve ao fato de que, em publicações sérias e diversas revisões bibliográficas, a homeopatia não foi melhor que o efeito placebo. Por não conter qualquer traço da substância que deveria servir como medicamento, a homeopatia funciona apenas pelo fato do paciente acreditar que vai dar certo [62].

Premiações: como ocorre em todos os anos, são apresentados ao mundo os laureados ao Prêmio IgNobel. O Prêmio, uma sátira ao Prêmio Nobel, reconhece pessoas que desenvolveram pesquisas insanas ou improváveis. Destaque para a Volkswagen que modificou seu sistema para reduzir a emissão de poluentes exatamente no momento que os carros são testados. Veja os laureados na sucinta postagem do Renato Pincelli no Hypercubic [63]. E a versão 'séria' da premiação, o Prêmio Nobel laureou especialistas em suas mais diversas áreas.

  • Prêmio Nobel em Física 2016: metade do prêmio para David J. Thouless e outra metade para F. Duncan M. Haldane e J. M. Kosterlitz "pelas descobertas teóricas das transições de fase topológica e fases de matéria topológica" [64];
  • Prêmio Nobel em Química 2016: distribuído igualmente para Jean-Pierre Sauvage, J. Fraser Stoddart e Bernard L. Feringa "pelo desenho e síntese de máquinas moleculares" [65];
  • Prêmio Nobel em Medicina 2016: para Yoshinori Ohsumi "pelo seu descobrimento dos mecanismos de autofagia" [66];
  • Prêmio Nobel em Literatura 2016: para Bob Dylan "por ter criado uma nova expressão poética com a grande tradição da música americana" [67];
  • Prêmio Sveriges Riksbank de Economia em Memória de Alfred Nobel 2016: para Oliver Hart e Bengt Holmström "por suas contribuições para a 'teoria de contrato'" [68];
  • Prêmio Nobel da Paz 2016: para Juan Manuel Santos "por seus esforços na resolução do conflito de mais de 50 anos de guerra civil na Colômbia" [69].

Agradeço a todos por acompanharem o Do Nano ao Macro nesse incrível e estranho ano de 2016. Desejo um excelente 2017 a todos os leitores do blog e também para aqueles que curtem a página do blog no Facebook e nos seguem no Twitter e no Instagram (busque por @nano_macro).

😃 🎉 FELIZ 2017, PESSOAL! 🎉 😃

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*Algumas fontes e notícias foram adicionadas depois da conclusão do texto ou, ainda, depois da publicação (por ser relevante em 2016). Isso explica alguns números das fontes saltarem pela publicação.

As fontes das notícias estão presentes ao longo do texto.
P.s.: sim, seria legal ter mais emojis científicos além desses que ilustram o final [fonte n. 56]

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